O Anti-Sistema é o Inferno (1)

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O Anti-Sistema é centrífugo, periférico, anti-central, negativo, pois foi expelido, depois é atraído novamente e reabsorvido no Sistema. A iniciativa compete apenas ao Sistema, partindo de seu centro, Deus. Ao Anti-Sistema compete apenas obedecer a essa iniciativa. Assim à obediência livre de origem se substituiu esta outra obediência forçada, pela qual o ser é constrangido a enfrentar a fadiga da evolução.

O Anti-Sistema é um Sistema às avessas, onde as criaturas decaídas procuram reconstruir, arremedando o Sistema. Mas, pela posição que assumiram, só podem construir de forma inversa, destruindo, pois é a potência desagregadora do caos, a lógica do absurdo, feita de cisão e destruição. É um organismo desorganizado que, para recuperar a sua existência, precisa ser rebocado em sentido contrário ao organismo que permaneceu íntegro.

Para salvar-se e reconquistar a vida, o Anti-Sistema precisa negar-se a si mesmo, corrigir à própria custa o mal que fez e deve tornar a subir com o próprio esforço o caminho por onde quis descer.

Deus está situado no centro do Sistema, Satanás está situado na periferia do Anti-Sistema.

Deus representa o vértice da espiritualidade, Satanás representa o fundo do abismo da matéria.

Deus é uno, Satanás está dividido na infinita multiplicidade dos elementos atômicos da matéria.

 O Anti-Sistema é um pseudo-Sistema, que só pode possuir pseudo-valores.

A força do mal é uma pseudo-força, que se baseia toda em nossa fraqueza, resultante da posição de involuídos. As forças do mal não têm poder algum sobre o evoluído espiritualizado; o poder é qualidade do espírito e se conquista subindo, mediante a evolução para o Sistema.

Satanás é a antítese da centralidade de Deus e, representa a máxima excentricidade, está no limite extremo da periferia, no estado de máxima dispersão da centralidade.

No Anti-Sistema triunfam os egocentrismos, egoisticamente separados em infinitas individualidades inimigas; no Sistema triunfa o egocentrismo orgânico unitário, onde os egocentrismos menores se fundem, ao invés de se eliminarem.

A tentativa dos rebeldes de substituir-se a Deus faliu completamente, ao ponto de, se quiserem salvar-se, precisarão ser ajudados pelas forças do Sistema, contra o qual se haviam rebelado. Querendo emborcar o sistema, só conseguiram emborcar-se a si mesmos.

De sua obra nasceu apenas o mundo do mal e da matéria, mundo do engano e da ilusão.

Tudo corresponde a uma logicidade tremenda e fatal.

Um Anti-Sistema constituído por excluídos do Sistema, só podia ser um pseudo-organismo, onde tudo é contrafação, tudo é tão absolutamente negativo que tende sempre à destruição, ao invés de tender à construção, até chegar à própria autodestruição.

Assim, as construções executadas pelas forças do mal são pseudo-construções; as obras com as quais quereria imitar os modelos do Sistema, são abortos; suas unificações, que desejariam reproduzir o modelo do Tudo-Uno-Deus, são pseudo-unificações, que não conseguem manter-se em pé senão pela prepotente imposição da força de um chefe.

No Sistema, os seres estavam vinculados apenas por uma disciplina espontânea de indivíduos livres e convictos, e não por uma disciplina forçada, pesando com força sobre escravos.

No Anti-Sistema, a unidade que se procura atingir baseia-se no princípio oposto. Podemos ter uma ideia disso, observando o método usado pelo homem para constituí-la. Em nosso mundo, as unificações não são feitas por livre convicção, mas pela força, material ou moral. Os impérios são forjados com a guerra. A disciplina interna das nações é imposta pela polícia ou pelo exército.

Não é o povo que escolhe, elegendo um chefe (os sistemas eletivos não o são em absoluto), mas é o chefe que, por ser o mais poderoso, conseguiu vencer todos os outros pretendentes, fazendo-se livremente escolher pelo povo, em grande parte sugestionado e inconsciente.

O governo não serve o país, mas em muitos casos se serve do país para manter-se no poder. Eis aparecer, plenamente, no exercício do poder o egocentrismo separatista do Anti-Sistema.

Na prática, não se tem concebido o poder como função social, em benefício da coletividade, como deveria ocorrer de acordo com os princípios do Sistema; ao contrário, tem sido concebido antes de tudo como utilidade própria, pessoal, no sentido separatista e não colaboracionista.

Assim, seguindo os princípios do Anti-Sistema, o homem tende, em todas as funções sociais, a fazer prevalecer o próprio interesse egoísta sobre o do próximo.

As religiões tendem ao sectarismo, a formar o próprio grupo para coordenar os que estiverem de fora.

Na Terra, tudo toma a forma de “partido”.

Domina a psicologia do Anti-Sistema, pela qual só lutando, excluindo e dominando se atinge a unidade.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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Um comentário sobre “O Anti-Sistema é o Inferno (1)

  1. Cleo Ezio de Sousa

    Vemos as características do AS a todo momento, quando ligamos a TV, quando saímos na rua, quando comunicamos com as pessoas etc. É o dia a dia de todos nós.
    “Na Terra, tudo toma a forma de “partido”.

    Curtir

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