A Queda  (2ªparte)

apostila

Desde que não mais nos vemos como genuínos deuses, como deveria ser uma legítima progênie divina, somos obrigados a considerar a existência de um processo contrativo em nossa geração original.

Somos obrigados a admitir que uma grave rebeldia inscreve-se na formação de nosso cosmo, como única explicação para nossa patente condição de seres contraídos, e o tipo de vida que empreendemos, sustentada impreterivelmente pela luta e não pelo amor, moldada pela imperfeição e não pela ordem.

Digo-lhes, irmãos, que, envoltos na ignorância que agora nos caracteriza, não podemos até então conhecer todos os detalhes de nossa primeira revolta contra a ordem divina, onde tivemos a pretensão de impor-nos um impróprio crescimento, com o fim de tornar-nos maiores que nossos irmãos e até mesmo nosso Pai. Foi uma ambição desmedida e grave que pressupunha ferir as fronteiras que a Lei nos pedia. E assim fixamo-nos no intenso egoísmo que nos caracteriza. E Deus o permitiu porque fomos criados sob o signo da liberdade.

O resultado desse movimento foi nossa imediata contração dimensional, a qual resultou na produção de matéria e na formação do universo físico e relativizado em que vivemos. Com o nascimento da matéria, formou-se o espaço. Com o movimento, nasceu a energia. Seu progredir deu origem à linha do tempo. E a intensa concentração, a que submetemos a substância divina que nos molda o ser, fê-la degenerar-se em condensados físicos.

Desse modo, o espírito, filho do Divino, gerado como um deus, terminou encerrado no átomo. Eis a gênese do mundo relativo em que vivemos. Ele é produto de uma estupenda contração dimensional que a seguir expandiu, produzindo o exótico reino das formas.

Ainda que a perfeita lembrança da queda encontre-se fora do alcance de nossa memória superficial, seu indelével registro mantém-se ativo nas camadas profundas da consciência. À medida que a evolução permitir-nos penetrar em nós mesmos, esse fantástico manancial do passado virá à tona. E então, ao romper a cortina do ego que nos aparta da realidade divina, ser-nos-á possível a perfeita compreensão dessa importante história de nossa origem.

A escola do Evangelho auxilia-nos como nenhuma outra a suplantar as falhas da inteligência, propiciando-nos penetrar na real compreensão desse fato capital, seguramente o maior acontecimento de nossa história. E conhecer nossa falência faz-se indispensável para que alcancemos sem demora nossa redenção final.

O divino Rabi compôs-nos diversas parábolas para nos atestar que somos as ovelhas perdidas da Casa de Israel, ou seja, a Casa de Deus. Com ímpar clareza, Ele distinguiu-nos como os filhos pródigos, carentes de reconhecer urgentemente nossa lastimável condição de réprobos por vontade própria, a fim de apressar os passos de volta ao Lar perdido. Sem deixar dúvidas, caracterizou-nos como os mortos, os túmulos caiados, a raça de víboras e os pecadores que romperam a aliança com o Divino. E apresentou-se, convicto, como aquele que veio nos resgatar da improbidade em que vivemos.

Se não somos capazes de entender, não podemos negar que, embora herdeiros da Eternidade, estamos detidos nos redemoinhos atômicos, presos agora nos círculos reencarnatórios. Conhecemos a morte, a dor, o mal, o desterro e vivemos a ilusória sensação de separação do Todo. Habitamos corpos putrescíveis e vivemos nas areias movediças do tempo, sob a estonteante instabilidade da matéria. São fatos que unicamente um processo contrativo de queda poderia justificar, ante a inexorável perfeição que um Criador também perfeito deveria conferir à Sua obra.

Desse modo, a falência do espírito faz-se também a única forma de solucionarmos a embaraçosa questão da perfeição divina e a dualidade existente na criação. Foi o movimento de revolta inicial que impôs à pura substância originária de Deus a condição impura de energia e matéria, sujeita agora ao transformismo evolutivo. E assim a queda torna-se o indispensável elemento de ligação entre o “Céu” e a “Terra”, ou seja, a única forma de conferirmos a perfeita divinização ao exótico universo em que vivemos.

Compreendemos então que, por livre opção, e não por estigma de origem, fizemo-nos seres prioritariamente rebeldes e passamos a viver em função do próprio egoísmo, tornando-nos completamente desinteressados pelo bem alheio e pelo amor a Deus. Dominados por essa poderosa contração egoica, terminamos por construir como inadequado envoltório o túmulo de matéria, onde nos prendemos. Nele dormimos por longas eras, expressando-nos como improlíferos redemoinhos atômicos.

Entendemos que o espírito fez uma escolha antes de cair na inconsciência da matéria, explicando-se assim sua inadequada tendência à luta ao surgir na carne. Seus hábitos são consequências da própria opção, pois Deus não poderia havê-lo criado com tais inaturais apetências.

Se a queda então nos apartou do Senhor, estejamos certos de que o Senhor jamais nos abandonou. Em absoluto. Por amor, Ele caiu junto com a criatura rebelde para fazê-la novamente crescer e tornar a Seu amoroso seio. Deus transcendente “permaneceu” nas alturas incomensuráveis do Infinito, mas Deus imanente encontra-se presente em nosso íntimo, como força regeneradora que nos leva de volta para Casa.

Assim, o Cristo reclama almas esclarecidas para colaborar na imensa obra de redenção do mundo, desejoso que se acha de conferir-nos a todos os valores da Vida eterna.

 

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