O átomo, posição de máxima descida involutiva

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No período evolutivo, verifica-se o processo inverso, de reunificação e reorganização pelo princípio das unidades coletivas. No átomo chegou ao máximo a curvatura do estado cinético, próprio da substância em sua posição original de Sistema não decaído. Devemos a essa curvatura do movimento, à sua contração para fechar-se sobre si mesmo, o fato do emborcamento ou inversão de valores do Sistema, para o Anti-Sistema: a vida que se corrompe na morte, o bem no mal, a luz nas trevas, a liberdade do determinismo, a felicidade na dor, assim por diante.

As trajetórias fechadas dos íntimos movimentos do átomo representam o equivalente cinético da contração ou curvatura da liberdade do espírito no determinismo da matéria. Corresponde também a lógica que a vitória do egocentrismo dos elementos menores, na tentativa de egoisticamente substituir-se ao egocentrismo de Deus que dirigia o Sistema, tenha produzido uma contração cinética, pelo fato de o campo dinâmico ter-se subdividido em numerosos campos menores, em virtude de ilimitada multiplicação de centros, no lugar do único que comandava todo o Sistema.

A subdivisão separatista não podia deixar de causar uma diminuição do campo de domínio do “eu”, o que significa perda de liberdade. Se a revolta levou a uma extraordinária multiplicação de individualidades dominantes e independentes, o resultado final foi estas terem de dividir entre si o campo de domínio, e cada uma teve de limitar o próprio para deixar lugar ao das outras. Isto pelo fato de, com a revolta, as individuações no Anti-Sistema serem elementos de tipo isolado, antagonistas, e não de tipo orgânico, com funções coordenadas, como no Sistema; ficaram separadas em numerosos Sistemas mínimos de força, divididas e não fundidas num único, em compacta estrutura orgânica.

Dessa maneira, a teoria cinética da queda mostrando-nos a curvatura das trajetórias e a construção do Sistema de forças do organismo original, revela-nos a íntima razão causadora do desvio para fora da Lei e inversão dos valores que estabeleceram o conteúdo do Anti-Sistema.

No átomo, pois, a substância acha-se na posição de máxima descida involutiva. O átomo, com o seu sistema apertado em torno do núcleo, reduzido a dimensões submicroscópicas, tão punctiforme que nele está quase destruída a dimensão espacial, representa o triunfo máximo do egocentrismo separatista do “eu” rebelde, que chegou a colocar o seu “eu” como substituto de Deus, transformando-se em sistema próprio, fora do sistema Dele.

O modelo original permaneceu, porque a criatura não pode criar, mas apenas imitar. O modelo ficou, mas repetido às avessas, como uma paródia, pois o centro Deus foi substituído por um centro tão infinitesimal que só sabe dirigir, ao invés do sistema do todo, apenas alguns satélites que cegamente lhe giram em torno, sem liberdade e sem conhecimento.

É este o estado da matéria na formação das nebulosas: interminável número de elementos desordenadamente agrupados nos aglomerados estelares. Encontramo-nos, aqui, no fundo do período involutivo, na plenitude do Anti-Sistema. É deste ponto, do átomo, que se inicia o período inverso, evolutivo, da subida para o Sistema. Aí, a potência coesiva representada pelo Amor, que mantém livremente unidos os espíritos no Sistema, sobrevive, funcionando ainda, mas em termos rigidamente determinísticos, como força de atração ou gravitação.

Como tal, nesta sua forma, começa o Amor a dirigir o constituir-se e o desenvolver-se das nebulosas, com a formação da primeira manifestação da matéria nos corpos estelares. Assim, o poder de Deus chegando até ao Anti-Sistema, guia e impele, desde os primeiros passos, o gigantesco fenômeno da evolução que deverá trazer de novo tudo a Ele. Dessa maneira, nascem e abrem-se as galáxias, primeira manifestação, no plano físico, da tendência do Anti-Sistema a uma distensão cinética, ou seja, ao reabrir da curvatura do movimento que se verificou com a involução na queda.

Atingido este estado de extrema densidade, foi iniciado um movimento contrário de descentralização e de rápida expansão, que reduziu milhões de vezes a densidade do universo. A matéria, qual tremendo explosivo, foi lançada longe do centro com velocidades espantosas, repetindo no extremo oposto do processo da queda – invertido na sua forma material – o mesmo motivo que constituiu a revolta e consequente afastamento do centro.

Para alcançar esta expansão, o nosso universo teve de romper os liames que o haviam mantido unido nos primeiros estágios de sua evolução, formados pelas forças da gravidade. Parece que atualmente o impulso cinético das galáxias, em direção ao afastamento, seja várias vezes maior do que sua recíproca energia potencial de gravidade; isto implica logicamente em que o nosso universo continue a expandir-se ao infinito, simplesmente obedecendo à lei da inércia, sem nenhuma probabilidade de seus elementos se reaproximarem entre si, levados pela força da gravidade.

Perguntamo-nos agora: por que acontece tudo isso? E o que significa? Por obra de quais forças foi determinada essa expansão do universo?

A ciência admite que esteja agora expandindo-se porque, em precedente período de sua história se contraiu ao infinito para um estado de enorme densidade, e portanto ricocheteou, impulsionado pelas poderosas forças elásticas inerentes à matéria comprimida.

O fundo da descida involutiva, então, segundo a ciência, seria representado por um estado de máxima compressão do universo, pela qual toda a matéria se restringiu, reduzida ao estado de um fluido nuclear uniforme.

A cinética expansionista prevalece sobre a cinética contracionista, invertendo a direção do movimento: não mais em descida involutiva, mas em subida evolutiva. Neste ponto, esgota-se o impulso da revolta e recomeça a agir o impulso oposto da atração que o centro Deus continua a exercer sobre tudo o que existe, e neste caso impelir e guiar a evolução para a construção de tudo o que a involução destruíra.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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