Adesão ao Amor

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Quando Deus criou o ser puro espírito, deixou apenas um ponto incompleto na Sua obra, a fim de que ela fosse completada pela livre adesão do ser. Este deveria, com a aceitação, harmonizar-se com o Sistema e, nele fixando-se em seu posto, dar prova de que sabia fazer bom uso da liberdade e inteligência que Deus lhe dera, compreendendo qual era o seu lugar na ordem da criação.

Elevar o ser ao grau de colaborador da obra de Deus foi ato de amor, ato paralelo ao dom da liberdade, pois que a criatura não podia ser um autômato, ainda que perfeito. A prova era um exame lógico e necessário.

Pode-se objetar: Deus, que sabia com antecipação que na prova muitos falhariam, devia impedi-la. Mas não se poderia evitá-la, senão violentando a liberdade do ser, tornando-o um autômato, incapaz de compreender e dirigir-se conscientemente.

Significaria alterar todo o Sistema, abalando-o pela base.

O raciocínio do homem preocupa-se, sobretudo, em como se poderia ter evitado a dor, que tanto o vergasta, mas não leva em consideração muitos outros elementos necessários.

Como podia Deus, logicamente, impedir pela coação semelhante experiência?

A prova consistia exatamente em uma livre adesão por fé e obediência, na reciprocidade por amor. Se não entrava na lógica do Sistema a possibilidade de tal constrição, Deus, que sabia da queda de muitos espíritos, não os deveria ter criado então?

Mas o Sistema é um organismo compacto, de férrea lógica, e nela não podia caber essa possibilidade, que teria sido um ato de flagrante injustiça. Por que tolher aos candidatos à queda o dom máximo da existência e a possibilidade de redimir-se, alcançando a felicidade eterna, ainda que através da dor?

Que punição e que injustiça não teriam sido essas, pois que seria condenação antecipada de inocentes, antes de haverem cometido qualquer erro! É lógico que Deus deixasse a esses espíritos a liberdade e a vida, que constituem sempre ato de bondade e de amor, porque a escolha continuava entre a via curta da felicidade pela obediência à ordem da Lei e a via longa da redenção pela dor, após o erro da revolta.

Deus permitiu o erro justamente porque sabia. E sabia também que esse não era um mal irreparável, mas apenas uma via mais longa para alcançar a felicidade eterna.

O mal ou se converte em bem, ou está destinado, pela férrea lógica do Sistema, à autodestruição.

Deus sabia que a Sua criatura, qualquer que fosse a via que tivesse escolhido para percorrer, alcançaria a felicidade. Eis que o amor, a bondade, a justiça, a lógica de Deus ressaltam sempre mais evidentes em cada caso.

Fala-se de vingança por cegueira, e não se vê que o amor de Deus foi tanto, que, como Filho, desceu ao nosso mundo para sofrer conosco e redimir-nos, ensinando-nos a subir! Foi tamanho esse amor, que Ele quis descer dos céus, da transcendência à imanência, para permanecer em nosso contingente.

Que mais se poderia pedir a este Deus, que muitos pretendem acusar de injustas punições? Ao contrário, quanta sabedoria, quanto amor, quanta bondade! Só mesmo uma grande ignorância pode concluir de maneira diversa.

Deus jamais pune. O que nos parece punição não é resultado de uma atividade positiva de Deus contra a criatura, mas sim a automática consequência da ausência de Deus, quando Ele é repelido pela criatura. A causa determinante é a recusa voluntária da criatura. Deus não inflige punições, mas, quando a criatura O nega e repele, Ele respeita a liberdade que lhe deu e, assim, pela própria vontade, a criatura se afasta de Deus, como se Ele se tivesse retraído.

Ora, uma vez que Deus é vida, a maior punição é esse afastamento, porque significa privação de vida. E, com a revolta, a criatura se privou da própria vida, que é dada pelo espírito, tornando-se matéria, mas com possibilidade de ressuscitar da sua sepultura.

Tudo isto demonstra como se fosse lógica e fatal a queda após a revolta, porque esta significava um afastamento de Deus, ou seja, da vida; significava, portanto, um suicídio, a morte, ainda que a bondade de Deus lhe deixasse a possibilidade de ressurgir para a vida, corrigindo o erro com a dor.

Tudo isto poderá agora nos permitir melhor compreender com respeito à anulação dos espíritos rebeldes, que insistem em permanecer na rebeldia. O espírito que recalcitra na revolta é anulado (ainda que o seja somente como individualização, e não como substância, porque esta, sendo de Deus, é indestrutível), em virtude de que todo o afastamento de Deus significa morte, porque Deus é vida.

Negar Deus é o mesmo que negar a existência, porque só Deus é, e fora de Deus nada mais pode ser. Deus é o Todo, e sair do Todo é cair no nada. Fora de Deus, que é o Todo, não pode existir senão o nada.

É a natureza de Deus e a própria estrutura do Sistema que, automaticamente, sem nenhum ato ou intervenção de Deus, implicam a morte de quem se afasta Dele. Somente em Deus é possível existir, no seu seio e na sua lei, e a Ele retornando, se a criatura se afastou.

Quem não estiver com Deus, afastando-se Dele e não mais retornando a Ele, perde a existência.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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