Sistema e Anti-sistema (2)

sistema2

Considerando esta atual estrutura do Todo, verificamos que se chama queda a representação do percurso que vai da superfície da primeira esfera à periferia da segunda.

A inversão dos valores se torna cada vez mais profunda, à proporção que se percorre esse trajeto, caminho de descida ou involução. É nesse percurso que todos os elementos, saídos da esfera do sistema de sinal positivo adquirem de forma plena o sinal negativo.

É esse o processo do desmoronamento.

Chegados à periferia do Anti-Sistema, o desmoronamento está completo, a ordem do Sistema naufragou totalmente no caos do Anti-Sistema. Neste ponto os efeitos da revolta estão terminados e esgotou-se o impulso centrífugo do emborcamento. Anulou-se, então, o impulso e não funciona mais.

Nesse momento pode tornar a fazer-se sentir o impulso de atração centrípeta, emanado de Deus, que continua sempre no centro de tudo. Começa assim o processo de reabsorção de todos os valores negativos, saneando-os até se tornarem positivos por meio da evolução.

Assim se realiza o que se chama redenção. Dessa maneira, volta tudo ao estado de perfeição originária e desaparece o tumor do Anti-Sistema.

O fenômeno da queda compreende um circuito completo de ida e volta, denominado “ciclo”. Divide-se este ciclo em dois períodos: involução e evolução. Cada período se divide em três fases: espírito, energia e matéria, nesta ordem, no período da descida e, na ordem inversa, no da subida.

Nesta nova concepção esférica do fenômeno, o ponto de partida da queda – ou projeção fora do Sistema – é o espírito, e nem podia deixar de sê-lo. No primeiro momento de sua expulsão do Sistema, a criatura ainda conserva as suas qualidades, ainda de espírito. Mas, quanto mais dele se afasta, tanto mais se acentua a transformação em direção involutiva, e a substância assume outra forma: a energia. Continuando ainda, nasce dela a matéria.

Por isso, o fenômeno astronômico da formação da matéria surgindo da energia, na formação das galáxias, pertence à última fase do processo involutivo, se concluído se inicia o caminho inverso, não mais involutivo mas evolutivo e isto ocorre na periferia do Anti-Sistema.

Na matéria, temos o ponto mais afastado de Deus, o ponto mais periférico do Todo, constituído pelas duas esferas concêntricas. Assim se explica a instintiva e nítida contraposição em nosso mundo, como de dois opostos inconciliáveis: espírito e matéria.

A concepção esférica dá-nos a imagem, também, de outro fato. Em sua fuga da esfera central do sistema, os elementos rebeldes que vão constituir a esfera maior, externa, do Anti-Sistema, vão encontrar-se disseminados num espaço cada vez maior.

Há realmente um processo de afastamento entre os elementos, ao aumentar a inimizade e a luta. Ao invés de se estreitarem, compactos, em torno de Deus, como no Sistema, numa unidade orgânica, cada um deles pretende tornar-se, o centro, que para fazer-se obedecer emprega a força, causando dano.

Efetivamente, tudo tende a afastar-se da unidade, a quebrar-se, a pulverizar o egocentrismo central e a unidade do Sistema, numa infinita multiplicidade de egocentrismos, repelindo-se para formar um caos, invés de atrair-se para formar um organismo. Assim como no Sistema domina a subordinação, aqui domina a insubordinação.

Mas, em dado ponto o movimento se inverte e a expansão gangrenosa é pouco a pouco sanada; e à proporção que é saneada, o Sistema vai absorvendo-a, de tal forma a abarcar em seu seio, de volta, todos os seus elementos componentes, tal como no estado de criação original.

 Tudo o que se achava no estado de matéria, cisão, inferno, volta ao estado de espírito, harmonia, paraíso. No fim de todo o processo, desaparece o Anti-Sistema.

Os egocentrismos que se repeliam tornam a fundir-se para colaborar organicamente e recompõe-se a unidade do Todo.

Como involução havia significado expulsão, evolução significa reabsorção: os dois movimentos compensados, inversos e complementares, se equilibram. Dessa forma, a energia é prisão do espírito, como a matéria é energia condensada.

Se o primeiro movimento vai na direção do aprisionamento, o segundo segue a direção da libertação. Por isso a matéria deve ser reabsorvida pela energia e esta pelo espírito.

No fim, tudo termina em Deus, ponto de partida.

Deus é sempre o centro de tudo. E tudo se reduz a um movimento que, partindo de Deus, volta a Deus.

O ponto “alfa” coincide com o ponto “omega”.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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