O dilema: a perfeição, a onisciência e a onipotência de Deus

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“É um fato inquestionável a existência do mal, da dor etc. Ou seja, existe no seio da obra de Deus uma força contrária, Sua inimiga. Se tão grande mal derivou de Deus, seu é o defeito e, portanto, não é perfeito, é injusto e culpado de tantos males. E se não derivou de Deus, mas teve uma origem própria, um Deus que não previu o dano do próprio Sistema não é onisciente, e um Deus incapaz de livrar-se do mal não é onipotente”.

A objeção procura demolir a divindade em seus primeiros atributos: a perfeição, a onisciência e a onipotência.

Partindo do fato positivo de o mal e a dor existirem em nosso mundo, procura-se jogar a culpa de tudo isso sobre a Divindade, que poderia ter feito melhor as coisas. E o “melhor” para o homem que julga é apenas o seu egoístico bem-estar. Este foi lesado, e então, aplicando ainda hoje o princípio do egocentrismo revoltado e os métodos de divisionismo do Anti-Sistema onde caiu, o homem vai imediatamente lançar a culpa dos outros, em todos, mas nunca em si mesmo, sem pensar que Deus deve ser também justo.

Embora sendo uma criatura situada no relativo, o homem pretende julgar Deus e o absoluto.

O primeiro ponto do dilema ataca a perfeição de Deus. É certo não ter o nosso mundo as qualidades do Sistema, mas as do Anti-Sistema. Isto é claro. Ora, se o próprio fato é uma prova da queda, porque é absolutamente inadmissível que uma obra tão imperfeita como é o Anti-Sistema, possa ter saído diretamente do seio da perfeição de Deus.

Tudo se explica logicamente se admitirmos que o Anti-Sistema não deriva diretamente de Deus, que criou apenas o Sistema perfeito, continuando perfeito.

O Sistema só mais tarde se corrompeu por obra da criatura livre, fato do qual nasceu, como só podia nascer, a obra imperfeita. É lógico, não agradar ao homem essa teoria, pois implica na sua culpabilidade e no dever de aceitar-lhe as consequências. E aceitar com obediência é justamente a qualidade mais deficiente do ser rebelde, e continua ainda a fazer falta em nosso mundo, consequência direta da revolta e da queda.

Não há portanto contradição entre a perfeição de Deus e a imperfeição de nosso universo. E nem se pode falar de injustiça em Deus. O estado atual é precisamente o efeito de Sua justiça.

Vejamos a acusação contra a onisciência de Deus.

Afirmar que Deus não havia previsto a ruína, significa nada haver compreendido do que ocorreu. Com efeito, uma criatura constituída pela própria essência divina não podia deixar de ser livre. Ora, liberdade implica na possibilidade também de uma desobediência, liberdade de qualquer coisa, ou então não é liberdade.

O fato de tudo ter sido previsto, mesmo uma possibilidade de revolta, e as consequências que vemos serem automaticamente tomadas para o processo de saneamento, é uma prova em favor, e não contra, a onisciência de Deus.

Quem compreendeu o exposto, viu que o sistema tinha sido provido de todas as qualidades que lhe pudessem depois permitir a recuperação da saúde perdida, como de fato está ocorrendo com a evolução, que leva todas as coisas ao estado íntegro da origem.

Vejamos a última parte, atacando a onipotência de Deus.

Não poderemos afirmar não ser Deus capaz de libertar-se do mal, efeito da queda. Ele está se libertando do mal porque o Anti-Sistema está em processo de cura, tudo voltando fatal e automaticamente ao estado de Sistema perfeito.

O erro do dilema consiste em acreditar ter as forças do Anti-Sistema o mesmo poder que as forças do Sistema. Não é assim. Ao contrário, Deus permaneceu senhor de tudo, do Sistema e do Anti-Sistema, da mesma forma que o nosso “eu” é senhor de todas as células, tecidos e órgãos de seu corpo, não só da parte sadia, mas também da parte doente. É à parte sadia que a natureza se encarrega de trabalhar para levar a saúde à parte doente.

Lembremo-nos que Deus é o centro único de tudo, tanto do Sistema como do Anti-Sistema. Segue-se daí continuar este último a depender e ser dirigido pelo mesmo centro único que, através do Sistema, penetra totalmente o Anti-Sistema, onde Deus transcendente reaparece em Sua forma de imanente.

Não podermos atribuir às forças do mal um poder próprio absoluto, uma existência autônoma independente, mas apenas um poder e uma existência em função das forças do bem, as mais fortes, forças de Deus que regem o Sistema e o Anti-Sistema; portanto, também o mal lhes deve obedecer.

As potências rebeldes da desordem estão, pois, subordinados às obedientes da ordem e, como tais, não podem deixar de dar sua contribuição, embora em forma invertida, no negativo, como resistência, como banca de exame e experiência, para a vitória do bem.

Satanás, é mister compreendê-lo, só é inimigo de Deus aparente e superficialmente. Em sua substância, em profundidade, é o escravo de Deus. O próprio Satanás dá assim, embora numa forma especial, como também deu Judas, a sua contribuição para a realização da redenção.

Todas as vezes que as forças do bem se encontram com as forças do mal, nos achamos diante de um choque tremendo entre as potências cósmicas do Sistema e do Anti-Sistema, que lutam para vencer sempre as primeiras, que regem e dirigem e são a alma do progresso.

Como se vê, a solução das dificuldades nos conduz por fim, a esclarecimentos relativos ao estado real das coisas, sem conhecimento por quem faz a objeção, por não possuir uma orientação somente conseguida através de uma visão completa de todo o fenômeno. E, infelizmente, a humanidade de hoje ainda não possui essa visão completa, nem nas religiões, nem na filosofia, nem na ciência.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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