O dilema em oposição à teoria da queda

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“Ou Deus criou os espíritos já sábios e, então, eles não podiam cair; ou criou-os ignorantes e não podiam ser considerados culpados portanto, não podiam ser punidos”.

O fato é não ter as coisas se passado como afirma o dilema.

Deus não criara os espíritos nem totalmente sábios, nem completamente ignorantes, mas a cada espírito fora dado um conhecimento proporcional à sua posição na hierarquia, de acordo com a necessidade em executar sua função.

Façamos uma comparação com o corpo humano, como unidade coletiva. Os espíritos do sistema se acham diante de Deus, em conhecimento, tal como a inteligência e o conhecimento que dirigem o funcionamento dos elementos do corpo humano se acham diante da inteligência e do conhecimento do eu central, que dirige o funcionamento de todo o nosso organismo.

Cada elemento tem seu devido lugar na hierarquia, constituída por natureza e funções diversas, mas todas coordenadas e necessárias, numa estrutura orgânica. Isto desde o átomo até à combinação de átomos e moléculas, destas às células, destas até aos tecidos, até aos órgãos, e destes até ao organismo todo. Não importa ser o elemento consciente ou não de seu trabalho. O fato dele o executar demonstra, de qualquer modo, que o conhece. Para cada elemento, tudo está proporcionado à sua posição.

O conhecimento, nos elementos do Sistema, está subordinado ao conhecimento do elemento superior, segundo a escala hierárquica, até o limite superior, Deus, o único verdadeiramente onisciente. Então, o conhecimento tem um sentido muito diferente do que o dilema afirma. A posição dos espíritos a este respeito não era absoluto, como se imagina.

Tratava-se de um conhecimento que precisava completar-se com o conhecimento dos outros elementos, os quais, em conjunto, se completavam na onisciência do eu central. Havia, portanto, uma hierarquia no conhecimento, como havia uma hierarquia nas funções regidas por esse conhecimento.

Pode-se compreender, desta maneira, como deve ter ocorrido a queda e o desastre que ela produziu, quando as células do organismo, ao invés de continuarem a viver disciplinadamente, em função da ordem geral, quiseram tornar-se independentes dela, e se puseram a funcionar anarquicamente, como ocorre com as células do câncer numa sociedade de células disciplinadas, num organismo sadio.

O desastre da revolta foi devido a uma exagerada super-estimação do próprio eu, por parte dos espíritos rebeldes que quiseram, dessa maneira, sair da ordem da lei como lhes fora designada.

Ainda agora, o homem tende a recair, a cada momento, nesse mesmo erro, desobedecendo a Lei de Deus, mais fiel, neste caso, aos princípios do Anti-Sistema no qual caiu, do que aos do Sistema do qual proveio. E assim voltam sempre a soberba e o egoísmo, como efeito e eco daquela primeira vontade de querer tornar o seu próprio pequeno “eu”, o centro de tudo.

Esse erro foi previsto pela onisciência de Deus, como se prova pelo fato de o Sistema já ter sido antes provido dos meios automáticos necessários à recuperação e ao restabelecimento. Todavia, esse erro não fora previsto pelo conhecimento menor, próprio dos elementos componentes, os quais, justamente porque menores, ou seja, menores também no conhecimento, não possuíam a onisciência própria do centro, Deus. Daí a possibilidade da queda.

É fácil imaginar o que acontece – como no caso do câncer ou em qualquer organismo composto de elementos que tenham funcionamento coordenado – quando as células ao invés de aceitar a disciplina imposta pela lei de todo o organismo, pretendem assumir, cada uma delas, funções de direção. Um elemento componente se perde ao sair do funcionamento orgânico de um corpo, como um todo.

Por isso, tanto no Anti-Sistema como no câncer, tudo desmorona na dor, no mal e na morte. Acontece isto porque os seres menores, construídos para viver em função de outros, e todos em função do todo orgânico, ao colocarem-se na posição de primeiros, em lugar de últimos, e ao assumirem funções de direção que não conhecem, emborcam o Sistema, que assim aparece invertido, ao negativo, com as qualidades opostas. Acontece o que fatalmente aconteceria se um soldado se fizesse general ou um simples cidadão, chefe de Estado.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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