O Ciclo da Substância

CAPA-CIENCIA-E-REDENCAO

O que faz, destarte, esses três compostos manifestarem-se nas maneiras tão distintas nas quais os percebemos, na atualidade? Suscitam-nos advir de substratos inconciliáveis em razão da expressiva dessemelhança em que se apresentam. Suas propriedades parecem-nos tão díspares que, de modo geral, o homem da carne não acredita, em sã consciência, que derivam de um elemento comum. No entanto, subordinados à insofismável lógica dessas digressões, que não são nossas, hoje podemos afirmar, com plena convicção da razão, que espírito é igual à energia, que é igual à matéria. Portanto, espírito e matéria são uma só e mesma coisa.

É preciso penetrar na intimidade fenomênica de nosso cosmo se queremos aceitar essa afirmação e identificar com clareza a inquestionável identidade comum que tudo consubstancia na unidade. Segundo a essência, o que diferencia o espírito da energia e da matéria é exatamente o grau de condensação da substância.

Exatamente isso, irmãos: o espírito tem a substância na menor condensação possível, a energia a tem em estado intermediário, e a matéria, no seu máximo grau de compactação permitido pela Lei. Esse fato fundamental é o único responsável pela aparência imponderável que caracteriza o espírito e a ilusória concretude que denotamos na matéria.

Compreendamos ainda mais. A substância que tudo forma, seja espírito, energia ou matéria, impregnada pelo verbo criador, deixa-se embalar por uma íntima e especial potência que denominamos movimento. Em obediência ao ciclo da Trindade Original, que já vimos, tal movimento nasceu do primeiro estímulo formativo que, partindo do Criador devia retornar a Ele, perfazendo o Respiro da Criação Maior, composto de uma fase de doação e outra de recepção. Exigência da impreterível Lei de Equilíbrio, a igualdade das duas fases desse movimento correspondia ao pacto de amizade entre Criador e Criatura, ao qual também já nos referimos.

Em decorrência de nossa opção pelo egoísmo, rompeu-se a igualdade desse duplo movimento receptivo e dativo, que então se converteu em um pulso de contração, decorrente do egocentrismo do ser, a embalar a substância no impacto da queda.

Partindo do espírito, o movimento de condensação produziu energia, e condensando-se ainda mais em torno de si mesmo, terminou por originar a matéria. O movimento é então o denominador comum entre esses três elementos. Movimento que é estático no espírito, aberto na energia e fechado em si mesmo na matéria. E diremos mais, o movimento está em potencial no espírito, o primeiro motor imóvel; é intermediário na energia; e máximo na matéria. Então, podemos considerar que o espírito é o “estado vaporoso” da substância, a energia é sua “forma líquida”, e a matéria, sua apresentação final, “sólida”.

Avancemos um pouco mais na compreensão da dinâmica da substância invertida. Seu primeiro impulso, o de contração ou compactação, inicia-se no espírito, passa pela energia e termina na matéria. Essa é a primeira fase da dinâmica da substância. Essa transformação da natureza do movimento deu-se pela queda do espírito, que, como um embalo de fuga, fez a substância apartar-se do campo abstrato e puro, para terminar na realidade concreta da matéria. Entretanto, como sabemos, a criação não permite movimentos em um único sentido.

Esgotada a primeira ação, segue-se a segunda, de reação. E assim, à contração da substância teve suceder-se, por força de Lei, nova expansão, equilibrando-se dois pulsos opostos na unidade fenomênica. Nessa segunda fase, a matéria restitui a energia, e esta, refaz o espírito. Compõem-se, desse modo, copiando-se a Gênese primária, duas fases da substância, a se fecharem em um ciclo completo. Este é o ciclo da trindade invertida, ou criação secundária, aquela que observamos ao nosso derredor e segue seu ritmo fenomênico até que se esgote seu inercial impulso.

Portanto, a substância, invertida pela queda, tal qual no Universo Absoluto, sai de Deus, deixando seu estado de imponderabilidade, para manifestar-se na realidade densa, como matéria. E depois deve realizar o movimento inverso, ou seja, retornar a Deus, restituindo-se como essência pura. Temos assim o Respiro da criação menor, feito de uma etapa de expiração da substância e outra de inspiração da substância. Deus permitiu que a substância saísse de Si, pela queda do espírito, que é involução, mas recolhe-a em Si, por meio de um movimento de aspiração, que é a evolução, movimento essencialmente reconstrutivo.

Através dessa recomposição, o ciclo novamente se fechará. O princípio une-se ao fim, o alfa, ao ômega. O ciclo, depois de abrir-se, fecha-se. A substância reintegra-se a seu estado de pureza original. O equilíbrio exigido pela Lei estará refeito, e o universo físico, produto da revolta do espírito, terminará inteiramente restituído a seu estado de pureza original. E uma vez que retorne completa ao comando do Absoluto, a substância seguirá reverberando em sua intimidade seu respiro perfeito, a expressar na máxima plenitude todos os atributos de que o Criador a dotou.

Em resumo esse é o ciclo da substância em seus dois momentos, o maior o e o menor. O menor, que caracteriza nossa realidade, faz-se assim de um duplo movimento feito de condensação e expansão. Se o primeiro movimento é a retirada do espírito do seio divino, o segundo o faz para lá retornar. Se o inicial promoveu a degradação da substância, o subsequente promove sua reconstituição ao estado original. Se o embalo inaugural representa a involução da substância, o segundo patenteia a evolução da substância.

Temos, portanto, fuga e regresso, decomposição e recomposição, destruição e reconstrução, condensação e expansão, queda e ascensão, involução e evolução, morte e ressurreição, enfim, ação e reação, a integrar dois movimentos de mesma natureza e sentidos inversos que se abraçam, equilibram-se e se anulam do seio do Todo. Eis revelada, irmãos, a fórmula filosófica suprema que solucionará todos os mistérios do nosso universo, dos mínimos aos máximos.

 

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