Reconstruir o estado orgânico

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Poderemos imaginar o homem do futuro tão adiantado que o cérebro, agora constituindo a sua parte mais evoluída, venha a constituir para ele a parte mais atrasada, por ter transferido o centro de sua vida a planos ainda mais altos.

O processo evolutivo, contudo, não é apenas conquista de psiquismo, mas também de organicidade. Essas conquistas são coordenadas e valorizadas em novos estados orgânicos coletivos.

Quando os elementos componentes do sistema perfeito saído das mãos de Deus, desmoronaram instantaneamente no caos, não mudou o número infinito das individuações. Outra coisa mudou, ou seja, ao invés de permanecerem fundidas no estado orgânico de sistema, confundiram-se na desordem do caos. Então os elementos se amontoaram ao acaso, como simples soma de individuações que não se conhecem reciprocamente, e não cooperam por meio de fusões coordenadas no seio do mesmo organismo.

Ora, o processo da evolução consiste na reunificação; a vontade íntima que o dirige, impõe como telefinalismo o estado orgânico próprio do sistema, sendo isto justamente o que se deve constituir. Em outros termos, o que desmoronou com a involução não foi o número das individuações ou criaturas: esse permaneceu o mesmo, igual; o que desmoronou no caos foi a sua ordem; o que se desfez foi seu estado orgânico, transformado no estado desorgânico.

Dessa forma, ao invés de os elementos componentes do Sistema permanecerem coordenados, para funcionar irmanados no mesmo organismo, unidos pela única Lei, todos em função de Deus, caíram na anarquia, passando a viver indisciplinados sem se conhecerem, repelindo-se ao invés de se fundirem, porque cada um seguia apenas o seu próprio princípio individual rebelde à Lei, somente em função do próprio eu que se havia substituído ao centro único, Deus.

Consiste o processo evolutivo justamente numa gradual reconstrução do que foi destruído, na reordenação do caos, na disciplina da Lei de Deus.

Os elementos componentes permanecem os mesmos, mas modifica-se a sua posição recíproca. O processo consiste em coordená-los, induzindo-os a existir em unidades orgânicas cada vez mais vastas, complexas e perfeitas.

Quando estes elementos chegarem a reconstituir-se num Sistema único que os abarque a todos e no qual todos se fundam harmonicamente, tal como era o Sistema em sua origem, então o processo evolutivo estará terminado, porque tudo terá voltado a Deus; e com isso, o Sistema originário, que fora destruído, terá sido reconstruído em sua integridade. O que falta ao estado involuído é a ordem.

O progresso tem de reconstruir o estado orgânico. Eis o futuro da evolução.

Como já ocorreu para os elementos do átomo, reorganizados nesta primeira unidade; depois com a sua combinação em moléculas, como aconteceu para as construções da vida desde a primeira cristalização dos minerais, e daí em diante, assim é lógico que a evolução deva continuar a operar. Da mesma forma, a química inorgânica evolui para a química orgânica.

A evolução representa um esforço contínuo para organizar em unidades coletivas uma quantidade cada vez maior de elementos, em formas cada vez mais orgânicas e complexas, transformando a simples agregação amorfa – soma apenas dos elementos – num organismo hierarquicamente constituído.

Assim, o processo evolutivo mostra-nos de fato a passagem do estado de Anti-Sistema ao estado de Sistema, do estado desorgânico ao estado orgânico, dando-nos ainda mais uma prova em favor da teoria. Isto confirma que o estado orgânico do Sistema é verdadeiramente o ponto de chegada, a meta conclusiva do telefinalismo; demonstra também esta ser a direção que a Lei de Deus impõe à evolução.

A tarefa da evolução é justamente a de executar a reorganização do caos.

Dessa forma, o princípio da individuação muda no sentido em que mudam as dimensões da unidade elementar, ou seja, do eu. Este fato, pelo qual cada um dos momentos do todo tendem a fundir-se, organizando-se em grupos cada vez maiores, não é um fato estéril de simples soma de unidade.

Ao unificar-se em grupo, os elementos componentes adquirem uma posição diferente, que representa um valor muito superior ao de sua soma, por sua vez representado pelo estado orgânico. Representa um nível evolutivo mais alto, na qual a vida adquire novas qualidades e potencialidades, inacessíveis ao indivíduo isolado e mesmo a uma multiplicidade de indivíduos confusamente amontoados.

O estado orgânico representa, sem dúvida, uma das tendências criativas da evolução. E isto pelo fato de se formar uma nova individuação do ser com a reunião dos elementos individuais num grupo.

É um organismo diferente, onde aparece um princípio diretivo diverso, uma nova lei que o rege e não é mais a mesma que dirigia cada um dos componentes. Passa-se, assim, a um plano mais alto de evolução, a um novo parágrafo da Lei, significando a reaproximação do Sistema.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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