Deus é sempre amor

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Com o método da intuição, encaramos os fatos transcendentais, mas sempre fatos. Sem tê-los procurado, concordamos com os enunciados sumários da revelação, o que é uma prova em favor, e não contra a queda espiritual.

Dizíamos que a Lei reage. Mas aquilo a que chamamos dor, que crucia, é atribuído a Deus, a causa de tudo, culpando-O também dela.

Revoltam-se porque acreditam ver em tudo isto uma punição, uma vingança divina.

No entanto a queda não foi vingança, nem punição.

Deus é sempre amor. Deus jamais pune.

A punição é infligida pelo ser a si mesmo. Dada a estrutura do Sistema, ele, através da rebelião, lacerou as carnes com as próprias mãos. Esta é uma concepção antropomórfica, é como querer explicar o trovão como ira dos deuses.

Se perdemos o equilíbrio e quebramos a cabeça, não é porque as leis do equilíbrio e a gravidade nos tenham querido punir e vingar-se. No campo moral é a mesma coisa.

O universo é regido por uma ordem, por uma lei. Quem a viola não violenta ou altera a intangível ordem divina, mas gera apenas uma desordem em si próprio; não subverte a Lei, mas inverte-se a si mesmo no seio da Lei.

É necessário compreender que a criatura é livre, mas dentro de limites; livre para alterar-se a si mesma, mas não a ordem universal.

A criatura deverá, pois, sofrer as consequências dessa alteração, que diz respeito só a ela, e sofrerá pela sua desarmonia, que ela desejou, até reintegrar-se através do sacrifício na zona por ela violada, na ordem por ela alterada.

A Lei reage e aquilo a que chamamos “sua reação” é uma sua resistência à deformação, uma resistência elástica que se pode comparar à da borracha, que cede, mas resiste, e que, quanto mais cede, tanto mais se retesa, para reconduzir tudo ao estado normal anterior. Assim a Lei, como norma, é inviolável, determinística vontade absoluta de Deus.

Essa Lei é dotada de uma certa elasticidade, no quanto basta para conter um dado âmbito no arbítrio e amplitude de movimento, que representam a liberdade humana, isto é, a possibilidade de escolha e, por conseguinte, de erro, necessários para experimentar e, no caso de erro, para aprender.

Compreende-se que a perfeição não pode deixar de ser determinística, no sentido de que só o melhor absoluto pode ocorrer. Tal é o sistema incorrupto dos espíritos que não erraram e não caíram.

Deste ponto de vista, pode parecer mesmo que o arbítrio humano, além de ser um resíduo da liberdade originária, seja um produto da queda, visto que a escolha significa uma incerteza e uma procura do melhor absoluto, que se perdeu e ainda não foi reconquistado.

Os termos do nosso estado de decaídos escalonam-se nesta ordem de sucessão: incerteza, escolha, experiência, erro, dor, prova, escola, conhecimento.

Estes são os termos do desmoronamento e reconstrução de consciência, termos que não podem existir no estado de perfeição e que a própria evolução, isto é, nosso retorno a Deus, vai realmente reabsorvendo e eliminando com a progressiva conquista de consciência.

No estado de perfeição dos espíritos que aderiram à Lei, só há uma liberdade possível: a absoluta adesão à Lei, que é a vontade divina; adesão livre e espontânea, querida e consciente. Por este motivo os espíritos rebeldes deveriam ter obedecido e, como desobedeceram, caíram. Nessas alturas não podem subsistir os nossos conceitos antropomórficos de liberdade, arbítrio ou capricho.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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