Curso Ciência da Redenção Resumo 003

apostila

A Queda (1ª parte)

Somente com a queda entenderemos por que a dor e o mal integram a dimensão em que evoluímos, e elucidaremos a razão da existência dos mundos primitivos, onde grassa a barbárie e a selvageria de todos contra todos, e dos mundos expiatórios, nos quais o sofrimento demarca a vida das almas que neles progridem.

É a presença desse universo às avessas em que nos achamos, cujos atributos são impróprios à perfeição divina, que justificam a queda espiritual. Porém, Deus não nos abandonou completamente nessas plagas escuras. Ele comparece como a luz, que sempre alumia as sombras; a vida, que insistentemente se reacende após extinguir-se; a ordem, que paulatinamente impõe organização ao caos; a beleza, que não se cansa de exornar a hediondez das formas; a paz, que termina por acalmar a guerra; a esperança que aplaca todo pessimismo, a felicidade, que inevitavelmente superará a dor e o bem que impreterivelmente vencerá o mal.

Vivemos, portanto, em uma realidade mista, feita de uma contraparte divina, em meio à outra que somente pode ser produto da revolta e do desamor, onde a luz luta contra as sombras, o bem sofre a anteposição do mal e os seres se enfrentam em embates de vida e morte.

Logo, a exótica realidade que nos alberga, composta tanto pelos mundos físicos quanto as esferas imediatas à morte, apenas pode ser compreendida como produto de uma derrocada do espírito, produzida por deuses-filhos que se entregaram a uma revolta, fizeram-se maus, e consequentemente, tornaram-se infelizes e vestidos de sombras.

Considerarmo-nos seres inocentes, partícipes de uma escola de adestramento espiritual, em paulatino desenvolvimento evolutivo, imposta a todos por Deus, ser-nos-ia uma posição muito mais cômoda. Imputaríamos, nesse caso, a existência da imprópria dimensão em que vivemos à determinação divina, acreditando que o Criador não encontrara outro meio de nos fazer crescer rumo à luz e à bondade senão impor-nos o mal, a barbárie, a dor e a morte.

Por outro lado, torna-se-nos igualmente muito conveniente ver-nos como meros herdeiros de hipotéticos ancestrais que teriam rompido a amizade com Deus. Dessa forma estaríamos justificados e os erros que identificamos na criação seriam da responsabilidade de nossos pais e não nossa.

Essas duas interpretações, a evolucionista e a criacionista judaico-cristã, respectivamente, nada mais são que subterfúgios que nossa razão cria para libertar-nos das fundamentais culpas que nos assolam permanentemente a alma, produzindo-nos indeléveis desconfortos.

Precisamos enfrentar a realidade da queda, irmãos, se queremos libertar-nos de suas nefastas consequências. Não nos deixemos ludibriar pelo orgulho que ainda nos move. Entendamos que o plano em que vivemos não é um educandário de anjos. É, sim, um reformatório de seres inferiorizados pela própria maldade, livremente escolhida. Logo, o mais sincero que podemos no momento ajuizar é creditar este universo que nos arrebata em tormentoso torvelinho evolutivo, como um produto de inadequadas necessidades que criamos para nós mesmos.

É uma interpretação desconfortável para nós, porém a mais justa perante a perfeição e a sabedoria de Deus.

Essa é única maneira de aceitarmos a existência de um universo situado nos antípodas do Reino divino. Eis por que Deus está aparentemente ausente de nosso mundo, irmãos. Ele não faz parte deste cosmo em que nos atiramos, embora por amor continue a sustentá-lo, evocando-nos permanentemente a libertar-nos de seus enganos.

Foi somente após a queda que passamos a conhecer a dor, a morte e o mal, e iniciamos a vida em uma dimensão às avessas da original, onde todos lutam contra todos e a vida de cada qual se sustenta na destruição do outro. Não imputemos este nosso universo, maculado pela dor e pelas sombras, à inteligência de Deus.

Aqui nos achamos encarcerados em invólucros físicos, para os quais não fomos criados, uma vez que Deus nos gerou como fagulhas de puro pensamento. E agora devemos agastar nossos inadequados envoltórios no buril da dor evolutiva, a fim de retornar ao estado de puro espírito. Eis por que vestimo-nos com corpos putrescíveis e instáveis, completamente impróprios à essência divina do ser.

Somos, então, verdadeiramente os viandantes do tempo, os filhos da revolta, que agora devem percorrer com dor e cansaço a longa e laboriosa senda que nos leva de volta ao Lar divino, que nos afastamos por vontade própria.

Uma imane revolta então se esconde nas origens de nosso universo, explicando-nos por que nos caracterizamos como seres famintos do amor divino. Deus não poderia haver-nos abandonado nas enxovias do tempo e do espaço apenas para evoluir. Devemos buscar outra explicação para o fato.

Pesa-nos considerar que Deus crie seres no Relativo, fora de Seu seio, com o signo da simplicidade e da ignorância, arremetidos às fornalhas físicas para crescer e evoluir. Uma criação recém-saída de Deus deveria ser pertinente ao Absoluto e não ao Relativo.

Deveria ser constituída de pura essência espiritual, jamais sujeita à precariedade da matéria e à transitoriedade do tempo.

Deveria ser perfeita e impoluta, uma vez que do Criador somente pode emanar a perfeição e a pureza.

Não poderia oferecer por berço de seus rebentos os tremendos abismos da matéria bruta, de onde seguramente iniciamos nossa marcha ascensional. E por direito de herança, a criação necessariamente teria de imbuir-se, desde o nascimento, da grandeza e do poder que conceitualmente conferimos a nosso Pai.

 

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