A Individuação na Queda

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Na passagem, por involução, do Sistema ao Anti-Sistema e, por evolução do Anti-Sistema ao Sistema, quais, mais exatamente, as transformações que ocorrem com respeito a cada individuação do ser e às relações existentes entre elas?

Qual foi a posição e o valor de cada individuação dentro desse estado orgânico e sua relação com ele?

Diante de tudo isso, que é a personalidade humana e quais serão seus futuros destinos?

O primeiro dos dez mandamentos que Moisés recebeu de Deus no Monte Sinai, o mandamento fundamental que estabelece a posição de Deus, diz: “EU SOU o Senhor teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim”.

A primeira palavra é “EU”. A primeira coisa a afirmar-se é o egocentrismo.

A segunda palavra é “SOU”. Logo após afirmar-se a vida, porque “ser” é a qualidade de Deus e de tudo o que Dele derivou.

A existência, pois, antes de tudo de Deus, e depois de todos os seres, fica estabelecida, pelo primeiro modelo do “EU SOU”.

A primeira criação dos puros espíritos gerou, então, as criaturas estritamente individualizadas por suas características pessoais, como Deus. Só assim torna-se possível admitir terem tantas qualidades que temos de reconhecer como necessidade lógica, a obrigação de admitir também a da individuação.

Essas qualidades eram: liberdade, conhecimento, posição hierárquica bem definida, função individual no estado orgânico do Sistema etc.

Desse modo, todos os elementos, tanto no Sistema quanto depois, já decaídos no Anti-Sistema, permaneceram sempre individuados.

Que diferença se verificou, então, entre seu estado de origem e o estado após a queda?

Esta não representou uma destruição de cada uma das individuações, mas a destruição de seu estado orgânico de Sistema em seu estado desorganizado de Anti-Sistema. Portanto, as individuações permaneceram, mas mudaram as relações entre elas; estas, ao invés de colaborar com funções coordenadas no mesmo organismo, isolaram os seus egocentrismos, antes fundidos numa só ordem, em tantos egoísmos separados e rivais, buscando destruir-se mutuamente ao invés de ajudar-se, e desfazendo assim em caos toda a organicidade do Sistema.

A queda produziu essa posição das individuações em estado de antagonismos contrastantes, que é o estado de animalidade e da humanidade atual, explicando-nos, dessa forma, porque em nosso mundo ainda esteja em vigor a lei da luta pela vida e da seleção do mais forte. A biologia comprova a presença dessa lei, mas só a teoria da queda nos explica a sua causa primeira e as razões profundas.

O resultado da revolta foi desagregar e pulverizar a compacta estrutura orgânica do Sistema, ao menos na parte que dele se quis destacar, permanecendo íntegro o resto, não rebelde. Então, o novo estado caótico destacou-se do estado orgânico; o estado de separatismo afastou-se do estado de fusão.

A partir desse momento, a atividade de cada elemento não se somou à de outro, tendendo ao mesmo fim, mas procurou anular a atividade do outro, subtraindo ao invés de somar.

Podemos compreender, dessa forma, porque o conceito da individuação assumiu, no Anti-Sistema, um valor completamente diferente. Ao invés de dizer: todos unidos, cada um por todos; foi dito: todos divididos, cada um por si. Eis o nosso mundo. Então, Sistema e Anti-Sistema, colocados diante do problema da individuação, significam: o primeiro, a fusão dos egocentrismos numa mesma unidade orgânica e o segundo, o fragmentar-se através da queda, dessa união, até um estado de inimizade dos egocentrismos, na mesma desordem caótica.

Conclui-se daí que, em sua essência, o verdadeiro significado da queda consistiu no desmoronamento das qualidades orgânicas e unitárias do Sistema.

O nosso eu, em sua forma atual, como egoísta e dividido do próximo, é apenas um fragmento isolado daquela unidade orgânica, pulverizada com a queda.

Como altruísta e colaborador de seu próximo, faz parte das primeiras reunificações coletivas que, por meio da evolução, conduzem à reconstrução do Sistema.

Por isso, se a involução foi um processo de destruição da organicidade, a evolução apresenta-se-nos em novo e mais profundo significado, que é o de construir um processo de reconstrução da organicidade.

O primeiro movimento, na descida, representa uma demolição da unidade no separatismo, da organicidade no caos; o segundo movimento, na subida, representa o contrário. Não foi a queda, pois, que criou os egocentrismos: criou apenas o egoísmo, que os afastou, uns dos outros, como inimigos.

A queda substituiu o egocentrismo unitário de Deus, em torno do qual se haviam coordenado todos os outros egocentrismos em Sistema, em uma pulverização de egocentrismos separados, cada um tornando-se centro de si mesmo. Assim, a direção passa do único centro, Deus, a uma multidão anônima e desorganizada. Só o primeiro método pode ser apto a dirigir um organismo. O segundo só pode gerar a própria desordem.

Dessa maneira, podemos agora conceber a queda como um processo de desorganização, e a evolução como um processo de organização.

Trata-se verdadeiramente do desmoronamento de um edifício, do qual só resta um montão de destroços: os elementos componentes. Trata-se, mais exatamente, do desmoronamento de uma parte do edifício, tendo permanecido intacto o resto. A parte que permaneceu intacta representa o modelo, de acordo com o qual deve ser reconstruída a parte desmoronada; representa o projeto feito por Deus na Sua primeira construção, ao qual agora os operários da reconstrução devem obedecer.

Esse projeto se vai aos poucos, lentamente, realizando com a evolução, do qual representa o quadro final. Ela é um tornar-se, porque deve caminhar para atingir esse ponto.

Os dois edifícios estão lado a lado, e o novo deve reunir-se ao velho, para no fim ser um edifício apenas. Dos dois, um está de pé, o outro está desmoronado, mas unidos pelo mesmo plano construtivo, repousam sobre os mesmos alicerces, sendo regidos pela mesma lei.

Na parte remanescente, íntegra, há a mesma febre de trabalho de reconstrução que na parte dos escombros e dos operários afadigados. Estes, pobres ignorantes decaídos, são guiados e ajudados no duro caminho da evolução.

Os irmãos que permaneceram puros e sábios ajudam os irmãos sujos e cegos: irmãos porque todos são filhos do mesmo Pai, nascidos juntos no terceiro momento da Trindade, na primeira criação.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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