A vibração

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Com a vibração, nasceu a onda com suas características de frequência e de comprimento. No princípio, o tipo de vibração, é mais próximo da linha reta, isto é, frequência máxima e comprimento de onda ou amplitude de oscilação mínima. Esta se poderá chamar de onda espiritual do pensamento.

Mas, uma vez iniciado o processo de degradação, esta continua impelindo o ser a existir em formas de vida cada vez mais involuídas, menos psíquico-espirituais e mais materiais. Descemos, assim, até a vida animal e vegetal. A este ponto, a degradação do espírito desce abaixo das mais elementares formas de vida e entra, mudando ainda mais, no mundo dinâmico, como energia, na forma de eletricidade, da qual, depois, no processo evolutivo inverso sabemos que renasceu a vida.

Neste ponto da descida, a onda, tendo se tornado mais longa e de frequência menor, começa a contrair-se, diminuindo a sua amplitude de oscilação progressivamente, num processo de enrodilhamento sobre si mesma, até fechar-se nas trajetórias obrigatórias do átomo, fenômeno para o qual se passa, como por um congelamento cinético, da fase energia, para a fase matéria.

O fenômeno da queda, estudado em seu aspecto dinâmico, apresenta-se-nos, agora, como uma curvatura cinética, ou envolvimento gradual do movimento sobre si mesmo, equivalente a um contrair-se da liberdade do espírito (Sistema) no determinismo da matéria (Anti-Sistema).

Com a queda, assistimos a uma curvatura progressiva do estado cinético da substância, livre e aberto na origem, até ao ponto em que se aprisiona no Sistema cinético fechado do átomo. Neste ponto, chegamos ao fundo da queda, no reino da matéria e do máximo divisionismo, onde dominam no caos as individuações atômicas isoladas, no triunfo pleno do princípio separatista da revolta.

Neste ponto do processo, no fundo da involução, nos antípodas do estado unitário do Sistema, triunfa o núcleo do “eu”, tornado elemento rebelde. No polo oposto ao estado originário da primeira criação, o princípio separatista vence o princípio unitário. Isto porque, uma vez tendo percorrido o trajeto involução ou queda, a criatura acabou de realizar completamente o novo estado cinético, por ela produzido e desejado com a revolta.

Com esta o ser fez, de si mesmo o centro Deus, mas em torno do centro de um novo Sistema, aliás, do Anti-Sistema. Isto levou a uma infinita multiplicação de centros. Esta teoria cinética da queda explica-nos o significado íntimo daquele fenômeno de divisionismo ou pulverização da unidade no caos, de que falamos.

A desordem do caos substitui-se à ordem originária porque, ao invés de cada elemento existir em função do centro Deus, estando todos os elementos de acordo na disciplina da Lei, cada elemento, com a revolta, passou a existir apenas em função de si mesmo. Dessa forma a Lei não está mais presente neste ponto, sobrevivendo apenas ao estado latente, como íntimo impulso de evolução, isto é, como impulso oculto que impele ao retorno à ordem de origem.

Enquanto no organismo perfeito original, temos em Deus o único centro que rege tudo em unidade, ao chegarmos ao fundo da queda no Anti-Sistema, temos uma infinita multiplicidade de centros, tantos quantos são os núcleos e os elementos centrais destes, nos átomos existentes. Eis a pulverização extrema no caos, a vitória do separatismo buscado com a revolta.

Assim, do Sistema permaneceu apenas, com um eco, esta última reprodução invertida do modelo original. É uma imitação às avessas, onde, no entanto, permaneceu um centro, mas não mais significa unidade e sim multiplicidade; não mais centralidade e centralização em torno dele, mas descentralização e separação; não mais obediência a um governo central, mas anarquia.

O conceito de centro permaneceu, como verificamos no átomo, não porém para significar a unidade, mas antes para mostrar o fragmentar-se da unidade. Resta o modelo original, porém, não é mais uno, como deve ser o centro para assim permanecer, mas é uma infinidade de centros que não se conhecem, e do fundo do caos apenas começam a reorganizar-se, estamos muito longe daquele estado de fusão orgânica à qual a evolução os conduzirá.

Neste ponto do processo eles estão apenas desordenadamente amontoados, muito longe de um estado de funcionamento coletivamente coordenado. Os elementos existem não mais em relação direta com o centro Deus, mas apenas cada um em relação com o seu pequeno centro. O centro não é mais Deus que rege todo o Sistema, mas um núcleo que dirige alguns elétrons. É o último resultado em que se encontra o “eu” da criatura por ter desejado substituir-se ao “eu” central de Deus, dirigente de todo o Sistema.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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