O impulso interior do telefinalismo

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Na primeira origem existia apenas um impulso interior para subir, em forma de desejo instintivo, no qual se revela a lei do regresso às origens. Aquele telefinalismo de que falamos é uma força ativa de atração. Surge assim o desejo, exprimindo esse impulso interior, individualiza-o no caso particular, na forma a ser atingida naquele dado momento e posição da vida. A matéria orgânica é forma regida por esse impulso interior, por isso lhe obedece, deixando-se plasmar por ele.

Então o desejo começa a plasmar uma primeira tentativa, ou esboço do órgão, com os materiais que toma do ambiente, material passivo, que obedece por lei da vida, àquele impulso animador. Com esses materiais, aquele desejo se reveste de uma primeira forma rudimentar, que constitui a sua primeira expressão. Nasce, desse modo, um primeiro esboço provisório, à espera de reforçar a tentativa, consolidando o tipo, se ele corresponde às condições do ambiente e às exigências da vida. Ele é a expressão do íntimo pensamento que a dirige; é o resultado de uma luta do pensamento criador contra a matéria inerte, para plasmá-la a seu modo.

A luta é feita por ensaios, resistências, adaptações, tentativas.

Esta é a forma pela qual se realiza a criação no plano material, por obra do espírito.

O pensamento, desde a primeira criação feita por Deus, demonstrou sempre possuir poder criador.

Depois de formado, do primeiro esboço é feito um primeiro funcionamento experimental. Com isto, comprova-se o ambiente, adapta-se, fixa os resultados adequados, aperfeiçoa-se. Esse aperfeiçoamento do esboço leva a um aperfeiçoamento maior no funcionamento, permitindo também que o órgão se desenvolva e aperfeiçoe cada vez mais.

Dessa forma, o órgão e o funcionamento, escorando-se mutuamente, guiados e sustentados pelo impulso interior da vida em direção ao telefinalismo, vão construindo e aperfeiçoando-se, até nascer o órgão novo e completo. Desse modo, a manifestação do impulso interior da vida consegue achar aos poucos a sua expressão.

O processo se desenvolve, por isso, por tentativas, por experiências contínuas, por adaptações ao ambiente, agindo e reagindo às reações do mesmo; é no entanto, todo constituído de vida que de igual forma tenta, paralelamente, e se adapta e reage, a fim de realizar as suas formas e funções.

A vida não se desenvolve em um único ser isolado, mas numa orquestração de seres que se estão experimentando reciprocamente, constituindo dessa forma uma marcha ascensional de toda a vida, cujo telefinalismo deve conter também a tendência de cada um dos seres a unir-se para conseguir reorganizar-se, finalmente, num sistema único.

Esta tendência pode constituir outra prova da teoria aqui sustentada, dizendo-nos que o ser evolui do caos para o Sistema, um estado eminentemente orgânico.

Observemos outro fato, que também nos prova o poder criador do pensamento e o movimento da evolução no sentido da espiritualidade.

Por um fenômeno paralelo ao agora examinado, segundo o qual a matéria orgânica é dirigida e plasmado pelo impulso interior, animador das formas da vida, acontece que as ideias dominantes na existência de um homem permanecem impressas em seu rosto, os seus traços físicos exprimem, dessa maneira, em síntese, a sua história vivida: dores, alegrias, lutas, vitórias, as notas fundamentais da personalidade, reforçadas ou corrigidas pelas novas experiências.

Dessa maneira, um rosto pode representar uma biografia. Para aprender a lê-la, observemos o significado das várias partes do corpo humano.

Pode dividir-se em três planos:

1) Parte inferior: dos pés ao ventre, que constitui a animalidade.

2) Parte média: peito e coração, que representa o sentimento.

3) Parte superior: cabeça e cérebro, que representa a alma e a personalidade.

O rosto humano pode-se igualmente dividir-se em três planos correspondentes àqueles, começando de baixo.

1) O maxilar e a boca exprimem, quando muito desenvolvidos, a animalidade voraz e egoísta, a avidez e a sensualidade bestial.

2) Os olhos exprimem o sentimento do coração, emotividade passional, podendo tomar parte da vida inferior quanto na superior, revelada pelo rosto. No primeiro caso, os olhos exprimem astúcia, egoísmo, avidez, sensualidade. No segundo caso, a inteligência, generosidade, bondade, assim como sexualidade sublimada ao plano de amor espiritual.

3) A fronte manifesta o poder e o domínio atingidos no campo do pensamento, da bondade, do espírito.

Ora, com a evolução, a vida desloca o seu centro do plano inferior ao superior, tanto no corpo como na expressão de seu rosto. Há uma tendência da vida em subir também espacialmente para o alto, da Terra para o céu, tendência em ser cada vez menos réptil que rasteja ou quadrúpede, e cada vez mais homem que caminha levantando a cabeça para o alto.

Este fenômeno traduz, em sentido espacial, o fenômeno da subida espiritual.

Com tais critérios, qualquer pessoa poderá, ao olhar a sua imagem, ler nela a própria história, destino e valor.

A evolução consiste em deslocar o centro da própria vida do plano em que funciona o ventre, para aquele em que trabalha a cabeça, do plano do maxilar para o do cérebro. Este deslocamento traduz nos órgãos materiais que o exprimem, o processo evolutivo da espiritualização.

Foge-se da animalidade pelo telhado.

Esta é a maturação biológica que leva do Anti-Sistema ao Sistema.

Quer se queira, ou não, este é o verdadeiro drama da vida, o seu conteúdo e objetivo. Com a evolução, a vida se torna também fisicamente cada vez mais ereta. Este erguimento da vida, também em sua forma material, representa a transformação (endireitamento) da existência, partindo de sua forma material no Anti-Sistema, para sua forma espiritual no Sistema.

O primeiro impulso da vida, nascida no seio das águas, foi de emergir para a terra. Verificamos um contínuo esforço da vida para emergir, erguer-se, libertar-se, esforço para voltar ao Sistema, encontrando somente desta maneira sua explicação lógica. Essa tendência é tão profunda e fundamental que transparece, até nas formas concretas do plano físico. Aí mesmo, vemos escrita a teoria da queda, nas primeiras formas de vida aprisionadas no interior da matéria, das quais apenas a evolução, reerguendo essa vida para o Sistema, poderá libertá-la.

Chegamos assim a ver a teoria da queda e da reascensão também em sua expressão concreta no plano físico.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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