O egoísmo dilatando-se em altruísmo

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Quando os elementos separados por seu egoísmo fundem-se em unidades, transforma-se a lei do dar e do haver, numa mais alta, dirigida por princípios diversos. Enquanto no plano material, quem dá empobrece e quem toma enriquece, no plano espiritual quem toma empobrece e que dá enriquece.

Explica-se essa transformação porque no nível inferior, os seres vivendo separados um do outro por se fecharem em seu egoísmo, não se conhecem e, portanto, não existem entre eles trocas espontâneas, nem compensações. Todavia, quando se coordenam em unidades orgânicas, caem essas barreiras isolantes e tudo se comunica espontaneamente. Tornam-se fáceis, dessa forma, as trocas, que permitem satisfazer todas as necessidades sem a luta árdua necessária para tal, no mundo inferior da matéria e do egoísmo.

O fato de, ao evoluir, subir-se para formas de vida mais livres, nas quais cada vez menos se precisa de luta para viver, constitui uma diminuição do atrito entre as criaturas e da dor resultante, ou seja, uma conquista de felicidade. Então, quanto mais se sai das opressões da matéria, tanto mais completamente pode realizar-se a divina lei do amor, pela qual, quanto mais se sobe, tanto mais se abrem as portas de cima em baixo, permitindo descer o bem e a alegria aos planos inferiores.

Acontece, então, que quanto mais nos sacrificamos no dar, tanto mais sobre nós choverão do Alto ajuda e consolação.

Tudo isso é natural e lógica lei de vida. E quanto mais tentarmos acumular egoisticamente, fechando-nos com isso cada vez mais em nós mesmos, tanto menos poderemos receber do Alto. Isto porque o receber e, portanto, o enriquecer-se, depende da própria receptividade, relacionada ao grau em que se destruiu, com a evolução, o isolamento egoístico da nossa natureza inferior.

A irradiação lançada por Deus de Seu centro, sobre tudo o que existe, pode ser recebida pelo ser de acordo com o grau de abertura e receptividade, próprio a cada um, conforme o nível de evolução atingido.

O evoluído, por exemplo, que dá aos seus semelhantes, não espera recompensa nem gratidão, que nos planos inferiores representam um legítimo direito de pagamento aos involuídos. O Evoluído conhece a Lei e sabe que esta lhe provê tudo. É, como se costuma dizer com razão: Deus é quem paga.

Dessa forma se reorganiza o caos, eliminando cada vez mais a dor e ganhando em felicidade, pelo fato de a vida começar a funcionar segundo leis cada vez mais próximas daquela perfeita Lei do Sistema.

Na própria física vemos transformar-se a lei dos fenômenos à proporção que subimos na escala das unidades coletivas.

Vemos que os fenômenos se nos apresentam com características diferentes, de acordo com as dimensões microscópicas que a nossa observação assume. É fato que, quanto partimos da grosseira visão de conjunto e penetramos com a observação na estrutura analítica, verificamos achar-nos diante de unidades-síntese, ou seja, unidades coletivas compostas de elementos que, se observados isoladamente, vemos obedecerem a outros princípios.

Acontece isto em todos os campos: no campo físico (a matéria, sociedade de átomos); no plano biológico (organismos de células); no plano social (coletividades humanas); no plano psicológico (psicologia coletiva).

Descobrimos, então, aparecer uma nova lei, isto é, a lei do grupo, que não é mais a lei do indivíduo, mas uma lei coletiva superior, dada pela maioria dos casos concordantes, vencendo a minoria dos casos discordantes, os quais, desaparecem reabsorvidos pelos primeiros. Na nova lei, a do grupo, os indivíduos se fundem por homogeneidade de características. Eles sobrevivem não como elementos separados, mas como uma síntese resultante de sua fusão, o que transforma o tipo de sua individuação. Trata-se de existências diferentes, situadas em dois planos diversos do edifício da evolução. O segundo é mais vasto, complexo e aperfeiçoado; é portanto mais poderoso e resistente.

Uma coisa é o átomo, outra coisa é a matéria; uma coisa é a célula, outra um organismo; uma coisa é o homem, outra um povo ou humanidade; uma coisa é a mentalidade de um indivíduo, outra uma corrente de pensamento e de psicologia coletiva.

Por isso está nascendo agora em nosso planeta o corpo humano social. Nele sobreviverá o indivíduo de hoje, mas com forma de vida diferente. Não será mais um elemento isolado, que estabelece apenas relações com seus semelhantes, mas constituirá com eles as células e os órgãos – ou seja, a anatomia e a fisiologia – deste novo organismo social e humano, como parte integrante, já não podendo mais viver senão em função de todo o organismo.

Com isso mudamos os princípios que regem a vida do homem. Nasce assim uma nova ética para guiar atividades humanas, porque os objetivos utilitários que a vida tem de alcançar são agora muito mais vastos.

O homem atual debate-se na “jungle” darwiniana da “luta pela vida”, onde ainda está imerso até o pescoço, sendo tão árduo sair dali que a maior tentativa feita para libertá-lo, que é o Cristianismo, conseguiu modificá-lo muito pouco. Ao invés de vencer a animalidade humana, parece que esta foi mais forte do que ele adaptando-o a si, procurando engoli-lo ao invés de ser engolida. E, no entanto, não há derrota que possa sufocar o impulso evolutivo da vida; a cada falência, aparece uma tentativa nova, por mais que isso possa parecer logicamente absurdo.

Parece um trabalho desesperado, no entanto, é a fé que nos arrasta que no-lo faz realizar aqui, nestes livros, neste momento mesmo. É inevitável que o homem atinja o plano do Cristo, ou seja, que o homem reconheça em seu semelhante, a si mesmo, e o ame como a si mesmo, desistindo finalmente de agredi-lo, ao invés de amá-lo, sempre o agredindo, até mesmo em nome de Deus.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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