A Cura pela Dor

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Renunciar ao próprio egoísmo para colaborar com o seu semelhante, não é, apenas, uma regra evangélica, mas também de progresso social: é uma lei de evolução da vida para todos, sejam de qualquer religião o filosofia.

O homem que não colabora fraternalmente, mas agride para explorar, é um involuído, um atraso na evolução, mais próximo do animal. As leis biológicas dão a vitória, tanto em nosso mundo social como no mundo animal, ao mais forte.

Esses métodos de seleção, ainda em vigor também em nosso ambiente humano, demonstram o estado ainda involuído, animalesco, do homem. Quem esmaga e explora o próximo acreditando com isso vencer e ter valor, é um selvagem a ser expulso de uma sociedade civilizada.

No futuro o será, porque representará o que representa, na atual, o criminoso. Serão assim consideradas todas as organizações baseadas na força, pois este é o método do Anti-Sistema e não do Sistema, para o qual devemos caminhar.

O futuro da evolução reside na compreensão recíproca, na reconstrução da unidade quebrada, na reabsorção e anulação do separatismo, primeiras qualidades do Anti-Sistema, substituindo-as pela compreensão e a colaboração, primeiras qualidades do Sistema.

É preciso substituir o caos pela ordem, a revolta pela disciplina, a prepotência pela bondade e justiça, a guerra pela colaboração. O progresso consiste em suprimir tudo o que divide, em harmonizar-se até a unificação.

A maior parte das dores que afligem a humanidade depende desse estado de inimizade de todos contra todos, e as dores não poderão cessar enquanto não terminar essa inimizade. Não se pode reconstruir o edifício desmoronado senão reunificando o separatismo no qual ruiu. É indispensável corrigir todas as más qualidades do Anti-Sistema, adquiridas com a queda, mediante as boas qualidades do Sistema, estado perdido, que precisa ser reconquistado. É necessário subir do inferno, onde a discórdia cria a infelicidade, ao paraíso, onde a concórdia cria a felicidade.

Essa concordância dos princípios expostos neste volume, com a realidade dos fatos de nossa vida, oferece-nos mais uma prova, confirmando a teoria da queda.

A cada momento o homem está repetindo os motivos da revolta. Por causa da sua vontade de continuar a errar, continua semeando dores, tanto mais quanto mais quisermos viver embaixo, próximos do Anti-Sistema.

A evolução é, substancialmente, um problema de felicidade. Esta só poderá chegar se nos aproximarmos cada vez mais da ordem do Sistema. Harmonizar-se, como aconselha o Evangelho, não é apenas problema de bondade ou de renúncia, mas também problema de inteligência e de utilidade.

O homem não quer viver o evangelho, porque ainda é um selvagem, tremendamente ignorante das leis da vida e do modo de atingir a felicidade. Nossa sociedade humana é um corpo onde cada célula é inimiga da outra, com prejuízo para todas. Essa sociedade não se mantém com o princípio da colaboração celular que vigora no corpo humano em estado de saúde, mas com o princípio anárquico que vigora no câncer. Por isso, os nossos males são até poucos, em relação ao que merecemos, e teremos de sofrer tanto até aprendermos.

Para que serviria a dor, se não fosse útil para ensinar?

Trata-se de leis férreas, das quais não podemos escapar. Rebelar-se ainda mais, piora a situação. Prova-nos isto a lógica de todo o processo.

A estupidez humana é grande, mas é produzida pela ignorância, resultado merecido da rebelião e da queda. E nada melhor para despertar a inteligência do que o sofrimento merecido, como efeito daquela ignorância também merecida.

Como se pode obrigar um ser, que deve ficar livre, a compreender em seu próprio benefício; como se pode obrigá-lo a recompor-se, livremente, no caminho certo, senão fazendo-o reencontrar-se pelo caminho errado, atravancado de dores, fazendo-lhe compreender seu erro e as suas tristes consequências?

Para o homem atual, pois, só existe um remédio que possa curá-lo: sofrer. Ele é livre de sofrer quanto queira. Mas esse mal é um remédio salutar. Tanto sofrerá que acabará aprendendo: não se pode subir descendo, não se pode melhorar piorando, nem se pode escapar à Lei forçando-lhe a porta.

O homem tem de compreender que é errado o sentido de crescimento como “eu” isolado. Este seria um crescimento invertido, o da revolta e do Anti-Sistema, que só pode trazer separação e destruição. Este crescimento não sobe, mas desce. Agindo assim o ser pensando ganhar, perde.

Tudo está construído de modo que o crescimento não pode fazer-se isoladamente. O egoísmo pode conseguir, como débito, resultados imediatos à mão, e por isso os míopes creem neles. Mas depois tudo se paga e a vantagem do momento é muito cara porque não se conseguem os resultados longínquos e maiores que chegam fatalmente, porque calculados pela sabedoria da Lei.

Consiste o problema em ter consciência do funcionamento inviolável da Lei e portanto, em saber confiar nela, e não nas próprias forças fracas e enganosas. O egoísmo é um impulso isolado do Anti-Sistema, com raio de ação limitado, além do qual se torna anti-vital.

O homem existe e só pode existir dentro da Lei, e se quiser existir, mesmo se rebelde, só tem o caminho da evolução para regressar ao Sistema. O ser pode continuar rebelando-se quanto queira. Com isso só conseguirá o próprio prejuízo.

A revolta contra Deus jamais poderá ser vitoriosa, mas só produzirá erros, que depois é preciso pagar.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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