A libertação cinética

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A teoria cinética da queda acha-se de acordo com os últimos dados da ciência e explica-nos seu significado profundo.

O conceito de condensação e compressão da matéria corresponde ao de contração ou curvatura cinética, que o explica. E o conceito de expansão de nosso universo corresponde ao da abertura cinética, isto é, libertação do movimento das trajetórias fechadas do Anti-Sistema nas abertas, do Sistema.

A fase de contração cinética é dominada e determinada pelos impulsos gravitacionais, que exprimem não o Amor divino salvador, mas o amor egoísta dos egocentrismos separatistas, ou seja, não mais impulso centrípeto em direção a Deus, mas centralizador em direção ao polo oposto da criatura rebelde.

Já a fase de abertura ou libertação cinética é dominada e determinada pelos impulsos expansionistas, nascidos de ricochete como reação ao movimento precedente de concentração e compressão.

O ponto em que o processo involutivo chega ao fundo do desmoronamento, no qual se inicia o processo oposto evolutivo, é dominado pelo contraste das duas forças opostas: a gravitação e a expansão, ou seja, a contração e expansão cinética. A vitória do primeiro impulso, exprime o Anti-Sistema que chega à plenitude da sua realização; o segundo, ao entrar em ação, exprime o esgotar-se dos impulsos daquele e o início de um novo período, no qual começam a funcionar as forças do Sistema, salvadoras do Anti-Sistema.

Entretanto, paralelamente a tudo isso, ocorre um fenômeno igualmente importante: o do amadurecimento estequiogenético (processo que estuda a matéria na sua formação progressiva do Hidrogênio ao Urânio).

Não somente as galáxias, como também o dinamismo representado pela estrutura cinética fechada no átomo, tendem a abrir-se em certo ponto, permitindo a evasão de elétrons. Podemos agora compreender a razão profunda desse fenômeno.

A tentativa de substituir Deus pelo eu separado da criatura, na direção central que domina o Sistema, não podia ir além da forma de tentativa, pois a criatura não é onipotente e só domina forças limitadas; não representa um manancial inesgotável e infinito, sendo apenas parte de um todo; sua ação, pois, está sujeita a esgotar-se.

Em seu impulso egocêntrico, o núcleo, centro do sistema atômico, tenta reagrupar em torno de si e dominar com o seu poder o maior número possível de elétrons. Tenta com isso repetir o motivo centrípeto do Sistema de Deus. Mas é um elemento e não o centro do sistema e, além disso, o seu impulso é contrário ao do Sistema onipotente de Deus.

Por isso, por mais que o elemento lute para impor-se, deve chegar o momento em que as suas forças limitadas devem esgotar-se, o poder de domínio de seu egocentrismo tem de declarar-se vencido. É inevitável chegar o momento quando seu impulso de Anti-Sistema contra a corrente é superado por outra corrente do Sistema. E tanto mais isso acontece, porque revolta significa resistência e, portanto atrito, o que desgasta o elemento rebelde, esgotando-lhe o impulso individual.

Chega-se assim a um ponto no qual o núcleo não tem mais força para dominar o seu sistema planetário, por ter-se tornado rico demais de satélites. A tendência de seu egocentrismo é de atrair e dominar um número cada vez maior. Mas são limitados seus recursos de elemento separado, sendo o seu potencial dinâmico apenas o de um fragmento ou centelha. O limite de sustentação, no crescimento do sistema atômico, é atingido no 92º elemento satélite. Além desse limite, a atração centrípeta do egocentrismo do elemento não funciona mais porque se esgota.

Nesse momento, inicia-se um movimento oposto, centrífugo, pelo qual se quebra a unidade que o átomo conseguiu construir pelo poder egocêntrico do núcleo. E chegamos aos fenômenos de rádio-atividade, pela qual o urânio, que representa o peso atômico mais alto (238,2) constitui o último termo da evolução estequiogenética da matéria. Aí se inicia a desintegração atômica.

O pequeno “eu”, que se separou do Sistema de Deus, desejaria igualmente continuar a atrair a si todo o universo. Mas sua construção é feita no negativo, obra de revolta e, como tal, não pode crescer nem durar. Além disso, o elemento se acha aí no ponto de maior fragmentação da unidade, o que divide em frações infinitesimais o poder centralizador de sua posição.

Então a Lei de Deus, que se fez inexoravelmente determinística nesse nível, retoma esses elementos chegados ao fundo da descida, sob seu domínio inviolável. O próprio potencial das forças em poder dos rebeldes já havia fixado implicitamente os limites da revolta e, chegados em determinado ponto, um novo impulso reconstrutor destrói as suas pseudo-construções.

O átomo se fragmenta e a evolução, caminho de regresso, torna a levar à distensão cinética o movimento que se curvara sobre si mesmo. Assim, as trajetórias fechadas no átomo, abrem-se para a saída dos elétrons, que se lançam livres no espaço gerando um novo modo de ser da substância; a energia.

Podemos, dessa forma, compreender o significado profundo do fenômeno da radioatividade: representa o primeiro passo no caminho do regresso, com a passagem da fase matéria à fase energia. Representa o primeiro salto da distensão cinética para libertar o movimento das formas fechadas das trajetórias do átomo. Representa o primeiro golpe da destruição e das construções do Anti-Sistema (átomo, matéria), para a reconstrução do Sistema destruído com a revolta. Entramos na fase energia, da qual, mais tarde, se passará à do espírito.

Da mesma forma como na fase involução o impulso da revolta representava uma tendência a uma curvatura cinética cada vez maior, ou aprisionamento do movimento, assim, nesta outra fase, que é evolutiva, a atração centrípeta do sistema, em direção a Deus, prevalece sobre o impulso da revolta, representando uma tendência a uma abertura cinética cada vez maior, ou libertação do movimento.

Com o urânio, com 92 elementos satélites, estes não continuam mais girando em redor do núcleo, mas se rebelam, libertando-se do seu domínio, quebram as trajetórias, ou seja, o estado cinético fechado, e se lançam no espaço com trajetórias independentes, num estado cinético livre. É neste ponto que começa a demolição do Anti-Sistema e a reconstrução do Sistema, porque, contra a atração do egocentrismo do eu separado, vence e torna a funcionar a atração do egocentrismo do Sistema – Deus.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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