A Revolta (4)

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O homem continua hoje também a fazer raciocínios semelhantes, e ninguém se pergunta de qual modelo tenha nascido essa sua forma mental. Assim, não sabendo os seres o que havia além daquele limite, fizeram uma suposição que não foi verdadeira. Foram punidos pela desilusão e pela ruína que se lhes seguiu. Dessa forma, colocaram-se fora da ordem, fora do Sistema, do qual se acharam automaticamente expulsos.

A ruína não foi o Sistema, pois como obra perfeita de Deus, este não podia arruinar-se, mas foram eles que se precipitaram no Anti-Sistema, no qual tudo se emborcou. Assim caíram os elementos rebeldes, mas não a obra de Deus, que permaneceu inviolável.

Não será este o significado profundo, oculto na simbólica narração da Bíblia, de Adão e Eva tentados pela serpente, que já era anjo rebelde e decaído, a fim de comerem o fruto proibido, e depois expulsos por sua desobediência do paraíso terrestre?

Os seres rebeldes enganaram-se quanto ao resultado de sua revolta, mas sabiam que era uma revolta contra a ordem. Seu erro e culpa foi de querer substituir a ordem, chefiada por Deus, por outra ordem chefiada ao invés, pela criatura.

O movimento assume exatamente a forma de inversão. Explica-se dessa maneira o emborcamento de todos os valores que ocorreu no Anti-Sistema. Trata-se, portanto, de erro culposo, cometido, abusando da liberdade concedida por Deus.

A reação que se seguiu, não foi apenas o último elo de uma concatenação lógica, de um exato desenvolvimento de forças, como efeito proporcionado à causa, mas também um fato merecido, segundo a justiça de Deus.

A culpa dos seres desobedientes foi querer possuir uma utilidade ainda maior do que derivava do manter-se disciplinados na ordem. Por isso, foram lançados fora. Como vemos, tratou-se de verdadeira expulsão do paraíso.

O Anti-Sistema foi o produto de uma expulsão do Sistema, e por isso continuará desenvolvendo-se até agora a concatenação lógica, acompanhando o processo da queda e do reerguer-se, até ao fim, até à recuperação de tudo, restituído ao estado de perfeição originária.

Pela Divindade onisciente e previdente, o Sistema era munido de impulsos inibitórios ou freios contra o erro. Mas tudo isso, para não atentar contra a liberdade do ser, foi deixado em seu poder, à sua livre escolha; conforme o resultado, alcançado em perfeita liberdade, ficaria decidido, como após um exame, quem poderia ou não continuar pertencendo ao Sistema.

 Também isso era lógico. Era necessário ter aceito livremente uma ordem, à qual ninguém poderia obedecer à força. Com a sua obediência o ser devia dar provas de que aderira plenamente, de que quisera empenhar-se na manutenção da ordem. Doutra forma o sistema teria sido um amontoado de escravos, com a revolta ocultada em seu íntimo.

A aceitação, demonstrada com a obediência, era a resposta lógica e necessária por parte do ser, expressando também o pensamento deste, resposta que Deus tinha o direito de exigir de um ser livre de aceitar ou não aceitar.

Ora, a resposta não foi igual para todos os seres.

Uma parte ficou do lado da ordem, no Sistema, e outra parte lançou-se à desordem e, com isto, para fora do Sistema, rompendo as filas da disciplina. Esta parte, acreditando conquistar sabedoria e poderes, ao ultrapassar os limites da Lei, acabou achando-se perdida fora da Lei.

Os primeiros escolheram o impulso centrípeto, unitário, dirigindo-se para Deus; os segundos escolheram o impulso contrário, centrífugo, tendo como centro o seu egocentrismo, para expansão deste contra Deus.

Então partiu-se em dois o Sistema: em Sistema e Anti-Sistema, dando origem ao dualismo. Mas veremos agora que, ao invés de dizer: o Sistema se dividiu – implicando a ideia de um estrago – é mais exato dizer: o Sistema permaneceu perfeitamente íntegro como era, de estrutura inviolável; enquanto o Anti-Sistema foi produto da expulsão feita dos seus elementos rebeldes.

Uma vez iniciado este movimento, de afastamento, a desintegração da parte corrompida, expulsa do Sistema, continuou rápida e automaticamente, à maneira de uma desintegração atômica ou em cadeia. E tudo, como vimos, precipitou-se do estado de puro pensamento no estado de energia e, finalmente, no de matéria.

Nas galáxias, na qual da energia nasce a matéria, está o mais profundo inferno do ser, tendo atingido o máximo da descida involutiva, e daí começa o estafante caminho da subida para Deus.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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