O dilema sobre a liberdade do espírito

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Para resolver estes problemas é necessário lembrar-se de que o Sistema não era constituído por Deus de um lado e uma multidão de seres do outro, todos iguais, dependentes de Seu comando caprichoso. Num Sistema perfeito não pode haver arbítrio.

O Sistema era construído de forma totalmente diversa. Os seres estavam hierarquicamente coordenados um em função do outro, constituindo, assim, todos em conjunto, uma unidade orgânica, da qual o próprio Deus fazia parte, pois Ele era constituído por aquela unidade da qual todos os seres faziam parte. Por isso, tudo existia num estado de fusão, o Criador nas criaturas e as criaturas no Criador.

Podemos ter uma ideia disso ao observar o corpo humano, que temos motivos para presumir seja uma reprodução, embora mínima, daquele modelo. Os espíritos representavam, em relação a Deus, o que são as inteligências das células, dos tecidos, dos órgãos etc., em nosso organismo, em relação ao eu central que o rege, todo na sua unidade. Existe, assim, uma hierarquia de inteligências e de funções, subordinadas ao centro, que domina e unifica tudo, e constituindo com ele um só ser, uma unidade orgânica, num todo coletivo.

Num Sistema assim, um conceito de liberdade-capricho, feita de arbítrio que possa mover-se loucamente, não pode existir. Tal como as células em nosso corpo também no sistema, cada criatura era livre, mas dentro das margens de disciplina que rege o todo. Livre, mas sempre em função do todo. Essa disciplina representa a primeira condição da vida de qualquer elemento que faça parte de um organismo. Só nesse sentido pode entender-se a liberdade dentro do Sistema. Como no organismo humano, havia aí uma lei superior que regulava tudo e ai de quem dela se afastasse.

O Anti-Sistema representa precisamente o afastamento dessa lei.

Se nosso ser físico-espiritual em estado de saúde pode dar-nos uma ideia do Sistema, nosso ser em estado de doença nos dará uma ideia do Anti-Sistema. O Sistema decai no Anti-Sistema tal como um corpo sadio quando adoece. Mas não é por isso que o doente se torna outro homem, nem seu corpo passa a depender de outro centro, ou de outro eu. Ele continua sendo o mesmo ser de antes, mas apenas, ao invés de estar são, se acha num estado diferente, chamado patológico.

O seu “eu” central permanece o mesmo, com as mesmas funções de direção suprema, como Deus permaneceu também, em seu aspecto imanente, em nosso universo desmoronado, ou Anti-Sistema. Em ambos os casos o eu central permanece dentro do organismo e quando adoece aí permanece, justamente para curá-lo, como faz qualquer organismo que luta para curar-se de sua doença.

O estado de perfeição (Sistema) representa um estado de saúde, enquanto o estado de imperfeição (Anti-Sistema) representa um estado de doença.

Dessa forma, a criatura só podia existir com funções bem definidas em relação ao funcionamento geral. Pode, para o homem, não ser facilmente compreensível este conceito de liberdade determinística, pelo fato de, estando ele situado no Anti-Sistema, ser levado a conceber tudo às avessas, e portanto a compreender a liberdade como um direito à revolta e ao abuso, como um arbítrio do “eu” que sobrepõe à Lei.

Para o ser perfeito, a liberdade só pode ser uma: a de existir de acordo com a ordem dessa perfeição, porque sem esta ordem não pode existir perfeição. A cisão entre livre-arbítrio e determinismo é um produto de nosso estado dualístico de decaídos da unidade.

Só no Anti-Sistema podem reinar a imperfeição, a ignorância, a incerteza. E por isso, só aqui pode existir o livre-arbítrio, pois a escolha só é possível onde ainda não se conhece o caminho melhor, o qual só pode ser um, o único perfeito.

Em última análise, no Sistema, como no Anti-Sistema, sendo tudo regido por Deus, a Sua perfeição exige tudo ser determinístico. Ao desmoronar na matéria, o ser perde a consciência e todas as demais faculdades diretivas.

A Lei o substitui completamente em tudo e ele fica totalmente sujeito ao determinismo escravo a que também está sujeita a matéria. Evolvendo, o ser desperta sua consciência, significando reencontrar a Lei, compreendê-la e perceber cada vez mais o prejuízo e o absurdo de revoltar-se contra ela. Isto também significa começar a colaborar, reentrando assim, pouco a pouco na ordem, o que quer dizer assumir cada vez mais funções diretivas de operário da Lei e de instrumento de Deus.

Então, com a experiência da queda, acontece que, quanto mais se evolui, tanto mais a liberdade se torna liberdade de obedecer à Lei e sempre menos vontade de desobedecer-lhe. De modo que, a liberdade suprema das criaturas, no sistema perfeito, nós só a podemos entender com liberdade de obedecer a Deus, espontaneamente, por livre adesão, vivendo perfeitamente harmonizados em Sua ordem.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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