Dualismo, filho do Anti-Sistema

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Quando dissemos que a ordem é reconstituída, quisemos significar com isso que o desvio lateral no movimento do Sistema é reconduzido ao seu binário, onde se encontra a Lei. Vimos que a revolta, em termos de cinética, significa, na ordem do movimento do Sistema, os elementos rebeldes formadores de uma espécie de núcleos, centros de turbilhões autônomos, visando crescer sempre mais em direção egocêntrica, contrária ao divino egocentrismo do Sistema, também este tendendo à própria autonomia.

Daí a luta entre as duas autonomias, os dois egocentrismos; esta a razão da existência do dualismo, qualidade fundamental de nosso universo, filho do Anti-Sistema e constituído ao mesmo tempo do desmoronamento e da sua salvação. Vivemos do choque dessas duas forças opostas e nos amadurecemos, desgastando nossa materialidade no atrito doloroso entre os dois impulsos, o impulso da revolta e o da Lei de Deus. Cada um disputa com o outro a criatura, para apossar-se dela.

A nossa fase atual é de transição de um plano a outro da evolução. O fenômeno não pode permanecer existindo sempre nesta forma. O próprio fato de ele ser constituído por um “tornar-se”, impele-o, fatalmente, para a sua solução. Um dos dois impulsos tem de vencer, finalmente. Do estudo da estrutura cinética do processo, deduz-se como a lógica e necessária conclusão que só o impulso de Deus, por ser o mais forte, pode vencer. Da fatalidade desse fato é impossível escapar.

A positividade do Sistema não pode deixar de acabar demolindo e reabsorvendo toda a negatividade do Anti-Sistema.

Vimos que a curvatura cinética no Anti-Sistema é devida à tendência dos núcleos rebeldes de centralizar tudo, tudo envolvendo em redor do próprio egocentrismo, rivalizando desse modo com Deus, a fim de superá-lo.

Absurdo empreendimento.

Por isso, ao invés de vencer o Sistema, a revolta só conseguiu formar nele vórtices sinistrógiros, resistentes à oposta corrente destrógira, tendo como resultado, o sofrimento, depois, todo o atrito, até ao ponto de serem demolidos, diante de um antagonismo mais forte. É verdade que o Anti-Sistema consegue alcançar a sua plenitude na matéria. Mas essa plenitude é transitória e as construções atômicas não resistem e se desintegram.

A revolta não tem o poder de criar um centro cinético estável, mas apenas uma cinética de transformismo. O novo tipo de existência, criada pelo Anti-Sistema, é apenas um “tornar-se”, ou seja, modificar-se, a instabilidade de dever correr, porque, dentro do processo involutivo ou evolutivo, só é possível existir como movimento.

A revolta não produziu nada de fixo nem estável, mas apenas a necessidade de perseguir uma meta, sem nenhuma possibilidade de poder escapar à fatalidade de atingi-la. Por sua própria natureza íntima, o fenômeno nascido da revolta é um processo fadado a terminar, qual fera voraz que, em última análise, se vê forçada a devorar a si mesma.

Assim, a tentativa dos rebeldes para constituir-se em sistema independente, tornando-se centros, resultou em vão. Tudo se reduz, por fim, a uma exceção transitória no estado normal do Sistema, e a uma necessidade de terem de realizar o esforço da nova subida. O seu esforço para realizar pseudo-construções, reduz-se à necessidade contrária, de ter, com a evolução, de realizar verdadeiras construções de acordo com a Lei violada.

Com a revolta o ser se colocara diante da encruzilhada: caminhar para trás, reconstruindo com a evolução tudo o que destruíra e salvar-se, voltando a existir de acordo com a Lei no Sistema, tal como quisera Deus, ou então insistir na descida.

Mas, o que pode haver no fundo de um processo negativo de destruição, senão a negação de tudo, até à destruição de si mesmo?

Como pode sobreviver quem quer mergulhar num sistema que é de morte, pois é contra Deus, que é vida?

A revolta só foi possível na forma como ocorreu, de modo a não poder produzir outro resultado senão resistência, luta, atrito, perda, pois estava condenada desde o princípio.

O sistema nada tinha a temer e nem sequer, por fim, a própria criatura rebelde, pois se ela não queria permanecer aniquilada, teria de realizar o esforço da subida. Depois de haver aprendido a dura e salutar lição, poderia usufruir seus resultados, regressando ao seu estado anterior de perfeição.

Dessa maneira é endireitada e corrigida a tremenda curvatura cinética, pela qual se aprisionara a liberdade do espírito no determinismo da matéria. Se, no ponto mais fundo da involução, a vida, qualidade de Deus – “Eu sou” – está extinta, e no seu aniquilamento se atinge a vitória da rebelião, justamente nesse instante se inicia o processo inverso, a evolução, a obra de salvação que trará de volta tudo novamente sanado, aos braços de Deus.

Esse rápido olhar permitiu-nos esclarecer e compreender ainda melhor o tão discutido fenômeno da queda. Permitiu-nos, além disso, ver as razões profundas que regem os processos nucleares, demonstrando-nos como seja possível uma filosofia da física atômica e uma teologia que compreenda e explique as últimas descobertas da ciência moderna.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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