Síntese Monista

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

— Eis então, irmãos, que, ao aproximar-nos da essência da Divina Trindade, elucida-se-nos a história da Criação e deparamo-nos, mais uma vez, com o particular enredo de nossa queda espiritual. Pela fórmula da substância, mais uma vez, torna-se-nos claro que a casa cósmica em que nos encontramos nasceu da condensação e inversão de uma trindade menor, derivada da Trindade Maior.

Esse é o fundamento que nos convém absorver dessas egrégias lições. Ele nos encerra a explicação  máxima para todos os fenômenos, bem como nossos padecimentos e o trabalho a que estamos submetidos na senda do progresso. E assim entendemos, enfim, que vivemos uma situação anômala no grande ciclo da vida.

Como réprobos da perfeição, exilados por vontade própria do amor divino, compreendemos por que passamos a existir envoltos em densas trevas, sob dores insopitáveis e o assédio permanente do desespero, martirizados pela ânsia de crescimento, a estiolar-nos a almejada felicidade. Não somos espíritos inocentes, enviados aos proscênios inferiores apenas para crescer. Somos os anjos rebeldes, degredados do Reino celeste por inadequada escolha do orgulho e do egoísmo, feitos agora demônios, a viver no inferno que criamos para nós mesmos.

Na equação do universo desmoronado temos então a síntese de nosso multimilenar drama. Essa é a chave para tudo se compreender na complexa realidade em que respiramos. Regozijemo-nos ante essa máxima síntese monista que no momento podemos apreender, e que confere equilíbrio perfeito a todos os movimentos que podemos observar na realidade fenomênica que nos assiste. Essa é a grande verdade que a humanidade não demorará a descobrir e converter-se-á no manancial de máxima explicação para todos os grandes mistérios da criação. É, enfim, a chave que nos abrirá novos caminhos na evolução, preparando-nos para avançar rumo a revelações ainda maiores no futuro próximo.

E categoricamente afirmamos: esse novo e simples conceito marcará uma época, fazendo reconciliarem-se fé e razão, ciência e religião, libertando a mente humana da ingente fragmentação analítica em que se demora.

Irmãos, compreendam que, embora ainda não alcancemos absorver toda a extensão de seus conceitos, a simplicidade dessa formulação responsabiliza-se por todas as injunções fenomênicas ao nosso alcance. Ela resume em si todas as leis físicas e morais que nos servem.

Ela nos mostra que saímos de Deus e para Deus estamos voltando.

Ela desenha, enfim, nossa realidade exterior e interior, que faz mover o íntimo funcionamento do universo.

Ela perfaz o exato roteiro involutivo-evolutivo que o cosmo protraído em que vivemos segue na inexorável linha do tempo. E nos dá a certeza de que nosso universo está caminhando para a extinção da matéria e a plenitude do espírito. Ou seja, garante-nos que o fim último da criação, em todas as suas instâncias, é a produção de consciência integral, o espírito puro, único e genuíno Filho do Todo, capaz de superar o espaço e o tempo, a matéria e a energia.

Conhecendo seus detalhes, estaremos mais bem habilitados a orientar-nos pelas veredas do Relativismo, capacitando-nos melhor a vencer mais rapidamente a inferioridade que ainda nos constrange e a libertar-nos das cadeias físicas em que nos prendemos. Fato que estará mais claro no desenvolvimento de outros temas que se seguirão em nossos estudos.

Ela nos demonstra que para ressurgir no Universo realmente divino teremos de reconquistar a perdida pureza com a qual fomos criados. Necessitamos espiritualizar a matéria que agora nos serve, extraindo-lhe as potencialidades próprias da alma. Por isso, nosso esforço na vida deve ser direcionado, com o máximo empenho possível, para a sublimação de todos os nossos valores e interesses.

Precisamos renunciar à vida inferior.

Urge transmutar as energias que nos servem em genuínas expressões de imponderabilidade. Eis por que o progresso consiste exatamente na espiritualização da matéria e na superação das forças que nos cerceiam o ser eterno, terminando pela completa absorção de seus potenciais. Esse é o segredo maior da evolução e que o Cristo já nos havia indicado.

Eis então que nossa palavra de ordem é o completo desapego aos bens exteriores. Essencialmente, precisamos desfazer-nos do assaz egoísmo que nos retém nos grosseiros envoltórios que nos aplacam as potências de origem, a fim de tornar à grandeza original com a qual fomos criados.

Enfim, entendemos agora por que exatamente Jesus nos deixou Suas imorredouras lições de desapego ao mundo das formas, e recomendou-nos a renúncia aos valores do eu inferior como máxima necessidade para ressurgirmos no Reino divino.

No momento, a reformulação do conceito de Trindade e o estabelecimento do ciclo da substância bastam-nos para compreender que tudo está em Deus e Deus está em tudo. Que Deus é a fonte primária de tudo o que existe, potência suprema do Universo, a que devemos nossa própria existência.

Respondamos com o maior amor que nos é possível a esse Centro de máxima irradiação e inigualável convergência do Universo que, por amor, doou-nos a própria substância, a fim de tornar-nos centelhas vivas do próprio poder.

Curvemo-nos em respeitosa gratidão a esse Fogo animador da vida, que por bondade a tudo e a todos se doa.

Aniquilemo-nos sem demora nesse inexprimível incêndio de amor, apagando a iníqua chama de nossa secular maldade, nossa imane revolta, nosso ímpio egoísmo, todo orgulho que em nós ainda viceja, para desfazer-nos nas blandícias da suprema vontade de nosso Pai.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s