A essência da queda

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A essência da queda não é, portanto, um ato de punição, mas o afastamento de Deus, desejado pela criatura, que tem fatal necessidade de subir novamente a Ele, se quiser reencontrar a vida. A revolta contra Deus significava revolta contra a própria vida do ser, contra a sua própria existência.

O que poderia resultar desse comportamento, senão a morte, um não-ser, como é para a consciência (qualidade do espírito) a inconsciência (qualidade da matéria)?

Assim a queda foi um desmoronamento de dimensões em planos de vida inferiores, involuídos, em que todos os dons de Deus se contraíram em um estado potencial, de latência, do qual só o sacrifício de ascensão do ser poderá retirá-los, despertando-os para a atualidade.

O ser, para curar-se da desobediência, deve compensar a ordem com equivalente obediência à Lei, para que o equilíbrio seja restabelecido. Não se pode em tal sistema restabelecer a harmonia de outra forma. O homem deve, assim, provar o aspecto duro da Lei, mas esta permanece sempre lógica, boa e justa.

No fundo da descida está o inferno; no ápice da subida, o paraíso.

De fato, quanto mais se desce, mais aumenta o egoísmo separatista, a desarmonia, a luta e a agressividade entre os seres, sempre dispostos a entredevorarem-se. Quanto mais se sobe, tanto mais a vida se harmoniza em paz e amor.

A nossa miséria atual não é um defeito de criação, uma culpa de Deus. É uma mácula, uma chaga nossa, que Deus está curando. A dor permanece, mas com uma interpretação tão otimista, que adquire um grande significado positivo e um poder construtivo em nossa vida.

A criação, que verificamos ser contínua, é na sua essência, uma obra de restabelecimento contínuo, com a qual Deus auxilia o homem a reconstruir o edifício desmoronado.

Que maior maravilha do que o surgimento do aspecto imanência da Divindade, que assim permanece presente no universo desmoronado, nele descendo para animá-lo, curá-lo e salvá-lo?

Que perfeição no Sistema, fazendo com que um erro – a revolta – ao invés de constituir um desastre irreparável, transmude-se em um processo de restabelecimento semelhante ao que o poder curativo da natureza (imanência de Deus) exerce num organismo enfermo!

O Sistema é tão perfeito na sua estrutura orgânica, que a revolta não lhe afetou a perfeição, permitindo que todos se salvem, uma vez que, desaparecerá qualquer traço de erro com suas consequências, sendo o mal e a dor elimina- dos do Sistema.

A cruz que Cristo tomou sobre os ombros inocentes era o efeito do desmoronamento. Ele a carregou para que todos, com Ele, reabsorvessem na dor a consequência do erro.

Que maior amor poderia revelar pela sua criatura um Deus Que, após lhe haver dado a vida, desce a sofrer com ela para devolver-lha, quando ela já a havia perdido?

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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