O Drama do mundo

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Com a revolta, todo o universo entrou em estado de guerra e viverá de luta até ser destruído o Anti-Sistema e reconstruído o Sistema.

A salvação está no evoluir.

Entretanto, os dois grupos, chefiados por seus centros, estão frente a frente disputando o terreno e as criaturas. Há, portanto, um fundo de verdade na imagem representando Satanás a roubar almas a Deus.

Não é verdade que o ódio divida. Ele liga tanto quanto o amor, porém, em posição invertida. O abraço é igualmente apertado, mas não para se fazer o bem, e sim para se fazer o mal.

Por isso também Satanás une as criaturas no Anti-Sistema. Mas a sua união é das criaturas que se odeiam, apertadas, unidas para atormentarem-se, ao passo que a união operada por Deus no Sistema é a união das criaturas que se amam, abraçadas juntas para tornarem-se felizes.

Também não é verdade não existir no Anti-Sistema uma ordem e disciplina. Mas já vimos qual é a sua natureza. Também Satanás organiza o mal, como Deus organiza o bem. Sobe-se de Satanás para Deus, transformando a disciplina escravagista, feita de ódio, com a disciplina livre, feita de Amor.

Assim existe também no Anti-Sistema algo que quer reproduzir a ordem do Sistema. Mas reproduz às avessas, gerando apenas uma pseudo-ordem. Não se trata de uma fusão permanente e espontânea, porque formada por convicção, mas de uma união forçada só sustentada enquanto a força a mantiver unida.

Pertencem a esse tipo as unificações políticas terrenas, baseadas na força dos exércitos; acabada esta, tudo desmorona. Apenas se afaste o mais forte dominador de todos, explodem imediatamente as rivalidades dos egoísmos separatistas e o princípio da desorganização prevalece. E ele está sempre pronto a aparecer, como não podia deixar de ser, num regime substancialmente negativo.

Construir seriamente, de forma estável, representa para o Anti-Sistema uma contradição consigo mesmo. Seria como querer confiar a defesa da ordem pública a uma sociedade de criminosos.

Querer construir uma unidade com seres feitos de egocentrismo separatista, levados apenas a combater-se, é querer construir uma lógica à força de contradições.

O rei da revolta e da anarquia não poderá jamais construir nenhuma ordem.

A rebeldia só podia produzir esse estranho, macabro e ridículo mundo negativo.

Como se pode criar num regime de destruição?

Só poderão fazer-se tentativas separadas, isoladas, prontas a ruir. E se algo se consegue construir, então podemos estar certos de que tudo se deve apenas a intervenção das forças do Sistema. Mas, com o material dado pelos elementos do Anti-Sistema, anti-orgânicos e desorganizadores por sua natureza, nada se pode construir de estável. Assim, em substância, as organizações do mal são desorganizações.

Por isso, todas as guerras desejariam estabelecer uma ordem definitiva e não acabam nunca porque nunca a constroem. Por isso, jamais se alcança a solução. A razão profunda é que tudo isso é obra do Anti-Sistema, cujo verdadeiro fim não é organizar nem criar, mas desorganizar e destruir.

Com a evolução, porém, no próprio seio do Anti-Sistema, está renascendo o Sistema, tal como as células sadias se vão reconstruindo no seio dos tecidos doentes.

Saúde e doença estão lutando e nesta luta, a humanidade vai se curando de seus males. Está convalescente dos males superados, mas continua doente dos outros ainda não curados.

Com a evolução é mister reconstruir todo o Sistema. A cada passo adiante, os métodos do Sistema substituem os do Anti-Sistema. Avança-se, lutando e sofrendo, por um caminho áspero e cheio de pedras e espinhos. Mergulhados até o pescoço no pântano do Anti-Sistema, tentam-se esboços sucessivos cada vez mais vastos.

Construir, construir, cada vez mais alto. Construir lutando contra todas as forças do mal coligadas, ciumentas da subida, e escapando de seu aperto feroz. Construir a qualquer custo, lutando contra todas as condenações, elas desejariam ver congelado e destruído o ímpeto sublime da subida. Lutar, incompreendidos, sangrando, para salvar os irmãos que condenam, porque não compreenderam.

Escrevo estas palavras com o coração amargurado, cônscio do tremendo drama. Drama do mundo, vivido profundamente, feito meu e que vou sofrendo a cada dia, nestes livros, fruto de uma tensão de conceitos que me leva, certos momentos, à beira da morte. Mas não basta dizer que se tem uma missão.

Quem o afirma sem realizá-la, engana a Deus e a si mesmo. E realizar uma missão é coisa tremenda, tanto mais ser preciso lutar contra os que queremos salvar, contra os irmãos cegos que não querem ver, para esta voz não ser destruída pelas forças do mal que saturam hoje o mundo, mas lutar a fim dela poder sobreviver para alcançar gerações futuras as quais poderão compreender e agir.

Neste trabalho tremendo, fica-se só, certas horas, e a alma, abandonada pelos homens, volta-se desesperadamente para Deus, único a ver e a saber, rogando ajuda para o esforço extremo do ser despedaçado pela tensão sobre-humana de um abraço grande demais, pois desejaria num abraço supremo envolver toda a humanidade.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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