A evolução da humanidade

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No pensamento que dirige a vida para o telefinalismo de sua espiritualização, o que corresponde fatalmente a seus planos preestabelecidos, está determinado que a seleção evolua, oferecendo enfim o triunfo ao mais inteligente e ao melhor, e não ao mais forte ou ao mais astuto.

O homem atual é feroz e ignorante.

Começa hoje a realizar os primeiros esforços para sair dessa barbárie.

Na hora atual, a temperatura psíquica está esquentando; já se pensa mais do que outrora; os problemas se equacionam e o homem quer resolvê-los.

O progresso técnico encurta o espaço, tornando menor o nosso mundo, e conseguindo dessa forma uma humanidade mais compacta e mais unida, aproximação que é necessária para alcançar-se o estado orgânico.

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O egoísmo dilatando-se em altruísmo

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Quando os elementos separados por seu egoísmo fundem-se em unidades, transforma-se a lei do dar e do haver, numa mais alta, dirigida por princípios diversos. Enquanto no plano material, quem dá empobrece e quem toma enriquece, no plano espiritual quem toma empobrece e que dá enriquece.

Explica-se essa transformação porque no nível inferior, os seres vivendo separados um do outro por se fecharem em seu egoísmo, não se conhecem e, portanto, não existem entre eles trocas espontâneas, nem compensações. Todavia, quando se coordenam em unidades orgânicas, caem essas barreiras isolantes e tudo se comunica espontaneamente. Tornam-se fáceis, dessa forma, as trocas, que permitem satisfazer todas as necessidades sem a luta árdua necessária para tal, no mundo inferior da matéria e do egoísmo.

O fato de, ao evoluir, subir-se para formas de vida mais livres, nas quais cada vez menos se precisa de luta para viver, constitui uma diminuição do atrito entre as criaturas e da dor resultante, ou seja, uma conquista de felicidade. Então, quanto mais se sai das opressões da matéria, tanto mais completamente pode realizar-se a divina lei do amor, pela qual, quanto mais se sobe, tanto mais se abrem as portas de cima em baixo, permitindo descer o bem e a alegria aos planos inferiores.

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Reconstruir o estado orgânico

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Poderemos imaginar o homem do futuro tão adiantado que o cérebro, agora constituindo a sua parte mais evoluída, venha a constituir para ele a parte mais atrasada, por ter transferido o centro de sua vida a planos ainda mais altos.

O processo evolutivo, contudo, não é apenas conquista de psiquismo, mas também de organicidade. Essas conquistas são coordenadas e valorizadas em novos estados orgânicos coletivos.

Quando os elementos componentes do sistema perfeito saído das mãos de Deus, desmoronaram instantaneamente no caos, não mudou o número infinito das individuações. Outra coisa mudou, ou seja, ao invés de permanecerem fundidas no estado orgânico de sistema, confundiram-se na desordem do caos. Então os elementos se amontoaram ao acaso, como simples soma de individuações que não se conhecem reciprocamente, e não cooperam por meio de fusões coordenadas no seio do mesmo organismo.

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O impulso interior do telefinalismo

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Na primeira origem existia apenas um impulso interior para subir, em forma de desejo instintivo, no qual se revela a lei do regresso às origens. Aquele telefinalismo de que falamos é uma força ativa de atração. Surge assim o desejo, exprimindo esse impulso interior, individualiza-o no caso particular, na forma a ser atingida naquele dado momento e posição da vida. A matéria orgânica é forma regida por esse impulso interior, por isso lhe obedece, deixando-se plasmar por ele.

Então o desejo começa a plasmar uma primeira tentativa, ou esboço do órgão, com os materiais que toma do ambiente, material passivo, que obedece por lei da vida, àquele impulso animador. Com esses materiais, aquele desejo se reveste de uma primeira forma rudimentar, que constitui a sua primeira expressão. Nasce, desse modo, um primeiro esboço provisório, à espera de reforçar a tentativa, consolidando o tipo, se ele corresponde às condições do ambiente e às exigências da vida. Ele é a expressão do íntimo pensamento que a dirige; é o resultado de uma luta do pensamento criador contra a matéria inerte, para plasmá-la a seu modo.

A luta é feita por ensaios, resistências, adaptações, tentativas.

Esta é a forma pela qual se realiza a criação no plano material, por obra do espírito.

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A visão da queda diante da biologia

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Em dado momento de sua ascensão, a vida achou útil e necessário construir para si um órgão específico do pensamento, demonstrando dessa forma ter percebido a importância da presença de um centro específico inteligente, capaz de dirigir o seu funcionamento. Com isto a vida enveredou por um caminho novo, para o psiquismo, o primeiro grau da espiritualização.

Foi com esses meios que se pôde manifestar e funcionar, de forma concreta específica no plano biológico, a inteligência, para afinal revelar-se como primeira potência da vida, potência que permitiu ao homem vencer todos os outros animais.

A cerebralização no seio da evolução representa, verdadeiramente, o que se poderia chamar o traço biológico de todo o processo de espiritualização constituindo a meta final dessa evolução.  Assim, o pensamento se tornará a função biológica mais importante, porque o saber pensar e compreender representará a atividade biológica mais útil,  demonstrando-nos estar a evolução orientada para a espiritualização, revela-nos ser este o terreno das futuras conquistas do homem.

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O fenômeno da criação

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Ajudar-nos-á a compreender o grande fenômeno da criação, observar o que se passa em nossa mente, quando ela desenvolve semelhantes impulsos com sua manifestação, imprimindo-os no mundo exterior, pois que ela não é mais do que um momento da substância pensante do Todo, que se isolou em um sistema menor, em um “eu sou” subordinado, ao máximo ‘‘eu sou” – Deus.

Antes de agir todos pensam na ação a executar e este é o primeiro momento, o da construção do esquema diretor, pelo qual se imprimem às formas novos estados cinéticos.

Cada forma do ser se reduz a um estado cinético diferente.

Deus criou, pois, pela transformação da substância prima pensante, o espírito (α) em energia, (β), que representa á fase cinética da ação que expressamos pelos verbos, a fase de querer e pôr-se em movimento para depois chegar, enfim, à terceira fase do processo, a de matéria, (γ), a forma, a criação, obra completada.

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O processo criador

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Procuremos agora a compreensão da natureza íntima do chamado processo criador, até mesmo no seu caso máximo, em Deus, do Qual, embora a incomensurável distância, o homem busca imitar a ação, no seio do mesmo sistema e seguindo o mesmo esquema.

A matéria prima da criação, é uma eterna e indestrutível substância de natureza pensante, isto é, que possui, como atributos fundamentais, a inteligência e o conhecimento. Este é o estado originário de que derivou o universo, da mente de Deus, como qualquer obra humana deriva da mente do homem.

Qual é o estado do Todo antes da criação?

Por Todo devemos entender Deus, porque nada pode existir além Dele.

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No Princípio era o Verbo…

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São João iniciou o seu Evangelho com palavras estranhas, refertas de profunda significação e geralmente incompreendidas. Ciência e filosofia, não conseguindo alcançá-las, negligenciam-nas e as resolvem ignorando-lhes a existência. Entretanto, elas contêm a chave do universo. João, ao certo, iluminado por Cristo, as havia compreendido. Procuremos compreendê-las nós também.

Que significa Verbo?

Pelo princípio da unidade do Todo, e dos esquemas de tipo único, segundo os quais o universo é construído, não é absurdo ver, igualmente em nosso minúsculo contingente, os grandes esquemas do ser refletidos escalonadamente, até ao máximo de Deus.

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O caminho percorrido até aqui…

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Iniciamos o estudo do conceito central, do esquema do ser – o “eu sou”.

Isto nos conduziu a observar o fenômeno do egocentrismo cuja significação quisemos esclarecer.

Por esta via chegamos às portas do grande drama da queda dos anjos, devida justamente à rebeldia do “eu”, por excessivo egocentrismo desvirtuado.

Detivemo-nos, então, a contemplar as suas consequências, estudando as origens do mal e da dor. Mas isto nos colocou defronte ao problema inverso da sua finalidade.

Entramos, assim, na visão do grande ciclo constituído do desmoronamento e reconstrução do universo, ciclo que se reconstrói em unidade pela junção das suas duas fases inversas e complementares, involução e evolução.

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A Teoria da Queda diante do Evangelho.

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Quaisquer sejam as dúvidas levantadas contra esta teoria, não pode ser repelida pelos seguidores da doutrina de Cristo.

No Evangelho de Lucas, (capítulo 10:18), diz: “Vi Satanás, como um raio, cair do céu”. De fato, a queda foi fulminante, rapidíssima, como ocorre quando rui um edifício. Tornar a subir é cansativo e lento, como acontece na sua construção. E isto porque se deve aprender outra vez, reconstruindo o que foi destruído.

O Apocalipse de São João (capítulo 12:7-9) diz assim: “E houve no céu uma grande batalha: Miguel com seus anjos combateram contra o dragão e batalhavam o dragão e seus anjos, mas não prevaleceram, nem houve mais para ele lugar no céu. Foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente que se chama Diabo e Satanás, que engana todo o mundo: sim, foi precipitado na Terra e com ele foram precipitados os seus anjos”.

O Profeta Isaías (14:12) confirma: “Como caíste do céu, ó Lúcifer, como foste cindido e abatido até a Terra? E no entanto dizias em teu coração: tornar-me-ei semelhante ao Altíssimo.”

É possível a qualquer religião ou seita de origem cristã não levar em conta tão graves afirmações?

No entanto, alguns elementos do Espiritismo Brasileiro não aceitam a teoria da queda, pelo fato de a teoria Kardecista afirmar que os espíritos foram criados simples e ignorantes.

Mas raciocinemos um pouco.

Deus era finito ou infinito? Deus não pode ser senão infinito. Mas, para criar espíritos simples e ignorantes Ele devia tirá-los, não de Si, mas tirá-los de fora de Si. Isto porque, sendo Ele perfeito, só podiam sair de seu seio seres perfeitos, portanto, nunca simples e muito menos ignorantes. Da imensa sabedoria de Deus não podia derivar diretamente uma tal ignorância.

Se os espíritos são constituídos da mesma substância divina, tinham de ter, ao menos no momento da criação, as Suas qualidades. Ora, não sendo qualidade de Deus o ser simples e ignorante, os espíritos nascidos Dele, feitos de sua própria substância, não podiam ser simples e ignorantes.

Só podiam ter sido assim em duas hipóteses, ambas inaceitáveis porque contrárias ao conceito de Deus, ou seja: primeiro, Deus os tirava de sua própria substância, sendo também Ele simples e ignorante; segundo, Deus os criou não de dentro de Si mesmo, mas de fora, e em tal caso ele não seria infinito, mas finito.

Trata-se de dois absurdos. Para poder criar fora de Si seres de natureza diferente da própria, Deus deveria ser um ente limitado, e, ao criar, devia transpor esses limites. Em outros termos: ou Deus tirava os seres de sua própria substância, e Ele era simples e ignorante, ou os tirava de fora de Sua própria substância, e então Ele era finito e limitado.

Ora, é evidente não poder o seio divino, como ocorre entre mãe e filho, ter produzido senão anjos da própria natureza, ou seja, perfeitos, bem diferentes dos espíritos que vemos animando os corpos humanos da Terra.

O homem é um ser bem diferente.

Aceita-se ser ele o resultado da evolução a qual tem as suas raízes bem distantes, nas profundezas da matéria, da qual o espírito vem vindo, reconstituindo-se lentamente através de formas de vida cada vez mais complexas, permitindo-lhe a manifestação, até chegar ao plano biológico humano que ocupamos.

Aceita-se ser o ponto de partida da evolução a matéria, enquanto o ponto de chegada é o espírito, no estado de pureza e perfeição.

Então, no princípio não havia os espíritos simples e ignorantes, mas a matéria. E matéria quer dizer o caos das nebulosas onde ocorre a sua primeira formação, quer dizer desordem, trevas, um mundo desagregado, que começa a reconstruir-se.

Ora, aqui surge o ponto que nos obriga a admitir a teoria da queda.

Como admitir que a suprema imperfeição representada pelo caos, seja a primeira, a originária criação, a que teria saído diretamente do seio de Deus?

Então a substância Dele seria a matéria e a desordem do caos?

Um anjo não pode gerar um demônio, nem um demônio pode gerar um anjo. Se Deus, na criação, deu de Si mesmo, então Ele era caos, constituído pela matéria que forma as nebulosas, como todos os atributos e consequências relativas. E voltamos a recordar que a criação não podia ser exterior a Deus, porque esse conceito implica a ideia de um limite a ser superado, absurdo, porque Deus só pode ser infinito.

Eis, então, o ponto. Temos diante de nós dois fatos indiscutíveis: primeiro, Deus, só pode ser espírito, ordem, perfeição, causa primeira; segundo, o nosso universo físico, em seu ponto de partida ou criação na qual se inicia a evolução, se acha no estado de matéria, desordem, imperfeição.

Estes dois termos opostos precisam ser ligados com a mais estreita das ligações, a da filiação, relação que implica a mesma natureza para ambos. É evidente não poderem se unir da forma como estão, porque entre os dois corre um abismo, verdadeiramente uma completa inversão de termos.

Ora, como preencheremos esse abismo?

A lógica impele-nos à única saída, que é a de admitir haja ocorrido um fato novo, ao qual, justamente, temos de atribuir a causa principal de todo esse emborcamento.

O emborcamento existe. Seria absurdo procurar as causas dele em Deus. Então, quem o terá produzido?

Certamente não foi Deus que é ordem, e não caos. Deus então teria caído no caos? Absurdo ainda maior: um Deus que falha e desmorona. Deus perfeito não pode ter caído, porquanto, se existe evolução, isto prova existir um princípio dirigente que a guia e sustenta, não podendo de maneira nenhuma ter desmoronado.

Mas, se Deus não caiu, o que caiu? Eis-nos constrangidos, por uma concatenação lógica da qual não se pode escapar, a admitir a teoria da queda.

Essa teoria explica tudo e preenche o abismo entre os dois termos irreconciliáveis.

O caos da matéria não é o produto da primeira criação originária, saída do seio de Deus, mas o resultado de outro processo sobrevindo depois. A matéria não é o estado originário da criação, mas o estado de máxima curvatura do espírito, o ponto final do processo da involução e o ponto de partida da qual se inicia a evolução.

Só assim se descobre a concatenação lógica entre causa e efeito, doutra forma inexistente e os dois termos permaneciam distantes sem poderem conjugar-se. Só assim aparece o anel unindo-os. Entre ambos existe a revolta e a queda, as únicas que podem explicar o emborcamento. Assim tudo fica claro, cada coisa vai para seu lugar, e não nos vamos chocar de encontro aos escolhos de tantos absurdos inaceitáveis, como vimos.

Foi útil responder a essa objeção de alguns elementos espíritas brasileiros, para esclarecer cada vez mais a visão que estamos examinando. Com se vê, trata-se de coisa bem diferente da criação de espíritos simples e ignorantes.

Kardec não entrou no problema porque não seria aceito nem compreendido. Mas, tendo de apresentar de qualquer forma um ponto de partida, escolheu um, no percurso de todo o processo, mais próximo a nós, tal com fez a Bíblia, que parte da segunda criação-material, efeito da queda.

Não podia fazer de outra maneira, pois estava falando a criaturas que ignoravam muitos conceitos, só admitidos hoje. Assim também Kardec e os espíritos não podiam falar uma linguagem que teria sido incompreensível para aquela época, porque para as mentes de então era absolutamente inconcebível uma equivalência entre matéria e energia e uma evolução físico-dinâmico-espiritual.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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