O Sistema Filosófico (2)

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Deixemos agora o Sistema, isto é, o universo espiritual incorrupto em que ficou Deus no Seu aspecto transcendente, causa e centro de tudo, junto com as criaturas que não desobedeceram, e olhemos para o Anti-Sistema, o das criaturas rebeldes, isto é, o nosso universo material corrupto, em que ficou presente Deus no Seu aspecto imanente, para guiar tudo à salvação, orientando e dirigindo o ser decaído, curando o que se tinha tornado doente, reconstruindo o que foi destruído, endireitando com a evolução o que havia sido emborcado, reorganizando o caos em que tudo tinha caído.

Sem essa presença de Deus, a salvação não seria possível.

Explica-se assim o conceito de “redenção”. Não existe no universo outra força salvadora pela qual o ser pudesse ser remido.

Devido ao mau uso da liberdade que a criatura possuía, porque feita da substância de Deus, que é livre, ocorre a desobediência à Lei e, por um automático jogo de forças que aqui não é possível explicar, iniciou-se o afastamento dos rebeldes, do qual derivou o fenômeno da involução, que originou o caos, e o começo de nosso universo.

Apareceu assim uma nova maneira de existir, no relativo, isto é, a de tomar-se, ou vir-a-ser, ou transformismo, pelo qual nada pode existir senão fechado numa forma, mas sempre mudando duma para outra.

A perfeição ficou longe no Sistema, e dela não continuou existindo senão a necessidade de recuperá-la e o caminho da evolução que leva para ela.

Iniciou-se então um fato novo, o do movimento, e isto nos dois sentidos do dualismo que assim havia nascido: a involução e a evolução. Iniciou-se a corrida nas duas direções opostas: para a negatividade do Anti-Sistema, como consequência da queda, e para a positividade do Sistema, como consequência e continuação do primeiro impulso criador, para tudo recuperar, voltando salvos à fonte: Deus.

Dois movimentos opostos e complementares, que constituem as duas metades do mesmo ciclo de ida e volta, descida e subida, de doença e cura, do afastamento e do retomo, do emborcamento e do endireitamento: o movimento de involução e o de evolução, o segundo possível e explicável somente em função do primeiro.

Eis, então, o quadro geral do fenômeno da queda. Ele, em seu conjunto, compreende um circuito completo de ida e volta, que chamamos: ciclo. Divide-se esse ciclo em dois períodos. O da descida chama-se: involução. O da subida ou ascensão chama-se evolução.

Cada período divide-se em três fases, que são: espírito, energia, matéria.

O período involutivo parte da fase espírito que representa o estado originário, ponto de partida, donde se inicia a descida. Enredado no processo involutivo, o espírito sofre uma transformação por contração de dimensões, pela qual – sendo demolidas as qualidades positivas do Sistema – também ele, o espírito, fica demolido até à fase energia. Continuando na mesma direção o mesmo processo, chega a energia à fase matéria, transformação que é fenômeno já conhecido pela ciência moderna. Temos assim diante dos olhos as três fases do primeiro período, chamado involutivo: espírito, energia, matéria.

No fim desse período, a substância que constitui a parte que se corrompeu, da esfera do Todo-Uno-Deus no Seu terceiro aspecto de Filho, inverteu todas as suas qualidades originarias positivas em qualidades negativas. A causa originária tinha assim produzido todo o seu efeito e o impulso da revolta esgotou-se. Neste ponto de máxima inversão dos valores positivos e de máxima saturação de valores negativos, no Sistema invertido, o processo se detém. A transformação em direção involutiva ou de descida para. Chegados a esse momento, Deus retoma a Sua lenta ação de atração para Si, como centro de tudo.

Iniciou-se assim aquele longuíssimo processo, no qual vivemos hoje, o da subida, que é o segundo período, inverso e complementar, que se chama: evolução.

Enquanto o primeiro período da queda ou involução significara a destruição do universo espiritual e a criação ou construção do nosso universo físico, esse segundo período de subida ou evolução significa a destruição da matéria como tal e a reconstrução do originário universo espiritual.

Estamos agora neste segundo período do ciclo, o da evolução. Aqui o caminho é inverso do precedente. Se a descida foi do espírito para a energia, até à matéria, agora a subida vai da matéria para a energia, até ao espírito.

A soma dos dois períodos forma o ciclo completo, feito de um movimento que se fecha, dobrando-se sobre si mesmo. No conjunto, tudo volta ao seu lugar, no fim a correção neutraliza o erro, a expiação reabsorve a culpa. No fim, acima de tudo triunfa a perfeição de Deus, que tudo tinha previsto e em que tudo acaba reconstruindo-se.

A estrada que A Grande Síntese nos mostra é a que o ser percorre no segundo período do ciclo, o da evolução. Este livro nos explica o caminho ascensional, partindo da matéria, da sua origem e evolução, através das formas de energia, depois da vida mineral, vegetal, animal, subindo sempre, até ao homem, ao seu espírito, ao seu mundo social e moral, até ao seu futuro em mais altos planos de existência.

Do período involutivo, precedente ao nosso atual, A Grande Síntese aceita como fato consumado, sem indagar-lhe as causas e antecedentes. O seu objetivo é somente o trecho que vai do Anti-Sistema ao Sistema. Nisto aquele livro segue o método da Bíblia, cuja gênese também começa com a criação da matéria, sem explicar como isto pôde acontecer e o que houve antes. Assim o assunto se toma mais compreensível, porque abrange apenas o nosso atual trecho de existência, o que o homem pode melhor compreender.

A visão apareceu completa no livro: Deus e Universo, que abraça o ciclo todo, nos seus dois períodos, o involutivo, de ida, e o evolutivo, de volta. Nesta primeira exposição do esquema geral do fenômeno não foi possível entrar em pormenores para tudo explicar e provar. Assim o livro deixou muitos leitores em dúvida, porque não compreenderam.

Chegou depois o volume: O Sistema. A sua tarefa foi a de fixar as ideias desenvolvidas em vários cursos sobre esse assunto, de responder às objeções que neles foram apresentadas pelos ouvintes, foi a de entrar em maiores pormenores para oferecer novas provas da verdade sobre a teoria, e no fim, tudo controlar, fazendo contato com a realidade de nossa vida, na qual se encontram as últimas consequências daquela teoria.

Eis, em síntese o quadro geral de nosso sistema filosófico. O primeiro volume: A Grande Síntese fica assim enquadrado na visão dos dois, muito mais vasta. Se aquele livro representa uma síntese científico-filosófica, os outros dois são uma síntese teológica. Mas o primeiro não esgotava o assunto, porque um processo evolutivo não se pode admitir sozinho, como movimento isolado, sem o movimento oposto em que ele encontra a sua contrapartida que o equilibra; não se justifica, como efeito sem causa, nem precedente.

Livro: Queda e Salvação

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/QuedaeSalvacao.pdf

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