A Fórmula do Universo  

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

Essa fórmula unitária do universo, chamada equação da substância, expressa no movimento duplo espírito-energia-matéria e matéria-energia-espírito, explica-nos todas as forças em jogo em nossa realidade fenomênica, em impreterível atuação no próprio imo. Quando a inteligência humana aprender a expressá-la em formulações matemáticas precisas, todos os enigmas do nosso universo serão conhecidos e compreendidos.

Nessa formulação máxima do monismo enquadraremos até mesmo os impulsos que nos movem o espírito e constroem as personalidades com as quais nos vestimos na trilha das encarnações. Portanto, estudá-la não pressupõe meramente satisfazer nossa curiosidade, porém penetrar no conhecimento de nós mesmos, como importante etapa de nosso crescimento espiritual que irá conferir-nos a libertação definitiva dos planos densos em que nos aprisionamos. Orientados por esses salutares e superiores conceitos, não seguiremos mais como cegos, semeando sempre novas dores em torno dos próprios destinos, mas trilharemos com sabedoria nossa estrada de ascese espiritual, atingindo mais rapidamente seus cimos.

Saibamos aproveitar a potência divina de que se nutre a própria substância que nos constitui, em favor de nossa ascese e não de nossa queda e permanência no universo derrocado em que nos manifestamos.

— Essas duas forças básicas presentes no universo protraído, a força de compactação ou concentração, e a força de expansão ou descentralização, irão explicar agora o dualismo fenomênico em que nos encontramos.

Como sabemos, irmãos, existimos em um universo em conflito, onde potências antagônicas manifestam-se a todo momento em multifárias e por vezes contraditórias formas de expressões. Por isso, exatamente, nossa realidade, a despeito de ser divina, alberga impulsos completamente opostos em seu bojo. Vemos, em meio à ordem, a desordem; junto com a construção, a destruição; aqui, inevitavelmente, a vida se digladia com a morte; a luz luta para se impor às sombras; a felicidade sofre o estilete da dor; a sabedoria com esforço necessita dissipar a ignorância; e o bem a todo momento requer sobrepujar-se ao mal.

Atração e repulsão integram então as duas fases constitutivas da cinética da substância, compondo os dois movimentos prototípicos do universo desmoronado. Alternando continuamente seus pulsos e contraimpulsos, subordinando todos os objetos fenomênicos aos seus embalos fundamentais, produzirão efeitos e contraefeitos, ações e reações, que terminam por gerar a inevitável reciclagem de todos os seus ínsitos valores e produtos.

Exatamente por isso, a natureza é cíclica em todas as suas instâncias, e todo ciclo está formado por uma fase de centralização e outra de descentralização. Por isso, em nossa realidade, todo fenômeno nasce, cresce, desenvolve-se para depois contrair-se e morrer. No entanto sem jamais extinguir-se, pois em obediência aos movimentos cíclicos, tudo deve existir e aparentemente findar-se, para tornar a existir, a fim de cumprir a grande Lei, que tudo manifesta e reproduz para que tudo retorne à sua divina origem.

Assim, as águas evaporam-se pela ação do calor, condensam-se, porém, através da chuva e solidificam-se pelo frio, para novamente vaporizarem em novo verão, refazendo o ciclo. Os gases da atmosfera e os elementos do solo recambiam-se permanentemente, produzindo o equilíbrio necessário à vida. A vida morre para refazer-se sempre em nova existência. A consciência condensa-se na morte, para expandir-se depois em novo renascimento. E tudo no universo, sem jamais extinguir-se, renova sempre seus valores na eterna reciclagem de todos os seus produtos, repetindo na intimidade fenomênica o inesgotável e grande ciclo da substância.

Vemos ainda a atuação desse mesmo processo no princípio da semente. Princípio que faz todo fenômeno, depois de atingir sua máxima expansão, retrair-se em nova fase, condensando-se em diminuto potencial de realização, a semente, pronta a explodir em subsequente manifestação fenomênica. Por isso, explodem as galáxias, sob a luz da gênese cósmica, depois de condensarem-se em poderosos núcleos de gases siderais; estouram as estrelas no firmamento, após a fenomenal saturação gravitacional do início; deflagram os grãos sob a terra, produtos de plantas inteiras que se fizeram germes; irrompem igualmente os óvulos fecundados no seio uterino, como entidades espirituais adensadas pelas forças de concentração do ego.

Eis o imenso espetáculo da criação, em estupendos movimentos de contrações e expansões, que prorrompem inestancáveis nos proscênios do Infinito, tudo levando a existir, para sucumbir e tornar a se manifestar, até o esgotamento final do primeiro movimento, iniciado com a queda do espírito.

O insopitável ciclo da substância fecunda assim toda a realidade fenomênica, seja física, dinâmica ou psíquica do universo, impulsionando todos os seus seres ao inquieto bailado transformista.

Na frenética dança dos elementos infra-atômicos, ou na graciosa coreografia dos astros, no substancial recâmbio das energias cósmicas, na morte e renascimento dos seres, na sístole e na diástole cardíaca, na atividade e no repouso da dinâmica psíquica, na contração da noite e na expansão do dia, na exuberância da primavera e na retração do inverno, e até mesmo no fluxo e refluxo das marés está sempre presente o ciclo da substância, para tudo mover sob o império do inesgotável poder criador de Deus.

Propulsor primário, o Primeiro Motor dos Mundos, como nos dizia Aristóteles, a Potência divina inerente à Criação, assim a tudo agita em vórtices de maravilhosos câmbios e recâmbios que terminarão por reconduzir a substância a seu estado original de pura essência.

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