OBJEÇÃO X RESPOSTA (5)

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Na parte precedente, respondemos a primeira metade da objeção, referente aos espíritos ou criaturas. Vejamos agora a segunda metade, referente à Divindade, ao Criador. A acusação feita é a seguinte: como onisciente, Deus sabia as consequências da revolta e podia impedi-la; como onipotente, Ele havia falhado, e a obra de sua perfeição desmoronara. Sua onisciência, onipotência e perfeição não podem conciliar-se com a teoria da queda. Não podendo negar esses atributos a Deus, é preciso negar a queda.

O homem é como uma criança que tinha um belo vaso e o quebrou. E ali fica, cheio de raiva e triste, com os cacos na mão, olhando-os e diz: não fui eu. Mas os cacos estão lá e falam claro. Não tem outro remédio senão confessar e, no entanto, procura não aceitar o fato consumado. Procura assim fugir da própria culpa, pensando poder libertar-se das consequências, se provar que o culpado foi outro. No caso em estudo, o fato consumado aí está, e não é explicado nem eliminado se jogarmos a culpa em Deus. Não seria bastante este fato para provar que o homem ainda está se movendo em plena psicologia da revolta, tão vivo está ainda nele o princípio determinante da queda?

O erro fora previsto pela onisciência de Deus, sendo provado pelo fato de o Sistema já ter sido provido com antecedência, dos meios automáticos necessários para sua recuperação e cura. Contrariamente ao que afirma a objeção, a onipotência de Deus e a perfeição do Sistema ficam provadas pelo fato de, no final, tudo ficar sanado e voltar ao estado original de perfeição.

Poder-se-ia responder também com uma pergunta: Que necessidade tinha a perfeição de Deus de criar um mundo de seres imperfeitos?

Dois fatos indiscutíveis se enfrentam: de um lado a perfeição de Deus, do outra a imperfeição das criaturas. Não se pode permitir que, de tanta perfeição tenha podido nascer tanta imperfeição. Então esta só poderá ter nascido da queda. Portanto, o motivo da perfeição de Deus não nega a queda, ao contrário, é mais uma prova.

Respondemos à acusação contra a perfeição de Deus e de Sua obra com outra pergunta: qual das duas obras, é a mais perfeita?

1) A que não pode errar porque os elementos componentes, que são prisioneiros de uma disciplina corretiva que, eliminando toda a liberdade, torna impossível todo o erro, ou 2) a obra onde os elementos componentes são mantidos juntos apenas por livre e convicta aceitação da Lei, por espontâneo coordenar-se na ordem, cuja liberdade é tal e tanta que admite até a possibilidade de uma transgressão à ordem?

Qual das duas obras é mais perfeita, a primeira ou a segunda que, podendo desmoronar, foi construída de tal maneira que se poderia reconstruir por si mesma, pois Deus sendo sábio, colocou nela até os meios para sua auto-cura, no caso, como Ele previra, se a obra viesse a desmoronar?

Como poderia Deus ter feito diferentemente, sem violar o princípio fundamental da liberdade, que Ele não poderia renegar em sua obra sem renegar a Si mesmo?

E podemos continuar a perguntar-nos: qual é o mais perfeito, o organismo que só conhece as leis da saúde, não podendo sair desse estado fixo, ou o organismo que também conhece as leis da doença, sendo livre de ceder a ela, mas tão sabiamente construído que, através da experiência do mal e da dor, enriquecendo com novas experiências, consegue reconstruir-se em perfeita saúde?

Qual sistema é mais perfeito: o que só conhece a perfeição, ou o que abraça também a imperfeição e sabe reconduzi-la, até a perfeição?

Quem é mais forte: quem permanece soberano porque não encontra batalhas, ou o que se embrenha nelas e as sabe vencer?

Qual dos dois construtores é mais sábio: o que fez um edifício tão perfeito, que não necessita ser estudado a possibilidade de um desmoronamento; ou aquele que fez um edifício onde essa possibilidade é tão bem prevista e estudada que, se ocorresse o desmoronamento, tudo se reconstruiria automaticamente até ao estado perfeito do edifício não desmoronado?

Então, como se pode condenar Deus por não ter impedido o desmoronamento, mas respeitado a liberdade do ser e a necessidade de, por si, convencer-se, do erro; por isso, previu e providenciou tudo tão bem, que anulou todo o prejuízo?

Quanto mais o homem tenda a fazer de Deus uma ideia antropomórfica, degrandando-O ao nível de um ser egoísta, que cria para fazer-se adorar, a fim de mostrar seu poderio e punir os rebeldes, como poderemos culpar Deus dos males do Anti-Sistema, se estes são um meio para reconstruir o Sistema, com o qual ficarão anulados?

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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