CURSO “CIÊNCIA DA REDENÇÃO” RESUMO 002

apostila

O Céu e a Terra

Consolemo-nos então, irmãos. O Céu apregoado pela cristandade em todos os tempos existe de fato. Somente não está ao nosso fácil alcance pela simples transição da morte, como acreditaram os crentes tradicionais. Sequer esconde-se em um infinito inatingível, como julgaram os espiritistas. Ambos se acham estacionados em limitadas compreensões. Deus e Seu Reino encontram-se fora do tempo e do espaço, por isso  não os alcançaremos pelas vias da razão

Do ponto de vista filosófico, podemos questionar: como conciliar esses dois universos, o Absoluto, perfeito, e o Relativo, perfectível, segundo a impreterível unidade e inexorável identidade que necessariamente deveria imperar na Criação divina? Ou seja, como conformar esse antagonismo, facilmente identificável ao nosso derredor, com o que se espera de uma perfeita obra de Deus?

Essas perquirições tornam-se importantes e mesmo angustiantes para os viajores do tempo que acabam de transpor o portal da morte. Precisamos de respostas condizentes, pois elas obstaculizam nossa viagem rumo à almejada felicidade.

Devemos enfrentar essas questões, da maneira como nos é possível, irmãos, a fim de aproximar-nos um pouco mais da compreensão de Deus e da Criação, acalmando-nos até onde possível as aflitivas incertezas que nos assediam o equilíbrio.

Se compreendemos que a existência se compõe de duas realidades, é preciso aceitar que Deus criou dois ambientes distintos na Criação: o Absoluto e o Relativo, correspondentes ao Céu e à Terra respectivamente, como foi aferido pelo Gênesis mosaico e corroborado pelo Cristo.

O primeiro é o Reino da perfeição, o mundo da essência; o segundo, o mundo perfectível, a dimensão das formas em que nos encontramos. Contudo, entendamos bem, a obra divina efetivamente oriunda do nada foi possível apenas no Absoluto, pois no Relativo nada se cria, como nada se perde – aqui tudo apenas se transforma, segundo nos asseverou a antiga sabedoria de Lavoisier.

Como filhos do Divino, guardamos o atributo da imortalidade por termos sido gerados no Absoluto e não no universo espaço-temporal, onde nos achamos nada mais que em trânsito de retorno ao Pai.

A criação no Relativo está fechada no tempo, encerrada no espaço e limitada à transitoriedade das formas. Logo, tanto na ribalta terrena quanto aqui, tudo o que nasce deve morrer, e nada que nos envolve é absolutamente perene. Eterno, por conseguinte, somente o é o espírito, que não pertence à realidade em que nos achamos, uma vez que nela não foi criado. A gênese deste universo em que vivemos ocorreu um dia, como o afirmam as modernas concepções cosmológicas do mundo. E como tal deverá encontrar seu fim. Se fôssemos produtos deste cosmo evolutivo, pereceríamos com ele.

Logo, irmãos, não nos achamos na legítima Eternidade. Então precisamos compreender por que estamos fora do Absoluto, uma vez que somos genuínos filhos do Absoluto.

A gênese celestial escapa à nossa parca compreensão. Ocorreu fora do tempo, portanto não teve início, como não terá fim. Esse Reino realmente divino, diferente de tudo o que conhecemos, existe em um presente eterno, onde Deus tem sua morada.

Nosso acanhado mundo, o Relativo, é então uma criação secundária, inserida nessa realidade maior, de onde adveio e para onde se encontra a caminho.

Almas Exiladas

A verdade, portanto, que agora se desfralda límpida e clara aos nossos atônitos olhos é que nos achamos, todos, distantes do Pai e padecemos a intensa frustração de não conseguir identificá-Lo ao nosso derredor. E não O encontramos porque Ele não é pertinente à realidade espaço-temporal em que existimos. A essência que nos entretece a alma, dando-se conta desse fato, sofre por não aceitar tal realismo.

Quiséramos, como filhos do Altíssimo, estar permanentemente em Sua presença. É chegada a hora de compreendermos que efetivamente somos genuínos filhos do Todo-Poderoso, verdadeiramente gerados em Seu seio imaculado como essências puras. E se aqui estamos é porque nos evadimos de nosso verdadeiro Lar, do qual nos achamos agora distantes.

Essa é a patente realidade que, embora nos perturbe sobremodo, devemos analisar neste momento.

Destarte, faz-se premente elucidar que não nos parece termos sido de lá afastados por Deus para evoluir ou por alguma outra razão pertinente aos desígnios paternos. O Amor divino não possibilitaria tal fato e não nos permitiria a evasão de nossa natural Morada sem uma razão que o justificasse. Não, absolutamente não. Retiramo-nos do Reino celeste por vontade própria. É a única opção que nos resta perante a impreterível bondade de nosso Pai.

E como vivemos sob permanente assédio da dor, subordinados ao mal, às trevas, ao atrito evolutivo e à inferioridade, que tanto nos custa superar, concluímos que nossa fuga do Plano divino não se deu sob a égide da concórdia. Alguma revolta, sob o pretexto de uma desobediência ou uma inadequada pretensão, seguramente está na raiz de nossa retirada do Absoluto.

Essa é a notícia capital que agora nos cabe arrostar com galhardia: somos almas exiladas por livre desejo da Casa Celestial, extraviadas da verdadeira vida para a qual fomos criados. Faz-se necessário ressaltar esse pressuposto como única possibilidade para se explicar a aparente ausência de Deus em nossas vidas, na carne ou mesmo fora dela. E justiçar ainda a existência de um universo imperfeito onde vivemos, e as infindáveis desditas que enfrentamos no decurso da evolução, a fim de crescer e reencontrar o Criador.

Embora tal notícia incomode profundamente a muitos, não nos resta outra opção, pois não podemos imputar o mal, a dor, a destruição e a morte à complacência e à sabedoria de nosso amado Pai.

Como sói acontecer, a maioria dos que aqui se reúnem opõe-se inicialmente com ímpeto a tal proposição. É compreensível e não os julgamos por isso. É natural. E nada exigimos de ninguém. Somente lhes pedimos que meditem nessa relevante aclaração e analisem-na com todo o cuidado necessário que as grandes ideias exigem. E posso adiantar-lhes, essa é a

proposta capital de nossa casa de trabalhos e estudos cristãos, pois é exatamente aquela que melhor se amolda ao Evangelho de Jesus.

Aqueles que adotaram o evolucionismo como única face da verdade afirmam que, uma vez criados no Absoluto, Deus remeteu-nos às plagas relativistas da energia e da matéria para crescer e evoluir, impulsionados pela correnteza do tempo. Assim, não teríamos sido criados em estado de graça plena, no Seio divino, porém como almas simples e ignorantes, obrigadas a participar, através da evolução, da edificação de si próprias, rumo à perfeição.

Já os demais que fundamentaram suas compreensões na antiga tradição judaico-cristã, posição então denominada criacionista, julgam que nossos preliminares pais, Adão e Eva, é que entraram em contenda com Deus e retiraram-se de Sua presença. O mundo físico teria deixado de ser um paraíso em decorrência do chamado pecado original, praticado por esse pretenso casal, do qual não teríamos participado. Toda a raça humana seria, portanto, nada mais que herdeira de seus enganos e consequentes dores.

Irmãos, para alegria de nossos corações e alívio de nossos amadurecidos intelectos, hoje queremos formalizar a perfeita junção dessas duas grandes ideias, a evolucionista e a criacionista, conferindo-lhes viabilidade no concerto das verdades eternas. Basta compreendermos que ambas são informações incompletas que necessitam se fundir para a correta composição da realidade.

Aos evolucionistas dizemos que nos tornamos efetivamente simplórios e ignaros ao cair na matéria, que tal se não deu, porém, por vontade de Deus, mas pela nossa voluntária retirada do Reino celeste. Depois de contraídos nos redemoinhos atômicos que geramos para nós mesmos, iniciamos a longa jornada libertadora pelos resvaladouros do tempo, a qual denominamos evolução. Jornada que então compreendemos ser uma caminhada de recomposição e não da primeira construção de nós mesmos. Logo, estamos em uma trajetória de volta, e não ida, à Casa do Pai, pois de lá inevitavelmente viemos.

Aos evolucionistas dizemos que nos tornamos efetivamente simplórios e ignaros ao cair na matéria, que tal se não deu, porém, por vontade de Deus, mas pela nossa voluntária retirada do Reino celeste. Depois de contraídos nos redemoinhos atômicos que geramos para nós mesmos, iniciamos a longa jornada libertadora pelos resvaladouros do tempo, a qual denominamos evolução. Jornada que então compreendemos ser uma caminhada de recomposição e não da primeira construção de nós mesmos. Logo, estamos em uma trajetória de volta, e não ida, à Casa do Pai, pois de lá inevitavelmente viemos.

Terminamos, assim, irmãos, por concluir que esse mundo que habitamos, na carne ou fora dela, é criação nossa e não de Deus. Ele é produto de uma derrocada e nasceu de uma grave desordem. Exatamente por isso está edificado segundo propriedades que não correspondem aos atributos divinos. Ainda assim, como não tardaremos a compreender, Deus nele se encontra para reconduzi-lo à perfeição original.

Nesse novo enfoque, unem-se as doutrinas criacionistas e evolucionistas da atualidade, entre as quais vocês se dividiam até então. Ambos estão corretos, apenas acham-se incompletos, estacionados na unilateralidade conceitual, caracterizando, portanto, legítimas tese e antítese que aguardavam essa síntese maior para se fundirem à verdade unitária e absoluta.

Vemos assim que a tradição cristã cuidou de nos indicar o início e o fim da jornada do espírito. E a cultura reencarnacionista da Terra tratou de revelar-nos o mecanismo evolutivo através do qual voltamos à Casa do Pai.

Resumindo, consideramos agora que, como quer o cristianismo, deixamos o Reino celestial pela queda adâmica e retornaremos através da Ressurreição crística. Mas chegaremos ao estágio final de espírito puro no transcurso dos evos, por meio da evolução, conforme nos mostra a doutrina espírita.

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