A Queda e suas conjecturas (6)

du

A evolução é o necessário sacrifício da subida, se não quisermos agravar a nossa situação, descendo. Somente nesse sacrifício de ascensão está a salvação.

Sem a queda, porque esse sacrifício?

Talvez para pagar a Deus o dom da vida?

E onde está a liberdade e o amor, quando se é constrangido pela força a pagar tão caro essa vida, que o espírito não pediu a Deus?

Mas que Deus seria esse, que não saberia gerar senão na dor, sendo obrigado a intervir com a redenção, e a criatura só tivesse para oferecer o sofrimento?

Como se vê, se recusamos a teoria da queda, entramos numa insolúvel trama de contradições e absurdos, de que nasce uma triste ideia da divindade.

Continuar lendo “A Queda e suas conjecturas (6)”

A Queda e suas conjecturas (5)

du

Os espíritos sabiam os seus limites e não deviam ultrapassá-los; sabiam ser parte de um sistema a ser respeitado, com cuja lei deviam harmonizar-se; sabiam que era dever não ir além dos limites assinalados nem invadir a zona reservada a Deus.

Tudo isso sabiam bem.

Não foi por ignorância que erraram.

O seu ato foi uma revolta consciente, feita, portanto, com plena responsabilidade. Os espíritos podiam ver escrita no pensamento de Deus a norma que lhes era pedido – como seres sempre livres, mas responsáveis – aceitar espontaneamente. Eles não a aceitaram.

Continuar lendo “A Queda e suas conjecturas (5)”

A Queda e suas conjecturas (4)

du

Este confronto que fazemos aqui não é por acaso, porque a estrutura de nosso corpo físico repete realmente o tipo de modelo originário, dado pela primeira criação, cuja estrutura nos revela, ao mesmo tempo que nos explica, por que todos os organismos, justamente por serem derivados do primeiro modelo, são construídos segundo o mesmo esquema e correspondem ao mesmo princípio.

Este motivo originário ou tipo construtivo fundamental da criação vai sendo repetido, como um eco, em todos os níveis evolutivos, até nas menores criações, que são consequência da primeira, à guisa de desintegração atômica em cadeia. É assim que as unidades maiores são formadas de agrupamentos de unidades menores, o que explica o instinto de viver em sociedade, o espírito gregário tanto entre os homens como entre os animais, para vencer na luta pela vida. É assim que, nas unidades maiores, as menores possuem funções menores, em que elas se especializam.

Foi assim, pois, que existiu para os espíritos puros uma zona situada além do seu conhecimento, zona reservada a Deus, na qual eles não deviam nem podiam entrar, sem formar um estado de anarquia, que teria atentado contra o próprio Sistema. Era essa uma zona em que se devia somente acreditar, obedecendo.

Continuar lendo “A Queda e suas conjecturas (4)”

A Queda e suas conjecturas (3)

du

À medida que deixamos as causas acessórias e subimos para as mais remotas, o problema se concentra, por inteiro, no momento psicológico da revolta.

Da forma como o homem propõe comumente a questão, parece que não podemos fugir ao seguinte dilema: ou os espíritos eram sábios e, portanto, não podiam cair, porque sabiam as consequências, ou eram ignorantes e, então, não podiam ser culpados da queda nem responsabilizados por ela; em outras palavras: ou Deus criou um espírito que sabia e que, por isso, não podia cair, ou o criou insciente e, então, não o podia punir.

Diz-se, igualmente, que o mal existe de fato, como força inimiga de Deus. Se ela não foi criada por Deus, então Ele, se não é capaz de extingui-la, não é onipotente. Se Ele a criou, foi criada uma obra muito imperfeita, logo Deus não pode ser perfeito na realidade o mal não foi criado por Deus, Que o vencerá.

No fundo, tudo se reduz a compreender a psicologia desse erro.

Continuar lendo “A Queda e suas conjecturas (3)”

A Queda e suas conjecturas (2)

du

Nas conjecturas, dizíamos que o mal parece uma força negativa, que atenta contra Deus, uma imperfeição devida a um erro Seu e que Ele, em dado momento, encontra no Sistema, apressando-se a remediá-lo.

Se há um outro Deus que limita o primeiro, então cai o conceito de um Deus absoluto e perfeito, restando para o homem a dor, punição de um Deus vingativo. Essa dor deriva da culpa do primeiro rebelde, que certamente não podia ter consciência completa do bem e do mal, pois, se a tivesse, não teria se prejudicado com a revolta e mergulhado na dor.

E como pode um inconsciente ser responsável e punível, se, ao procurar o próprio bem, erra, sem o saber?

E em nome de que justiça, Deus, que tudo sabe, que de tudo tinha presciência, mesmo desse erro, pode condenar um ser que errou por ignorância a pagar com a dor?

Continuar lendo “A Queda e suas conjecturas (2)”

A Queda e suas conjecturas (1)

du

A teoria do desmoronamento nos demonstra que o semiciclo involutivo necessariamente tem de permanecer, pois sem ele faltará o indispensável e lógico complemento do inverso semiciclo evolutivo, que nós vivemos atualmente.

O mal e a dor são realidades indiscutíveis e características do ser decaído em planos inferiores de vida. É uma necessidade lógica que não possa estar em Deus a sua causa que, por conseguinte, só pode estar na criatura.

Sem a teoria do desmoronamento, teria sido Deus quem determinou o semiciclo involutivo, isto é, a inversão do espírito na matéria, da liberdade na escravidão, da luz nas trevas, da felicidade na dor etc.

Como poderia o próprio Deus chegar a esta absurda contradição de querer subverter o sistema que Ele mesmo criou?

Do ponto de vista da criatura, não teria sido injusto e maldoso (duas qualidades que Deus não pode ter) condená-la ao sacrifício da ascensão sem que ao menos fosse justificado o seu erro inicial?

Continuar lendo “A Queda e suas conjecturas (1)”

Sistema e Anti-sistema (2)

sistema2

Considerando esta atual estrutura do Todo, verificamos que se chama queda a representação do percurso que vai da superfície da primeira esfera à periferia da segunda.

A inversão dos valores se torna cada vez mais profunda, à proporção que se percorre esse trajeto, caminho de descida ou involução. É nesse percurso que todos os elementos, saídos da esfera do sistema de sinal positivo adquirem de forma plena o sinal negativo.

É esse o processo do desmoronamento.

Chegados à periferia do Anti-Sistema, o desmoronamento está completo, a ordem do Sistema naufragou totalmente no caos do Anti-Sistema. Neste ponto os efeitos da revolta estão terminados e esgotou-se o impulso centrífugo do emborcamento. Anulou-se, então, o impulso e não funciona mais.

Continuar lendo “Sistema e Anti-sistema (2)”

Sistema e Anti-sistema (1)

sistema2

Em que consistiu a queda?

O que ocorreu exatamente, no Sistema, no momento da revolta?

Antes de tudo, a palavra “queda” não exprime um conceito exato do fenômeno e talvez tivesse sido melhor não havê-la aceitado das religiões. Nós a usamos nas primeiras fases das nossas pesquisas, quando nos aproximávamos do conceito, achando-nos em fase de amadurecimento, não tendo sido então ainda possível precisar tudo com exatidão.

Assim, não se tratar de queda no sentido espacial, mas de uma queda de dimensões, de um desmoronamento de valores,  tratando-se de uma queda no sentido espiritual e moral, devido a  um processo de afastamento do Centro-Deus.

Continuar lendo “Sistema e Anti-sistema (1)”