Unidade Substancial

apostila

— Chegamos então à clara conclusão de que espírito, energia e matéria são objetos fenomênicos constituídos pela mesma entidade formativa original, a substância, que Deus, por amor, emana de Sua mente. Não são, portanto, como não poderiam deixar de ser, compostos de diferente e exótica natureza. Permanecem, assim, alicerçados pelo mesmo alento que emana do Criador, o substrato do existir, a substância, de onde tudo se formou. Antes da queda, essa substância era manifestação abstrata e pura. Com a queda, ela se degenerou na matéria degradável e suas instáveis energias, atributos antes incompatíveis com a própria natureza.

Esse fabuloso conceito confere unidade a tudo o que existe, antes ou depois da queda. Logo, tudo, ainda que em nosso cosmo derrocado, continua, como não poderia deixar de ser, advindo de uma mesma fonte. Fato que nos leva a concluir que na realidade, com a queda, composto algum perdeu sua divina natureza.

A compreensão dessa unidade substancial faz-se essencial para compor nossa nova visão monista da criação. Como já nos referimos, essa é a importante concepção filosófica que na atualidade adotamos para o entendimento de Deus e do Universo, sintetizada como a doutrina da perfeita unidade.

Expliquemos melhor o alcance desse novo conceito. A impreterível unidade substancial determina que tudo se origine de Deus, tudo seja Deus, tudo venha de Deus e tudo volte a Deus, no Reino da essência ou no instável mundo das formas. Por isso, em Deus nos sustentamos, vivemos, movemo-nos e existimos, como gotas em um oceano, conforme nos atestou a elevada intuição do apóstolo Paulo.

Fundamento que destitui a antiga e equivocada concepção dualista que muitos trazem da carne, a qual preconizava que em nosso universo espírito e matéria existiriam como entidades distintas, apartadas por naturezas diversas e irreconciliáveis.

E agora compreendemos que a matéria nos parece ilusoriamente tão diversa do espírito justamente por haver a substância que a constitui sofrido a contração e a degeneração que lhe impôs a queda. Mediante então o corolário da falência de origem, recompomos a integridade substancial do Universo, devolvendo à matéria e à energia que integram nosso mundo sua perfeição de origem.

Deus então continua sendo a totalidade de Suas partes e ao mesmo tempo, mais do que isso. Evadimo-nos, assim, das contraditórias concepções monoteísta e panteísta do passado, que agora se unem para urdir o perfeito monismo.

Recordemo-nos, irmãos, de que a velha concepção monoteísta, moldada no desenho dualístico do universo, deu-nos a compreensão de um Deus que está além da criação, como se vivesse apartado dela. Já o panteísmo favoreceu-nos com o entendimento de que Deus é nada mais que a própria criação. Agora, no entanto, o monismo, fundamentado na queda, leva-nos a compreender que ambos os conceitos são verdadeiros, pois continuamos sendo uma obra de Deus e jamais deixamos, na realidade, Seu campo de manifestação, fora do qual nada pode existir. Vivemos então nada mais que uma desbaratada ilusão de separação do Todo, pois, a despeito de invertidos pela derrocada do espírito, continuamos mergulhados na realidade divina.

Repitamos, para que esse importante critério se nos fixe como patamar indispensável para seguir adiante no entendimento da realidade fenomênica. Se tudo é criação de Deus, somente a queda pode então nos explicar por que a matéria e a energia, entidades imperfeitas existentes apenas na transitoriedade do tempo e na contenção do espaço, puderam integrar a perfeita obra de Deus.

Tais degradações da substância, reiteramos, são nada mais que produtos do espírito que caiu, presentes exclusivamente em seu campo de manifestações. Não são, portanto, construções genuínas do Criador, e não se devem à Gênese primeira, saída incólume das mãos do divino Escultor. Essa é a extraordinária visão monista que devolve a Deus sua impreterível perfeição e indiscutível sabedoria.

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