OBJEÇÃO X RESPOSTA (1)

sistema2

Deus criou os espíritos tirando-os de Sua própria substância. Então tinham de ser de Sua natureza mesma e possuir Suas mesmas qualidades. Ora, dado que entre os atributos de Deus devemos admitir, em primeiro lugar, a liberdade, temos de admitir necessariamente que os espíritos eram livres, de uma liberdade completa, como era a de Deus.

Segue-se daí a possibilidade de erro, pois uma liberdade à qual não seja permitido tudo, até errar, uma liberdade à qual seja proibida qualquer mínima coisa, não é mais liberdade completa. Existia, pois, no Sistema a possibilidade de queda, como consequência do erro. Até aqui, de acordo. Mas aqui começam as dificuldades.

Entre as qualidades da Divindade devemos admitir não somente a liberdade, mas também a perfeição, e pelas razões acima expostas, os espíritos deviam possuir também esta outra qualidade, a perfeição. E se eram perfeitos, deviam ser também impecáveis, não sujeitos a erros e, portanto, não devia haver possibilidade de queda.

Todavia, deviam possuir também outra qualidade da Divindade: como Deus, deviam ser oniscientes, e conhecer os prejuízos decorrentes de uma desobediência; logicamente, deveriam ter escolhido o melhor caminho, ou seja, o da ordem e disciplina. É inadmissível que um ser inteligente, como os espíritos deveriam ser, venha a executar um ato cujas terríveis consequências já conhecia.

No entanto, há mais. A revolta não era um ato particular, de interesse somente dos espíritos rebeldes: interessava a todo o Sistema, pois atentava sobre a sua integridade; interessava, sobretudo a Deus que era o cabeça e o centro de tudo. Ora, Deus era consciente e sabia as consequências da revolta, sabendo-as não devia permiti-la. Um Pai amoroso impede até com risco de vida que seu filho caia no abismo.

Além disso, Deus também era onipotente. Se assim era, como pode ter construído um Sistema capaz de ruir, uma lei suscetível de ser violada, uma obra capaz de falir? Tudo isso contradiz o próprio conceito de Deus. A obra de Deus devia ser perfeita como Ele, e um Sistema perfeito não pode desmoronar. Se um edifício desmorona é porque está mal construído, e neste caso a imperfeição está no engenheiro, ou seja, em Deus. Se o Sistema ruiu mais tarde, isto significa ser a obra imperfeita e portanto imperfeito seu autor. Sendo isto absurdo, é também absurda a teoria da queda.

RESPOSTA

Diante de uma afirmação pode-se tomar duas atitudes: a de não discuti-la, demonstrando apenas os absurdos provenientes de sua aceitação; ou então discuti-la, demonstrando seu absurdo diante dos fatos e da lógica. Seguiremos estes dois caminhos. Comecemos pelo primeiro.

  1. a) Poderemos excluir a teoria da queda, mas não poderemos eliminar os fatos existentes. Compete, então, a quem nega a teoria, dar uma explicação desses fatos, os quais permanecem, problema insolúvel.

Partamos de um dado positivo indiscutível, conhecido por todos: a existência do mal e da dor. De que causa são eles efeito e como se derivaram?

É indispensável um ponto de partida e a causa primeira só pode estar em Deus.

Os fatos existem e não podem ser destruídos. Temos, ao menos, de explicá-los.

Se Deus é perfeito, como podem ter saído de Suas mãos coisas tão monstruosamente imperfeitas?

Admitir uma filiação direta significa negar Seu principal atributo, isto é, a perfeição. Como pode dela ter nascido tudo de horrível existente em nosso mundo? Como pode haver numa obra, que deveria ser perfeita, tal mancha indelével?

Temos, de um lado, um Deus perfeito gerador de tudo. Temos do outro, criaturas que não podem ter nascido senão Dele, sendo muito imperfeitas. Como é possível tão estreita relação de filiação entre dois elementos tão diversos?

Então, se não quisermos cair no absurdo de dizer que as criaturas não foram geradas pelo Criador, devemos admitir, entre os dois, a ocorrência de algum acontecimento, ao qual se deve a transformação.

Se Deus não pode ter criado, sendo Ele o Todo, senão tirando tudo de Sua substância e se esta só podia ser perfeita, então nada de imperfeito podia ter saído de Suas mãos e muito menos criaturas imperfeitas. É, pois, absurda uma criação imperfeita para depois se aperfeiçoar, ou uma criação de espíritos imperfeitos aos quais depois fosse imposta, contra a possibilidade de qualquer livre escolha, a angustiante fadiga de conquistar a perfeição com a evolução.

Há, além disso, inconciliabilidade entre espírito e imperfeição, e é uma contradição falar de espíritos imperfeitos. As criaturas saídas da mão de Deus só podiam ser espíritos e perfeitos, porque saíram das mãos de Deus e porque eram espíritos.

O estado de perfeição só pode existir no estado espiritual.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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