Sistema e Anti-sistema (1)

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Em que consistiu a queda?

O que ocorreu exatamente, no Sistema, no momento da revolta?

Antes de tudo, a palavra “queda” não exprime um conceito exato do fenômeno e talvez tivesse sido melhor não havê-la aceitado das religiões. Nós a usamos nas primeiras fases das nossas pesquisas, quando nos aproximávamos do conceito, achando-nos em fase de amadurecimento, não tendo sido então ainda possível precisar tudo com exatidão.

Assim, não se tratar de queda no sentido espacial, mas de uma queda de dimensões, de um desmoronamento de valores,  tratando-se de uma queda no sentido espiritual e moral, devido a  um processo de afastamento do Centro-Deus.

Sistema e Anti-sistema (1)

A revolta inverteu, pelo menos para os elementos rebeldes, a direção dos impulsos que os moviam no Sistema. Começaram, então, a funcionar não mais na direção centrípeta, com a cabeça voltada para Deus, centro do Sistema, mas se inverteram movimentando-se na direção centrífuga, para afastar-se do centro, Deus.

Assim, ao impulso centralizador que regia compactamente o Sistema em torno do único egocentrismo de Deus, substituiu-se um impulso descentralizador para a periferia, constituído por uma miríade de egocentrismos separados. Em vista da direção tomada pelos elementos rebeldes, automaticamente, como efeito da causa movida por sua livre vontade, o movimento para a periferia acabou determinando a sua exclusão da esfera do Sistema.

Os elementos rebeldes achando-se desta forma expulsos por si mesmos do Sistema, em posição de excluídos, constituíram em seu redor, mas do lado de fora, um agrupamento próprio, que foi o Anti-Sistema.

Foi como a expulsão de um pus venenoso, mas isso salvou o Sistema.

A revolta foi imediatamente isolada e lançada fora, daí resultando a impossibilidade de contaminar os elementos que permaneceram sadios. Foi importantíssimo esse fato de salvaguardar a integridade do Sistema, pois da permanência desta parte sã dependia agora todo o trabalho de dirigir a salvação dos loucos excluídos, que sozinhos só podiam perder-se. Por aí se vê com quanta sabedoria foi tudo previsto.

Então que configuração assumiu o Todo depois desse processo de separação?

O Sistema permaneceu intacto, um organismo perfeito tal como era antes, ou seja, uma esfera em redor do seu centro, Deus. O Anti-Sistema, ao projetar-se fora do Sistema, permaneceu de fora, na periferia daquela esfera, como uma emanação da mesma, uma segunda esfera em redor da primeira. Assim, a esfera da desordem permaneceu por fora da esfera da ordem.

Temos, então, duas esferas, tendo ambas o mesmo centro, Deus, em redor do qual tudo gravita, tanto o Sistema, como também o Anti-Sistema, não obstante este procure afastar-se. Isto significa Deus continuar como Chefe a dirigir tudo, não só a ordem do Sistema, como também a desordem do Anti-Sistema. Por isso, há salvação para este; doutra forma, seria impossível. E assim, o período involutivo da descida pode inverter-se no período evolutivo da ascensão; ora, entre as ruínas do desmoronamento, pode subsistir um impulso de reconstrução e de progresso; o caminho da evolução encontra a sua meta em Deus e é possível estabelecer o seu telefinalismo.

A maravilha do atual estado da criação, é a desordem ter sido imediatamente contida, pela previdente sabedoria de Deus, dentro dos limites devidos e enquadrada em outra ordem maior, que circunscreve, dirige e saneia a desordem. Por aí se vê quanto são infundadas as objeções que acusam Deus de falta de conhecimento, por não haver previsto e evitado o desmoronamento. Ao contrário, vemos aqui como este, permitido pelas razões já vistas, voltou a ser retomado e reorganizado sob a invencível direção de Deus.

Temos, então, ao centro, uma esfera de substância, de sinal positivo, e, na periferia desta, uma outra esfera de substância, que, a partir da revolta, se inverteu num sinal negativo, onde o positivo significa felicidade, ordem, inteligência, bem, amor etc., e negativo exprime os valores opostos. Dessa forma, podemos imaginar a primeira esfera feita de luz, paz e harmonia; e a segunda feita de trevas, de dissídios, de ódios.

A primeira representa o paraíso, a segunda o inferno. Enquanto nesta as qualidades paradisíacas crescem com a aproximação do centro – Deus –, na outra esfera aumentam as qualidades infernais pela aproximação com a periferia, ou seja, pelo afastamento do centro – Deus.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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