A Queda e suas conjecturas (4)

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Este confronto que fazemos aqui não é por acaso, porque a estrutura de nosso corpo físico repete realmente o tipo de modelo originário, dado pela primeira criação, cuja estrutura nos revela, ao mesmo tempo que nos explica, por que todos os organismos, justamente por serem derivados do primeiro modelo, são construídos segundo o mesmo esquema e correspondem ao mesmo princípio.

Este motivo originário ou tipo construtivo fundamental da criação vai sendo repetido, como um eco, em todos os níveis evolutivos, até nas menores criações, que são consequência da primeira, à guisa de desintegração atômica em cadeia. É assim que as unidades maiores são formadas de agrupamentos de unidades menores, o que explica o instinto de viver em sociedade, o espírito gregário tanto entre os homens como entre os animais, para vencer na luta pela vida. É assim que, nas unidades maiores, as menores possuem funções menores, em que elas se especializam.

Foi assim, pois, que existiu para os espíritos puros uma zona situada além do seu conhecimento, zona reservada a Deus, na qual eles não deviam nem podiam entrar, sem formar um estado de anarquia, que teria atentado contra o próprio Sistema. Era essa uma zona em que se devia somente acreditar, obedecendo.

Ela possuía, desta forma, a função de propiciar um tipo de exame; um consentimento pedido e feito por amor, livremente; uma arguição em que o Criador interrogava a criatura, para que ela declarasse a sua aceitação, sem coação, permutando amor com amor. Eis a zona em que podia nascer e nasceu o erro.

Alguns espíritos responderam com obediência, aceitando por amor e por fé, permanecendo fiéis a Deus, em Sua ordem. Outros, todavia, sempre livres, desejaram ultrapassar o limite prefixado e, usurpando poderes, entraram no domínio proibido, reservado somente a Deus.

Eles quiseram usar a liberdade, o poderio e a sabedoria recebidos de Deus para ainda ampliar o princípio do ― “eu sou”, que Deus havia colocado como base dos seres, à Sua imagem e semelhança; quiseram ainda crescer, ao invés de coordenar-se em obediência na ordem do Sistema; pretenderam crescer além do limites da natureza de seu ser, que Deus lhes as sinalara.

E o que sucederia se uma célula do corpo humano quisesse equiparar-se ao nosso ”eu” e usurpar os poderes centrais, assumindo a direção de todo o funcionamento orgânico? Certamente, onde existisse desordem o Sistema desmoronaria.

Não restou como um instinto fundamental da vida o impulso de crescer além dos limites, invadindo, usurpando e impondo-se? Assim ele se explica. E não sucede sempre a mesma coisa, isto é, que a Lei – o instrumento que exprime o pensamento e a vontade de Deus – mantém todos os seres dentro dos devidos limites?

Todos desejariam crescer ao infinito, como se pretendessem escalar Deus, mas a Lei lhes serve de freio e os repõe em seus limites, disciplina-lhes o desenvolvimento, guia-lhes a ação através dos instintos e os mantém no posto que lhes fora designado na estrutura orgânica do Sistema.

Nós também dizemos às crianças, ávidas de romper o freio do limite, para não fazer isto ou aquilo, a fim de evitar-lhes dano e, frequentemente, eles não obedecem e depois pagam com a dor, que é, quando erramos, a salutar lição para nos reconduzir à ordem.

Assim também, automaticamente, devem recair nos espaços vitais que lhes cabem todos quantos tentam evadir-se, violando a Lei. Quem espera vencer sem esforço, isto é, fora da Lei, perde e paga.

O prazer fora da ordem, no vício, acarreta sofrimento e obriga a pagamento.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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