Personificações das forças do mal

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Satanás está situado no vértice negativo, onde se abismou com a revolta. Era a criatura mais alta entre os rebeldes, e se tornou a criatura mais baixa. Seu poderio está invertido ao negativo. Abismou-se com a evolução ao ponto mais profundo do Anti-Sistema, ou seja, mais descentralizado em seu movimento centrífugo de afastamento de Deus.

O reino de Satanás é o universo no estado de caos, que foi verdadeiramente obra sua. É o estado de triunfo máximo do separatismo, levado até o estado de pulverização atômica nuclear.

Seu reino é o universo físico, no estado de formação da matéria nas condensações estelares; é o estado de máxima involução, de mais profunda descida, onde começa, com a gênese das galáxias, o caminho inverso do regresso.

Seu reino é o estado de máxima contração do Sistema, de máxima densidade da matéria, do qual estourou, por reação, o impulso ascensional evolutivo, estado de imensa compressão, do qual ricocheteou o impulso cinético expansionista, que anima nosso universo físico.

Quanto mais baixa é a posição do ser na evolução, mais fatigante é o subir, porque tanto mais próximo está do centro negativo do Sistema.

Quanto mais alto se encontra na evolução, menos fatigante é o subir, porque se está mais próximo do centro positivo do Sistema.

O conhecimento, a liberdade, a organicidade conquistados com o evolver, constituem, para vantagem própria, meios sempre mais poderosos para subir. Mas, se desta maneira, quanto mais se desce no Anti-Sistema, tanto mais parece crescer a dificuldade para sair dele, por outro lado, os golpes destinados a sacudir e impelir para a subida são proporcionados à dureza e insensibilidade do ser.

Se, em baixo, estes golpes devem ser tremendos, à medida que se sobre, tornando-se o ser cada vez mais inteligente e sensibilizado, bastam choques sempre menos violentos e dolorosos para atingir os mesmos resultados.

Vemos de fato o progresso tornar menos dura a luta, facilitar a vida, suavizar os costumes.

De Satanás começa o endireitamento de todo o emborcado, ou seja, começa a evolução. Ele é o último a mover-se e o último a chegar à salvação, a não ser que sua vontade, inviolavelmente livre, escolha a permanência definitiva na revolta. Neste caso a substância divina que o constitui seria reabsorvida no Sistema, e ele seria anulado como personalidade própria, como forma assumida ao constituir uma individuação separada.

Já vimos, esta é uma possibilidade apenas teórica, por máximo respeito ao princípio da liberdade; na realidade, porém, tais e tantas são as forças em ação impelindo à subida, que, no final, como requer também a lógica de todo o processo, nenhuma mancha deve permanecer e a salvação deve ser geral.

Para o homem que já percorreu uma parte do caminho evolutivo, tudo isso pertence ao passado. Entretanto, esses conceitos dão-nos a justificação lógica das nossas representações mentais do mundo infernal. Imagina ser ele feito de matéria incandescente, vulcânica, entre chamas e tempestades, onde a compressão e a densidade da matéria é máxima, dentro da terra. Isto em oposição ao paraíso, aberto no espaço livre dos céus.

As criaturas, habitantes desse inferno tenebroso, são seres malvados, horríveis e ferozes, enquanto as do paraíso são boas, belas e doces. Essas imaginações têm um fundo de verdade, não só porque a vida humana nos apresenta continuamente exemplares desses seres demoníacos ou angélicos, como também porque a evolução nos diz ter sido o passado do homem, nas formas inferiores da vida, exatamente o da besta.

Esse passado ficou escrito em nosso subconsciente e ressurge, representando algo de terrificante em relação ao estado atual mais evoluído (os demônios são representados peludos e com grandes dentes, cauda e chifres, em quase todas as religiões).

Os seres que chamamos demônios são os involuídos, com instintos bestiais, não é preciso ir buscá-los muito longe, porque o nosso mundo está cheio deles. Os que negam a existência do inferno, basta olhar em redor para tocá-lo com as mãos. Os demônios – não importa o lugar onde se encontrem – são os seres inferiores; e os anjos são os superiores.

A evolução leva-nos do inferno ao paraíso.

Posições relativas, pois para um involuído a terra pode ser um paraíso, mas para o evoluído é um inferno, um mundo povoado de demônios, onde só se pode encontra luta e dor.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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