A Queda e suas conjecturas (3)

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À medida que deixamos as causas acessórias e subimos para as mais remotas, o problema se concentra, por inteiro, no momento psicológico da revolta.

Da forma como o homem propõe comumente a questão, parece que não podemos fugir ao seguinte dilema: ou os espíritos eram sábios e, portanto, não podiam cair, porque sabiam as consequências, ou eram ignorantes e, então, não podiam ser culpados da queda nem responsabilizados por ela; em outras palavras: ou Deus criou um espírito que sabia e que, por isso, não podia cair, ou o criou insciente e, então, não o podia punir.

Diz-se, igualmente, que o mal existe de fato, como força inimiga de Deus. Se ela não foi criada por Deus, então Ele, se não é capaz de extingui-la, não é onipotente. Se Ele a criou, foi criada uma obra muito imperfeita, logo Deus não pode ser perfeito na realidade o mal não foi criado por Deus, Que o vencerá.

No fundo, tudo se reduz a compreender a psicologia desse erro.

Será a nossa psicologia humana capaz de compreender uma psicologia tão distante de nós?

Podemos bem entender o conhecimento dos primeiros espíritos como limitado, em face do ilimitado de Deus. De fato, os espíritos, nascidos de Deus, como uma divisão orgânica em Seu seio, não podiam possuir o conhecimento do Todo, que só Deus possuía, porque só Ele era o Todo, enquanto eles eram apenas momentos da Todo.

Eles eram, certamente, perfeitos, mas dentro do limite dado pelo fato de serem uma parte, e não o Todo. Somente a totalidade que eles formavam, isto é, o conjunto orgânico do Todo, de que eles eram parte no Sistema, podia coincidir, também no conhecimento, com o Todo – Deus.

É assim que cada um deles não podia ser onisciente, porque a parte pode ter um conhecimento perfeito, nos limites do próprio ser, mas não pode alcançar o conhecimento do Todo. É óbvio, pois, que, para seres assim perfeitos, mas limitados em face de Deus, Que, como é lógico, devia ser mais do que eles, pudesse existir uma zona que o seu conhecimento não podia atingir.

Essa zona do ignoto foi o campo da queda.

Essa zona desconhecida não somente faz parte da lógica e da estrutura do Sistema, mas também desempenhou um papel específico em relação à liberdade do ser.

A sua função foi servir como meio de prova da amorosa obediência a Deus e da espontânea e livre adesão à ordem da Lei, como era dever da criatura demonstrar para com o seu Criador.

É lógico que a célula – fazendo parte de um grande organismo, nele e dele vivendo, como sucedia aos espíritos puros no seio de Deus – deva aceitar e exercer as leis do organismo, mesmo quando, sendo limitada, não as pode conhecer e compreender. E, de fato, as células de nosso organismo humano, mesmo possuindo uma vida autônoma, obedecem à lei do conjunto orgânico – lei superior à delas, de simples células isoladas – e nelas se coordenam em obediência.

Obediência necessária, porque sem ela teremos uma anarquia, o que faria ruir todo o Sistema.

A coordenação na ordem é sempre indispensável em qualquer todo orgânico.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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