Espírito, Energia e Matéria

apostila

Elucidemos, todavia, que a inversão da trindade original nada criou de novo, restringindo-se a manifestar os mesmos atributos da primeira Criação, porém nos antípodas de suas originais apresentações.

Assim, a eternidade fracionou-se nos três momentos do tempo: passado, presente e futuro. A infinitude dividiu-se nas três dimensões do espaço: reta, superfície e volume. E o universo desmoronado foi preenchido pelos três estados degenerados da substância, como três produtos invertidos da Criação original: consciência, energia e matéria.

Penetremos então na trindade invertida, ainda que sucintamente, como nos permite a insuficiência da razão, a fim de aproximar-nos de sua divina natureza, compreendendo que ela se inscreve em atributos nada mais que degenerados da Primeira Trindade.

Observemos a composição do universo ao nosso derredor. A despeito de ser produto de uma derrocada, ele persistiu sob o império da Inteligência divina, refletindo em suas expressões, ainda que palidamente, sua grandeza original. Essa construção permaneceu fabulosa e rica, continuando a produzir maravilhas, ainda que em meio aos torvelinhos caóticos da energia e à tormentosa desordem da matéria. Ela segue rica de estupendas edificações, que agora se expressam como conformações físicas, desenhadas no espaço e no tempo, compondo galáxias, estrelas e mundos, profícuos de diversidades fenomênicas. Identificamos, portanto, facilmente em nosso universo seu primeiro elemento estrutural: a matéria. Esta representa o aspecto filho da nova criação.

Entretanto, além desse composto estrutural, encontramos em nosso universo o elemento energia. Nossa realidade está dinamizada por potências as mais diversas, que agitam a matéria e a fazem funcionar em todas suas manifestações. Assim, os astros bailam no palco sideral, movidos por pulsos cinéticos, as estrelas irradiam calor e outros matizes eletromagnéticos, a força gravitacional a tudo comprime e uma energia expansiva a tudo infla nos proscênios do espaço-tempo. Ritmado por contrações e expansões dinâmicas, nosso cosmo palpita de potências multifárias. Logo, encontramos no elemento energia, o segundo termo do nosso universo, o elemento pai, da trindade menor. E entendamos melhor, essas energias, em obediência ao dualismo fenomênico próprio da substância, agora se distribuem em nosso universo nas manifestações grosseiras, as potências físicas, que geram matéria densa; e nas manifestações sutis, as potências extrafísicas, as quais produzem a matéria fluídica, constitutiva dos planos espirituais, da qual, como seres desencarnados, no momento nos servimos.

Nossa casa cósmica, entrementes, é também um conjunto de leis a dirimir suas atividades, coordenando todos os seus fenômenos em perfeita unidade de funcionamento. Leis sábias que a própria ciência humana já entendeu expressarem-se na linguagem matemática de fórmulas perfeitas, cuja sabedoria a vã inteligência do homem, que se gaba de descobri-las, não sabe explicar de onde provêm. Naturalmente que compreendemos advir da Consciência divina que a tudo orienta com indiscutível proficiência. Essas leis fenomênicas distribuem-se em fundamentos menores, coordenando toda a complexa fenomenologia da criação. São fundamentos que, da mesma forma que o elemento matéria e o elemento energia, separam-se em princípios físicos, atuantes na realidade exterior, e princípios morais, em ação no campo consciencial do ser. Sem esse conjunto de leis, coordenadas por Inteligência superior, o universo seria unicamente caos, e a ordem não se imporia sobre a desordem. Então nosso cosmo é compreensível exatamente por ser produto de princípios igualmente racionais. Portanto, identificamos na ordenação dos mundos e seus fenômenos o elemento Lei, pura expressão de um campo espiritual que inunda de sabedoria todas as multivárias manifestações de nosso universo. Compondo uma inquestionável consciência fenomenológica que a tudo dirige, esse é, em nossa realidade, o aspecto espírito da trindade menor invertida que agora nos serve, e que conservou em si a inteligência que o originou.

E assim atingimos a conclusão de que nosso universo é trifásico, estruturado em uma combinação de matéria, energia e espírito, a compor seus elementos gerais. Esses três elementos alicerçam tudo que existe, tornando todo fenômeno uma conjunção impreterível de estrutura, dinamismo e princípios de funcionamento, sem a qual nada existe. Três compostos distintos, porém inseparáveis, a integrar a trindade universal fenomênica da criação invertida.

Em nossa realidade, irmãos, tudo o que conhecemos está feito dessa junção ternária de aspectos, intimamente coesos. Separamos seus elementos a fim de compreendê-los, todavia não os encontraremos jamais de forma isolada, mas sempre em misturas diferenciadas de valores. Desse modo, tudo ao nosso derredor está formado de distintas porções de matéria, energia e espírito.

Então, a matéria contém a energia, e mesmo o espírito, ainda que em expressão mínima. A energia carreia a matéria como potencialidade, sendo orientada em sua trajetória pelos fundamentos da lei, o espírito. E o espírito exala de si o dinamismo criador da energia e, como potencial de realização, a matéria, da qual se serve para a própria expressão no mundo das formas. Assim, no espírito, a densidade abstrata é máxima e a concreta mínima. Na energia temos uma situação intermediária em que a porção concreta da substância encontra-se em permanente vir a ser. E na matéria a parte sólida faz-se plena.

Portanto, em última análise, uma diversa densidade da substância que compõe esses elementos básicos é o único fator diferencial de suas multifárias e particulares manifestações, no palco fenomênico de nosso universo.

Chegamos assim, facilmente, pelas vias do pensamento, à clara constatação da trindade de que se compõe nosso universo: espírito, energia e matéria. Chamamos essa trindade fundamental de unidade cósmica, por ser o desenho segundo o qual tudo se expressa na realidade do Todo. Vemo-la expressa em todos os eventos da realidade universal e nada lhe escapa ao determinismo de lei. Podemos observá-la em ação nos três estados da própria matéria: sólido, líquido e gasoso. Identificamo-la ainda nos três corpúsculos fundamentais da matéria: elétron, nêutron e próton. Nas três instâncias do tempo: passado, presente e futuro. Nas três dimensões do espaço: reta, superfície e volume. Ou ainda nos três andares da mente: subconsciência, consciência e superconsciência. Além de muitas outras expressões fenomênicas tipicamente trinas que nos escapam ao entendimento atual.

Nós, como filhos da unidade cósmica, copiamos sua conformação e, por isso, somos igualmente ternários. Estamos feitos de uma essência espiritual, que em nós se manifesta como consciência; de energias que nos fazem funcionar; e de uma matéria através da qual nos manifestamos. Prova disso é que a adiantada compreensão espírita no mundo determinou que somos formados por um corpo físico, a carne, um perispírito, o corpo dinâmico, e o espírito, a instância do eu. Somos então, assim como o universo, seres ternários, feitos três em um.

Certamente que o homem encarnado pergunta-se se vivemos nestas paragens do além-túmulo uma especial situação, uma vez que nos achamos desvestidos de matéria densa. Escaparíamos da unidade cósmica fundamental, deixando de manifestarmo-nos como fenômenos ternários? Evidentemente que não. Já compreendemos perfeitamente que nada escapa à constituição ternária da Criação, por inderrogável fundamento da Lei. Ao morrer, desfazemo-nos apenas da camada mais bruta do campo físico que nos veste o ser.

Continuamos, não obstante, envergando outras expressões corpóreas também materiais, embora sutis do ponto de vista da carne. Assim seguimos como seres trifásicos, feitos da mesma unidade cósmica básica, espírito, energia e matéria. E nossa esfera espiritual permanece como um mundo ternário, pois ele é igualmente constituído de leis e potências psíquicas; irradiações energéticas idênticas às do plano físico, ainda que expressas em diferentes vibrações; e precipitados dinâmicos em forma de corpúsculos materiais, exteriorizados em formas, alicerçados nas mesmas bases atômicas que a tudo compõe no cosmo derrocado.

Desse modo, embora libertos do escafandro carnal, continuamos moldados pela mesma matéria que antes nos vestia, e a única diferença entre nosso mundo e a esfera densa consiste na diferenciação vibratória dos mesmos elementos constituintes da unidade cósmica. Logo, como também já afirmamos e todos aqui já se deram conta do fato, o elemento matéria divide-se, no universo em que vivemos, em duas manifestações distintas: a física e a extrafísica. Fenômeno que obedece à divisão que passou a existir no próprio campo divino que permaneceu naturalmente sustentando o universo desmoronado. Refletindo, portanto, a divisão da Criação em Absoluto e Relativo, o proscênio relativista separou-se também nas duas dimensões que o compõem. Geraram-se desse modo os mundos materiais e os espirituais, a servir-nos na entrecortada caminhada evolutiva, que assim se realiza impreterivelmente entre dois planos, na alternância de renascimentos e mortes.

Logo, permanecemos, por inalienável herança divina, sempre como seres ternários, na carne ou fora dela, neste universo ou no Reino puro, pois fomos criados como seres de aspecto trino, como trino é nosso Pai.

Entrementes, como já afirmamos, as expressões trifásicas do universo divino agora nos são inacessíveis à parca compreensão. Sabemos apenas que o Filho, no estado fundamental de pureza, tem sua consciência plenificada, jungida à Consciência divina; não se veste de energias tais quais as conhecemos; e a matéria é-lhe mero potencial de realização, que jamais se efetiva. Sim, irmãos, reforcemos esse conceito para que se fixe em nosso entendimento: somente a revolta do espírito pôde arremeter-nos ao estado de inconsciência segundo a qual iniciamos nossa trajetória evolutiva e produzir a matéria, tal qual a conhecemos. Não temos outra forma de compreender a presença desses inadequados elementos em uma Criação que é essencialmente produto do puro pensamento de Deus.

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