Deus, centro do Sistema

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Dada a sua qualidade negativa de desordem, e portanto a sua incapacidade para dirigir-se de forma autônoma, os elementos rebeldes só conseguiram ficar agarrados à periferia do sistema, único sustentáculo positivo, na dependência do mesmo centro, Deus. Ele é o único centro do todo, e haja o que houver, ninguém poderá ocupá-lo.

Não existem outros centros positivos em redor dos quais seja possível gravitar.

A revolta só pôde criar centros negativos, ou seja, pseudo-centros, capazes apenas de criar um pseudo-sistema, uma pseudo-organização, impotente de manter-se autônoma e ligada inexoravelmente à necessidade do “vir-a-ser” para regressar à perfeição perdida. Foi por isso que, apesar de seu desejo de criar um sistema próprio – mesmo em posição invertida, seguindo seu impulso de afastamento – os elementos rebeldes tiveram de continuar a gravitar para Deus, pois só em função Dele é possível a existência tanto dos obedientes como dos rebeldes.

Não se pode existir sem depender de Deus, nem de tê-Lo como chefe, a Quem nenhuma revolta pode impedir que Ele seja a fonte primeira de tudo. O sistema estava construído de tal forma perfeito, que qualquer fosse a ocorrência, Deus permaneceria sempre o centro e senhor de tudo. Sobre este ponto a liberdade do ser não tinha nenhum poder. A liberdade concedida, estava limitada ao terreno das responsabilidades diante da aceitação do pacto de amor, que Deus oferecera à criatura.

Disso resulta que se pode existir de dois modos, ou seja, a vida pode assumir duas formas:

 A primeira é a do Sistema. Podemos representá-la como a de um organismo são, com funcionamento sempre perfeito, sem mutações.

A segunda é a do Anti-Sistema. Podemos imaginá-la como a de um organismo doente de transformismo, para o qual o existir só é possível à custa de um “vir-a-ser” contínuo, que o modifica sem tréguas, pelo qual tudo deve sempre nascer, desenvolver-se, envelhecer e morrer.

 A desordem levou, como consequência lógica, a este penoso estado de instabilidade, pelo qual só lhe é possível existir como numa corrida, anelando à perfeição perdida, ou seja, presa à roda das reencarnações, para subir todos os degraus da escala da evolução.

Neste segundo caso a revolta introduziu no existir a fase negativa, desconhecida no sistema, ou seja, o fadigar-se com o fenômeno vida até à morte. Por isso não se pode continuar a existir senão através de uma contínua corrida para a renovação, isto é, na direção do princípio positivo, não-emborcado, do Sistema, onde a existência é eterna e incorruptível por sua natureza.

Mas por que essa necessidade de renovação contínua, a fim de as criaturas do Anti-Sistema poderem continuar a existir?

Pela revolta, que foi a negação de Deus, ou seja, da vida, só podia nascer a morte. Ora, para a vida continuar possível no seio de um Anti-Sistema feito apenas das forças negativas da destruição e da morte, é necessário lutar a cada passo contra o impulso rebelde, negador da vida, e atingir o manancial positivo e criador existente no Sistema de Deus, constituído pelas forças que dão a vida.

Daí a necessidade de reabastecer-se sempre na fonte, renascendo, mas permanecendo ao mesmo tempo sujeitas à ação dos impulsos deletérios do Anti-Sistema. Enquanto todos estes agridem tudo (velhice, morte, decadência de todas as coisas), as forças de Deus estão sempre ajudando, reconstruindo tudo com uma criação contínua (nascimento, vida, sobrevivência de todas as coisas).

Compreende-se, desse modo, com a teoria da queda, a razão profunda pela qual só é possível existir à custa de contínua renovação e como, embora tudo se afadigue e morra, tudo sempre nasce e vive.

Vida e morte são os dois impulsos do Sistema e do Anti-Sistema, em ação em nosso universo. Vemo-los funcionar sob nossos olhos, vivemo-los a cada momento. Vemo-los em luta contínua.

Pela revolta, o nosso mundo deveria ser feito só de morte, se não tivesse permanecido nele a presença de Deus, para salvá-lo a cada momento. Da revolta resultou o impulso da destruição e ainda nos persegue sob a forma da caducidade de todas as coisas. E cada coisa seria destruída pelos impulsos negativos da rebelião, se Deus, que permaneceu todo em sua posição inviolável de centro universal, não continuasse a irradiar até mesmo no Anti-Sistema, criando tudo continuamente, ou seja, reconstruindo-o da constante destruição, para mantê-lo em vida.

Chama-se criação contínua, justamente esse trabalho de reconstrução, indispensável para que seja possível continuar ainda a existir o seio das forças negativas do Anti-Sistema. O fenômeno da criação contínua é precisamente uma prova de estarmos situados no Anti-Sistema.

Do quanto foi exposto, resulta esclarecido que a revolta foi determinada por um novo impulso, derivado do egocentrismo de criatura, que colocou em movimento contrário ao egocentrismo de Deus, dirigente do Sistema.

Assim, quando falamos de movimento como uma propriedade do Anti-Sistema, devemos compreendê-lo como um desvio, no sentido da desordem, no meio do movimento de ordem, próprio do Sistema.

Tudo isso nos leva a uma compreensão mais exata do fenômeno da revolta. Ele foi, portanto, uma mudança no estado cinético da substância.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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