A Psicologia da Revolta

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A psicologia da revolta gira, essencialmente, em torno de saber como e por que os espíritos quiseram rebelar-se. Esse problema envolve o do egocentrismo, que lhe foi a causa.

Como é que  esse princípio do egocentrismo pôde ser a causa de tanto mal?

O egocentrismo implica que tudo que existe, se individualize, à semelhança do modelo máximo central, Deus, então também as forças do mal se terão individualizado?

E teremos que admitir a existência pessoal de Satanás?

Os problemas são conexos e concatenados um com o outro. Expliquemos:

Deus criara a criatura de Sua substância, à sua imagem e semelhança, isto é, segundo Seu próprio modelo de “Eu Sou”, baseado no egocentrismo. A organização mesma do sistema fundamentava-se, com sua hierarquia e distribuição de funções, sobre a individuação dos seres, consequência do princípio egocêntrico.

Ora, se Deus não houvesse respeitado na criatura esse princípio, fundamental em Si, em primeiro lugar, não teria respeitado a Si mesmo.

Portanto, Deus não podia violar este princípio, nem mesmo na criatura.

Tendo Deus criado os seres da sua própria substância, devia respeitar neles as Suas mesmas qualidades. Se Deus houvesse limitado a liberdade da criatura, teria caído em contradição consigo mesmo.

Mas, havia outro fato ainda mais importante. Deus era Amor, havia criado por Amor, estando todo o Sistema permeado de Amor. Sobre isso se baseava sua estrutura hierárquica e sem Amor não podia funcionar aquele organismo.

Num Sistema desse tipo, o conceito de coação forçada fica totalmente excluído, não havendo lugar para ele, pois constituiria aí uma violação, representando a maior das contradições em Deus.

Num organismo construído com os princípios da liberdade e do Amor, a obediência só podia ser obtida por adesão espontânea e jamais pelo caminho das limitações e das coações. Se Deus houvesse introduzido em Seu sistema esses princípios opostos, teria traído a Si mesmo e destruído Sua obra.

O princípio da disciplina mantida com a força representa justamente a inversão do método do Amor, sendo precisamente este o método vigente no Anti-Sistema. Se Deus tivesse usado esse método invertido, teria sido Ele mesmo o primeiro a promover a revolta e, então, uma queda promovida não pela criatura, mas pelo próprio Criador teria levado não a uma ruína temporária e curável, mas a um desmoronamento definitivo de tudo.

A disciplina reinante no Sistema só pode ser uma disciplina absolutamente espontânea e livre. A obediência conseguida com a violência e com o terror é apenas uma repetição contrafeita e às avessas do método de disciplina vigente no Sistema. Não é a disciplina livre dos espíritos puros, mas a disciplina forçada dos rebeldes.

No Sistema tudo é liberdade e Amor, no Anti-Sistema tudo é escravidão e terror.

Como teria podido Deus, para evitar a queda, recorrer aos métodos próprios do Anti-Sistema, ou seja, impor a Lei por constrangimento forçado?

Por sua própria natureza, as ordens de Deus estão situadas nos antípodas das de Satanás; jamais obrigam, apenas convidam; não violentam, apenas persuadem; não pedem com prepotência a escravidão, mas oferecem, com bondade, a amizade.

A própria estrutura do todo e os princípios segundo os quais fora realizada a criação impediam uma intervenção de força da Divindade contra a criatura com o fato de constrangê-la a obedecer à Lei.

O princípio de Amor, segundo o qual tudo fora criado, era a única força a que foi confiada a tarefa de manter unido o organismo do Sistema. Este só podia existir em virtude desse impulso de Amor que o mantivesse unido. Se houvesse penetrado no Sistema o menor traço de forças opostas, não seria mais um Sistema, mas um Anti-Sistema, e seria suficiente essa infiltração para operar a queda ocorrida com a revolta.

O Sistema era um organismo, e, para mantê-lo em seu estado orgânico, era indispensável essa força íntima, profunda, fruto de plena convicção e aceitação, poder de coesão que só o Amor pode dar e jamais poderia ser uma imposição coagida. Este outro método é somente uma falsificação daquele, realizado no Anti-Sistema, onde vemos não representar nenhum poder de coesão real e duradoura.

Como acontece em nosso mundo: a força produz apenas luta em cadeia, de ação e reação, num estado de guerra contínua. Esse estado de incerteza e instabilidade é admissível de forma transitória em nosso universo em evolução e processo de cura. Mas não era possível haver tão grande imperfeição no seio de um Sistema perfeito em sua forma estável e definitiva.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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