Criação secundária

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

— Observemos ainda que, após a queda inicial, uma vez terminado o primeiro movimento de  compactação das forças fundamentais, uma estupenda reação, imposta pela Lei, produziu uma súbita expansão das substâncias impactadas, a chamada a grande explosão do início, que resultou na gênese física, a segunda criação, na qual estamos todos inseridos.

Essa primeira explosão fez dilatar o espaço, gerando um campo energético propício à manifestação do novo elemento que surgia: a matéria. Subsequente contração desse lençol de energias, reverberando o movimento inicial, criou a atração gravitacional, a qual condensou as forças livres do começo em grandes vórtices de convergência, no palco do espaço-tempo que nascia.

Sob a ação desses portentosos e novos impulsos impactantes, formaram-se os amontoados amorfos de matéria ainda não organizada, a protomatéria, o substrato que irá originar, por sua vez, os aglomerados galácticos, de onde brotarão sóis e astros. Assim deu-se a gênese do universo, cujas forças fundamentais podem agora ser explicadas pela queda do espírito.

A dança dessas potências primevas, alterando então atração e repulsão no campo cósmico, seguiu, compondo mundos através da esteira do tempo, pelos rincões contorcidos do espaço, fecundando-os de vida, para que o espírito, encistado e morto na matéria, pudesse, enfim, tornar à consciência e ressurgir na Eternidade.

Na imensa fornalha das forças fundamentais, o impulso expansivo, contudo, passou a predominar ligeiramente sobre o contrativo. E nosso universo, embalado por incontida expansão, seguiu acelerando sua dilatação, que logo atingiu vertiginosa velocidade. Em busca de sua condição inicial, ele almeja reintegrar-se ao Absoluto divino de onde proveio.

Eis o que explica a estonteante expansão a que está subordinado o cosmo degenerado, o qual, como um imenso balão, infla-se, pois tem pressa em reintegrar-se à Casa de Deus.

Eis por que somos feitos de forças expansivas, e em nosso imo palpita um inesgotável anseio de crescimento, que não nos dará descanso enquanto não fundirmos a sagrada substância que nos constitui ao amor divino.

Eis por que Deus é o único refúgio para nossas almas.

Eis, enfim, por que Cristo veio de fato nos salvar. Sua missão agora, mediante esses mais vastos conceitos, enquadra-se no concerto fenomenológico do cosmo. E o Evangelho, deixando o restrito campo religioso, converte-se em um conjunto de postulados científicos.

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