O Pecado da Revolta

sistema2

A revolta foi uma exagerada superestimação do próprio eu, por parte dos espíritos rebeldes, erro onde o homem ainda tende a recair, aplicando precisamente os princípios do Anti-Sistema.

O pecado da revolta foi, com efeito, um pecado de orgulho, de exagero e superestimação do eu, um pecado de egoísmo. Nisto consiste a revolta.

Estamos no polo oposto do egocentrismo de Deus, feito de Amor, exatamente no polo feito do egocentrismo egoísta do homem dividido contra seu próximo. É a vontade de ser tudo, não freada pela disciplina do Sistema; é o desejo expansionista e imperialista de domínio individual, no qual triunfa o oposto impulso secessionista centrífugo, ao invés do impulso centrípeto de Deus.

Parece ser este o ponto mais difícil de compreender no fenômeno da queda e, no entanto, esta psicologia da revolta é a coisa mais comum em cada dia de nossa vida.

Parece difícil compreender esse exagero do egocentrismo; nós mesmos, ainda agora, fazemo-nos centro de tudo, pretendemos julgar Deus e condenar Sua maneira de agir. Mas, a verdadeira razão pela qual não é difícil compreender esta psicologia da revolta é porque não queremos reconhecer os nossos defeitos e as nossas culpas.

Estamos mergulhados até  ao pescoço no Anti-Sistema e na sua psicologia da revolta, não contando com a justiça de Deus, mas apenas com as nossas forças e nelas procurando defesa; para salvar-nos, tentamos jogar a culpa até em Deus.

O próprio fato de ainda estarmos nos revoltando, até mesmo contra a teoria da queda, está repetindo a primeira revolta e no-la prova. Como negá-la, se ainda estamos saturados dela?

Talvez uma das maiores provas da verdade da teoria da queda seja dada justamente pelas objeções feitas à teoria e pela atitude da psicologia humana ao discuti-la.

A maior parte das dificuldades consiste em procurar os defeitos da obra de Deus, para acusá-lo como culpado dos danos atuais; ou seja, consiste em fazer de si o centro do universo, para dele julgar, tudo em função de si mesmo para própria vantagem ou prejuízo.

Para quem não sabe compreender a psicologia da revolta, só podemos indicar esse modo de pensar evidente sob os olhos. A tendência instintiva é justamente a da revolta, ou seja, de tornar-se a si mesmo centro de tudo; derrubando a Lei, tornar-se lei e verdade, vindo com isto adquirir o direito de julgar e condenar.

As objeções tendem, em geral, a querer provar o erro de Deus e da Sua obra, porque a culpa não é do homem. Esta tenacidade em não querer considerar-se culpado prova não somente a revolta, como o gosto no hábito da revolta e sua insistência.

A memória do instinto reproduz o passado e assim se explica porque o homem procura a culpabilidade em Deus e a inocência própria.

Donde provêm os instintos, senão de um intervalado automatismo?

De onde nasceram eles, neste caso?

Isso tudo não é fruto do Sistema, mas do Anti-Sistema.

Estamos desta maneira duvidando e procurando demonstrar como não sendo verdadeira uma teoria que estamos vivendo. Como o Fariseu do Evangelho, fazemos diante de Deus a enumeração de nossas virtudes, depois de termos feito o rol dos defeitos do próximo.

Explica-se assim como, em seu conceito mais comum, a liberdade seja compreendida não como enquadramento na ordem (Sistema), mas como revolta individual à disciplina coletiva, para substituir o próprio eu à ordem existente, tornando-se, quando possível, chefe de outra ordem.

É o motivo da revolta que renasce de todos os lados.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

Faça seu comentário e participe de nosso grupo de estudos.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s