Mobilidade no Sistema

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O Sistema perfeito representa um estado de imobilidade?

O nosso universo é constituído por várias formas de um estado cinético da substância. O movimento é, portanto, um denominador comum de todos os fenômenos.

Os próprios fenômenos, como tais, são um movimento, são constituídos por um transformismo, que teve início com a revolta, já que nesse momento teve início o movimento da involução, para depois continuar com o de evolução.

Explica-se dessa maneira, como tenha nascido o impulso do qual deu origem o transformismo fenomênico, que é o modo de existir em nosso universo; modo instável, só possível enquanto é um “tornar-se”, constituído da concatenação “…causa-efeito-causa-efeito-causa…”

Foi este o novo estado em que veio a encontrar-se o Sistema após a revolta, estado em que não se encontrava antes.

A posição de perfeição, em absoluta obediência à disciplina da Lei de Deus, pode representar um estado de imobilidade na ordem, constituído pelo determinismo da perfeita obediência.

A revolta pode ser concebida como um deslocamento para fora dessa ordem, não mais fixo em sua perfeição, mas começou a agitar-se, desviando-se para fora do binário preestabelecido pela Lei. Começou, dessa forma, a corromper-se, passando de um estado de perfeição imóvel a um estado de imperfeição móvel. Disto resultaria o estado cinético da substância, mais tarde constituindo o “vir a ser” involutivo-evolutivo, que representa o modo de existir de nosso universo.

Esse novo dinamismo representou a desordem na ordem, a anarquia no seio da disciplina, o novo modo de ser próprio do Anti-Sistema, o esfacelamento do estado orgânico, próprio do Sistema.

Que significado devemos dar ao conceito de imobilidade do Sistema?

Explicamos ser o Tudo-Uno-Deus, depois de ocorrer a criação, um organismo em funcionamento. Ora, um organismo em funcionamento não pode ser imóvel. Pode, portanto, a imobilidade do Sistema significar apenas uma mobilidade ordenada em perfeita obediência à disciplina da Lei.

O que chamamos movimento foi, então, um estado ou tipo diferente de mobilidade, isto é, não mais um movimento regular de ordem, mas um movimento irregular de desordem, em revolta à ordem precedente, fora da disciplina da Lei e independente dela.

Foi um movimento anárquico e desarmônico de rebelião, nascido do seio do movimento regular e harmônico do Sistema. Em consequência, por isso mesmo, houve uma expulsão do sistema pela própria natureza, para a periferia daquele movimento ordenado; e nessa periferia, esse novo movimento tentou reorganizar em posição invertida, na forma de Anti-Sistema.

Temos, então, dois movimentos.

O primeiro, o do Sistema, unitário, orgânico, completo de si mesmo, imóvel em relação ao segundo. Trata-se de um movimento concêntrico, centrípeto, girando em torno do centro imóvel, Deus, fechado e compacto em torno Dele, na perfeita unidade do Sistema.

O segundo movimento, o do Anti-Sistema, é separatista, caótico, uma corrupção do primeiro, só podendo existir em função deste, como um emborcamento, móvel em relação a ele. Trata-se de um movimento descentralizador, centrífugo, que continua a girar em torno do mesmo centro imóvel, Deus, que tudo rege, tanto o Sistema quanto o Anti-Sistema; mas gira em torno Dele em direção contrária, em posição invertida, de revolta, divergindo da perfeita unidade do Sistema; um movimento fora da ordem, posição na qual a unidade se fragmentou na infinita multiplicidade do relativo do Anti-Sistema.

Que ocorreu, então, com a queda?

Antes dela o movimento era representado por um funcionamento regular, sem desvios da ordem; era uma mobilidade interior à Lei, compreendida em seu âmbito. A revolta representou um novo impulso, que lançou uma mobilidade diferente, exterior à Lei, fora de seu âmbito. O ponto de partida não foi, desta vez, o centro Deus, mas o que diante do Sistema era um pseudo-centro, ou seja, o egocentrismo individual da criatura.

Foi um impulso diferente, oposto ao primeiro de Deus, um impulso de rebeldia contra o dirigente do Sistema. O segundo impulso rebelou-se contra o primeiro, procurando dominá-lo e vencê-lo, para substituir-se-lhe. Mas, constituindo apenas uma exceção, sendo só um momento do todo e portanto menor, invertido em direção oposta à corrente universal, portanto negativo e mais fraco, não pôde firmar-se definitivamente no Sistema: conseguindo apenas gerar atrito, fazer-se expulsar e chegar ao próprio emborcamento, ou seja, produzir o Anti-Sistema.

Expulsar, não quer dizer expulsar do todo que o Sistema abarca, o que seria absurdo, pois nada pode existir além do Todo. Expulsar, quer dizer colocar para fora da ordem, fora da parte que, no todo do Sistema, permaneceu ordenada na Lei.

Quando dizemos movimento, no sentido daquele estado de “vir-a-ser” de instabilidade, próprio do Anti-Sistema, devemos entender uma nova posição, efeito deste segundo impulso, que levou uma parte do todo de seu estado de funcionamento regular, a um estado de funcionamento irregular ou disfunção, dado por um movimento desviado para fora da ordem, e portanto automaticamente lançado fora do Sistema.

Por conseguinte o resultado do impulso, causado pela revolta, foi automaticamente esse deslocamento lateral que lançou o dinamismo antes contido na ordem do sistema, numa desordem, que não podia achar lugar no sistema, mas fora dele, ou seja, em sua periferia.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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