A Escolha da Criatura

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A conduta de Deus não podia forçar o Sistema, a fim de evitar a queda, permanecendo esta completamente compreensível e logicamente justificada, mesmo diante da razão humana.

Procuraremos agora compreender a conduta da criatura, no ponto nevrálgico do fenômeno da queda, ou seja, a psicologia da revolta, onde e como os espíritos quiseram rebelar-se.

Em Deus estavam perfeitamente harmonizados o princípio do egocentrismo e o do Amor, porque o egocentrismo de Deus abarcava todos os seres, não era egoísmo separatista, mas um altruísmo unificador. Não podia, portanto, nascer em Deus contraste entre o princípio centralizador do “eu sou” e o princípio oposto do Amor.

Na criatura encontramos os mesmos dois princípios, pois ela é feita da mesma substância de Deus e à Sua imagem. Mas na criatura os dois princípios tinham de harmonizar-se por um ato livre dela. Sem esse ato, a criatura não podia fazer parte do sistema, dada sua a constituição.

 A criatura estava livre entre dois impulsos contrários, senhora da situação. De um lado o impulso egocêntrico do “eu sou”, base de sua individuação, impelido à expansão pela afirmação de si mesmo. De outro lado o impulso altruísta do Amor, base do funcionamento e da estrutura orgânica do Sistema, impulso levado ao sacrifício em obediência à ordem, para o bem coletivo.

O ato de obediência da criatura era o único passaporte que lhe dava direito de entrar como participante do Sistema. Para ser digno, era mister ter sabido, e em regime de liberdade absoluta, dar prova de saber viver na ordem, aceitando-a desde o princípio, sem ser constrangido por nenhuma coação.

Um constrangimento não teria constituído a confirmação indispensável.

Foi deixado, à liberdade do ser, o superar ou não o exame, devendo dar prova de aceitar as condições indispensáveis à sua existência como membro do Sistema.

Tratava-se da livre aceitação de um pacto, como também o exigia a dignidade da criatura livre, formada da substância divina.

Competia, agora, à criatura, equilibrar o impulso egocêntrico do “eu sou” com o impulso altruísta do Amor. Havia o fato indiscutível de que, sem a aceitação do princípio de coesão do Amor, o princípio oposto do egocentrismo, separatista por natureza própria, jamais teria podido entrar, com as individuações que o representavam, na organização disciplinada do Sistema.

Esse ingresso da criatura só podia ocorrer na forma de uma livre aceitação de um pacto, não só para respeitar o princípio da liberdade, mas também para dar prova de saber ocupar a posição e executar a própria função no Sistema; e ainda, finalmente, para constituir um penhor, fruto da livre vontade.

O ser devia retribuir a Deus o Amor, pelo qual havia sido criado, reconhecendo-O espontaneamente com Chefe e declarando-Lhe obediência, empenhando-se, com a aceitação do pacto, a viver na Lei.

Com a criação, Deus já situara a criatura no Sistema. Mas, em respeito ao Seu próprio princípio de liberdade esperou a confirmação da criatura, que iria corroborar e fixar com um ato próprio de livre vontade, a sua posição, a fim que esta se tornasse definitiva.

Deus deu à criatura, de imediato, o exemplo do respeito que exigia para com Ele. Nem mesmo quis impor o supremo dom de entrar em Sua ordem e a felicidade que daí derivava. Ofereceu um pacto de consentimento bilateral, livre, porque somente assim podia agir um Deus de Amor, que havia criado por Amor.

Vimos que na Revolta, como numa parte dos seres venceu o impulso do Amor, enquanto na outra parte, rebelde, venceu o impulso oposto do egocentrismo. Consequentemente a parte fiel ao princípio orgânico, permaneceu na ordem e a parte aderiu ao princípio oposto precipitou-se na desordem. Nesses seres, o egocentrismo crescera até superar o limite preestabelecido, precipitando-os, assim, na imperfeição e na ignorância, nas quais foi possível o erro e a queda.

A causa de tão grande mal não foi o egocentrismo, porque quanto este resulta equilibrado com o Amor, como é em Deus e nos espíritos não rebeldes, não gera prejuízo. A causa de tanto mal foi o desequilíbrio e o exagero do egocentrismo, o fato de sua prevalência sobre o Amor e assim o destruiu; e, com esta destruição, privou o Sistema de toda a sua força coesiva e unificadora.

É natural, portanto, este se ter automaticamente desagregado, porque o egocentrismo egoísta só pode separar e destruir qualquer organização. E o Sistema era antes de tudo um organismo sustentado todo em função do princípio do Amor, seu impulso fundamental diretor.

É lógico que, com a revolta, se tenha desfeito todo o estado orgânico do Sistema e desta tenha permanecido apenas um estado pseudo-orgânico, tal como existe no Anti-Sistema.

Pseudo-orgânico porque, em nosso mundo, a ordem é apenas temporária, sustentada somente pela imposição da força, sempre contrastada pela desordem logo cessada sua imposição. Disso decorre serem todas caducas as construções de nosso mundo, não resistindo ao tempo, coisa inadmissível no Sistema.

O Anti-Sistema está condenado automaticamente a esboroar-se, justamente porque falta-lhe o poder coesivo do Amor. Negá-lo significa negar a Deus, a vida, a coesão, a própria unidade. O Anti-Sistema, como negação do Amor, não pode ter a força de construir coisa alguma. Se algo nele se reconstrói, isto não é obra do Anti-Sistema, mas do Sistema que nele ainda sobrevive para salvá-lo; não é obra da força, mas do Amor; não do mal, mas do bem.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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