A visão da queda diante da biologia

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Em dado momento de sua ascensão, a vida achou útil e necessário construir para si um órgão específico do pensamento, demonstrando dessa forma ter percebido a importância da presença de um centro específico inteligente, capaz de dirigir o seu funcionamento. Com isto a vida enveredou por um caminho novo, para o psiquismo, o primeiro grau da espiritualização.

Foi com esses meios que se pôde manifestar e funcionar, de forma concreta específica no plano biológico, a inteligência, para afinal revelar-se como primeira potência da vida, potência que permitiu ao homem vencer todos os outros animais.

A cerebralização no seio da evolução representa, verdadeiramente, o que se poderia chamar o traço biológico de todo o processo de espiritualização constituindo a meta final dessa evolução.  Assim, o pensamento se tornará a função biológica mais importante, porque o saber pensar e compreender representará a atividade biológica mais útil,  demonstrando-nos estar a evolução orientada para a espiritualização, revela-nos ser este o terreno das futuras conquistas do homem.

Com o homem, o psiquismo assume um poder preponderante na evolução, um poder tão decisivo que tornou o homem consciente do fenômeno da evolução, ao ponto não só de compreendê-lo, como de assumir a sua direção.

Esse novo meio permitiu ao homem superar os limites evolutivos que dificultam a transformação do animal, fechado em sua especialização. Entra assim a vida em novo caminho, iniciando novo método para realizar-se: abandona o sistema da construção e elaboração de órgãos especializados, muito lento e limitado, rompe os diques e cria um organismo não especializado, mas adquiriu o poder de construir fora de si quantos órgãos especializados ou instrumentos lhe possam ser necessários e úteis para os objetivos de sua vida.

Então, esse trabalho de construção passa do subconsciente ao consciente, ou do consciente cósmico, que dirige a evolução para seus fins, ao consciente do ser humano, dessa forma chamado a colaborar, tornando-se ele mesmo operário e instrumento na realização dos planos da criação.

Nasce, assim, no homem um órgão não mais limitado às funções determinadas para as quais foi construído, mas um órgão capaz de construir para si todos os órgãos ou instrumentos que lhe possam servir para a vida; mais ainda: habilitados a construir para si instrumentos capazes de construir esses novos órgãos.

Entramos no mundo da técnica e das máquinas. Essa capacidade de construir para si meios separados do próprio corpo é que distingue o homem do animal.

Com a ciência e a técnica, o homem construiu e possui o instrumento que lhe permite construir outros instrumentos, trabalho que, embora de forma muito diversa, constitui a evolução; no íntimo dela, esse trabalho representa uma criação biológica, embora seja uma biologia não mais do mundo animal.

Eis a nova biologia do psiquismo, eis os primeiros passos da vida para a espiritualização. Este não é um fenômeno destacado da biologia, mas é uma sua continuação.

O espírito não é inimigo, oposto à matéria: é a continuação da matéria. Eis aí uma ordem de conceitos que se enquadra perfeitamente em nossa visão e então podemos dizer que a biologia confirma o conceito fundamental da visão, ou seja, a vida está evoluindo para a espiritualização.

Com o novo elemento introduzido no campo da vida, ou seja, a inteligência, o homem conseguiu frequentemente superar até mesmo os modelos que aquela vida atingira e lhe apresentava. Com a colaboração, a especialização e a organização, o homem conseguiu dar, na estrutura social, um rendimento ainda maior.

Eis a que resultados maravilhosos pode levar a evolução a qual começara com os esforços inconscientes das primeiras plantas trepadeiras, que buscavam a luz, ou dos peixes para formar um organismo que respirasse e vivesse fora da água, ou da vida para criar os sentidos, a vista, o ouvido etc., a fim de perceber o mundo exterior.

Provam-nos estes fatos que a evolução se move em direção a objetivos exatos, justamente os da espiritualidade, objetivos que, por sua natureza, demonstram corresponder a um telefinalismo preestabelecido. Prova-o também o fato de o progresso da evolução não ser um movimento que aconteça ao acaso, mas um desenvolvimento lógico, numa direção constante.

Então, pode-se compreender melhor de que modo esteja preestabelecido o objetivo, quando se admitir tratar-se da reconstrução dum organismo preexistente, que foi destruído, e agora se procura apenas reconstruir da mesma forma como já existiu.

Ei-nos na teoria da queda e no conceito de involução e evolução.

Temos, desse modo, de admitir, ao lado do telefinalismo que estabelece a meta, a presença de um impulso interior que a conhece por antecedência e se esforça por atingi-la. Doutra forma não se explicaria como pudesse realizar-se a tendência para esse telefinalismo.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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