OBJEÇÃO X RESPOSTA (3)

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Enquanto verificamos existir exatamente uma relação de inversão entre a causa em Deus e os efeitos que vemos em nosso mundo, a teoria da revolta nos revela precisamente um impulso dessa natureza.

Temos, assim, sob os olhos as peças de uma máquina desmontada ou os fragmentos destacados de um único desenho. Experimentamos juntá-los e achamos que, em determinada posição, eles coincidem perfeitamente, dando-nos a reconstrução da máquina ou desenho. Temos esses resultados sob os olhos e não são frutos da fantasia. Eles resolvem de fato o problema.

Por que não aceitá-los, se assim tudo se explica, enquanto de outra maneira nada fica explicado?

Se não quisermos contradizer o conceito que devemos fazer de Deus, devemos dizer que, se Ele não é tudo, não é Deus. Então, não pode haver nenhuma causa além Dele. Mas, se Nele não podemos achar as causas direta do mal, da dor, da imperfeição, da matéria etc., porque estas contradizem Sua natureza, Nele devemos encontrar as causas indiretas.

Isto significa ter a causa primeira, que deve permanecer sempre em Deus, sofrido um processo de inversão, antes de atingir o seu efeito. Permanece íntegra a relação causa-efeito e a sua derivação, explicando-se, dessa forma, a mudança.

A chave da solução do problema está justamente na teoria da revolta.

Só assim se explica porque vemos reaparecer em nosso mundo, sob a forma de qualidades opostas, as qualidades que devem ser de Deus. Esses efeitos só podiam derivar de uma causa que, embora provindo de Deus, pôde em seguida erigir-se em vontade diversa porque era, por sua natureza, livre, e desse modo era capaz de desviar-se do caminho traçado, capaz, por um impulso próprio, de imprimir uma direção diferente ao impulso da causa original. Dessa forma, vemos chegar a seus lugares todas as peças do desenho, ficando totalmente refeito.

Esta opinião nos é confirmada, quando observamos a evolução representar um processo de reconstrução, muito mais do que um processo de criação. Mais do que uma formação do nada, a evolução representa um trabalho de reconstituição, de reintegração do destruído. Não é criação, mas um despertar.

Só assim se explica o telefinalismo da evolução e a razão pela qual o ponto de chegada já possa ter sido dado, antes de ter sido realizado o caminho para alcançá-lo. A felicidade estava na ordem e é alcançada com a reordenação. O erro foi de desobediência e é corrigido pela obediência à Lei de Deus.

Nosso universo é uma clínica onde se curam os enfermos da doença de rebelião.

O trajeto é lógico e completo: na ordem, um impulso errado gera a desordem; impõe-se então a evolução com processo de reordenação de elementos caídos na desordem. A revolta não tem o poder nem de criar nem de destruir. No Anti-Sistema permaneceu tudo, apenas estando tudo fora do lugar. Trata-se apenas de tornar a arrumar como estava antes.

Em nosso mundo há matéria prima para qualquer construção; em nosso espírito jazem latentes as ideias para fazer qualquer descoberta e para civilizar as relações sociais até a felicidade, segundo a Lei de Deus. No Anti-Sistema, desvio do Sistema, existem todos os elementos para a reconstrução do Sistema. Basta levá-los à sua devida disciplina. Uma vez constituída a ordem antes destruída, desaparecerá o mal, a dor, a imperfeição, a matéria, o dualismo e todas as qualidades deste mundo decaído, filho da revolta.

Basta retornar à Lei e reaparecerão todas as qualidades destruídas do Sistema.

A criatura foi criada feliz, com a condição de obedecer à Lei. Saindo da Lei, ela saiu da felicidade para entrar na infelicidade. Reentrando na Lei, a criatura sairá da infelicidade para reentrar na felicidade. Assim, a vida, que começa reorganizando os elementos em formas simétricas (cristais), depois em vegetais e animais (organismos), em unidades coletivas segundo planos construtivos cada vez mais complexos, realiza, ao evoluir, o grande trabalho de reorganização da ordem, desfeita no caos pela revolta.

Com isto terminamos a primeira parte da resposta à objeção, não a discutindo para demonstrar-lhe o absurdo, mas demonstrando em quais absurdos cairíamos se a aceitássemos.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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