O Anti-Sistema é o Inferno (2)

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Como no Anti-Sistema, existe na Terra o motivo da unificação, mas às avessas. Encontramos, então, uma unificação, para agredir, para dividir, e não para unir. É um irmanar-se, para fazer guerra; um abraçar-se, para lutar contra os outros.

Com o proselitismo, procura construir-se uma unidade cada vez mais forte, para que, quanto mais forte, tanto mais inimigos podem ser destruídos e tanto mais indivíduos podem ser dominados.

Quanto mais bela e grande for esta unidade, mais prosélitos tiver feito, mais gente se conquistou, mais inimigos foram vencidos, tanto mais se consegue dominar sobre todos e tudo. Esse é o método de construção às avessas, do Anti-Sistema.

E o resultado é da mesma natureza. Uma unificação que se baseia no constrangimento e no esmagamento, permanece sempre ameaçada pela revolta de outros egoísmos, que tentam conquistar a primazia, usando o mesmo método e seguindo os mesmos princípios.

Por isso, diz o Evangelho que “quem usa da espada, perecerá pela espada”, e que a violência só pode ser vencida pela não-resistência.

A violência atrai violência.

Tão logo surge na Terra uma unidade nascida desses princípios, contra ela nasce outra unidade inimiga. Caem assim impérios, as revoluções substituem uma ordem social por outra, ruindo um após outro, todos os governos; os partidos são feitos e refeitos, e os próprios homens se colocam em um e outro, numa contínua reorganização. Tudo se baseia na força, seja de armas, seja econômica, seja de número, mas na força. E todos se apegam a esta, porque é a única defesa no Anti-Sistema, sabem que, se falharem, estão perdidos.

Quem está assim, imerso no Anti-Sistema, não compreende que o verdadeiro inimigo não é o outro grupo ou partido ou quem dele faça parte, mas é o método tão invertido, com que se pretende construir; não percebe que assim só podem fazer-se construções fictícias e temporárias, sempre prontas a desmoronar.

A tendência lógica e sadia, inerente à evolução, é a de reconstruir a unidade do Sistema, agora desmoronada, qual existia na origem. O erro consiste em querer atingi-la com a força e o espírito de domínio próprios do Anti-Sistema, pois sendo corrompido pelo separatismo, tudo o que provém do Anti-Sistema só pode produzir destruição.

A psicologia corrente do homem atual só pode ser compreendida se considerarmos o Anti-Sistema. O homem acha-se ainda imerso nele, até o pescoço. O resto pertence mais aos ideais, considerados utopia pelos homens práticos, à vida vivida; pertence às intuições antecipadas das realizações futuras. Entre estas se encontra o Evangelho.

Os dois extremos do ser, Sistema e Anti-Sistema, continuam frente a frente mesmo em nosso mundo. Mas o segundo é forte, dono de seu terreno – a matéria – ao passo que o primeiro é ainda uma luz fraca que desce do céu, e que só os mártires e santos transformam em vida.

O princípio da revolta obrigou, como consequência lógica, a hierarquia do Sistema a inverter-se na anarquia do Anti-Sistema. O homem que está situado ao longo da estrada, acha-se no meio do choque entre os dois impulsos opostos: a matéria quer sufocar o espírito e o espírito quer libertar-se da matéria.

Esses dois elementos são verdadeiramente opostos e inimigos, dois extremos irreconciliáveis. Não podem coexistir em absoluto plenamente. Vida de um significa a morte do outro. E o homem deve realizar em si mesmo, através da evolução, o esforço de transformar a matéria, para levá-la novamente ao espírito.

A humanidade dos séculos precedentes se apercebia muito menos, tal como o animal e o selvagem não percebem ser. Perceber significa começar a afastar-se, notando uma diferença antes não notada; significa chegar a compreender, como concebível, o que antes escapava irremediavelmente no inconcebível. Isto significa estar o homem começando a pressentir uma vida sua diferente, a sua vida mais evoluída de amanhã.

Dessa forma, o conhecimento libertará o homem, pois o que sabe, conhece a lei e não é mais constrangido à obediência pelo castigo das sanções de dor, efeito do erro.

O que sabe, obedece por adesão espontânea, porque compreendeu toda a vantagem individual da obediência, a utilidade própria em não violar a Lei.

A verdadeira liberdade, a que conduz à felicidade, consiste em conformar-se com a Lei, e não em colocar-se como prisioneiro dos baixos instintos, fazendo-nos recair no inferno do Anti-Sistema.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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