A Revolta (5)

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Mas Deus, sendo onipotente, não podia impedir a queda e, com isso, todas as dolorosas consequências resultantes?

A onipotência de Deus não pode ir contra a lógica e a ordem da Sua Lei, porque se fosse contra ela, iria contra Si mesmo. Então a nós, filhos da revolta, pode parecer que Deus não seja onipotente.

Deus não podia impedir a queda sem violar o princípio da liberdade. Tinha construído um Sistema de ordem, em que cada impulso tinha uma função. A perfeição não pode ser senão determinística. Sendo perfeito o Sistema criado por Deus, ele se nos apresenta com as características de fatalidade. Num sistema perfeito, não se admitem oscilações de incerteza que derivam do livre arbítrio e da possibilidade de escolha.

Chegamos, assim, a um conceito de Deus que se avizinha da abstração a que está chegando a ciência moderna: ou seja, um Deus inteligência e pensamento, um Deus Lei, que dirige, de dentro, todos os fenômenos.

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A Revolta (4)

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O homem continua hoje também a fazer raciocínios semelhantes, e ninguém se pergunta de qual modelo tenha nascido essa sua forma mental. Assim, não sabendo os seres o que havia além daquele limite, fizeram uma suposição que não foi verdadeira. Foram punidos pela desilusão e pela ruína que se lhes seguiu. Dessa forma, colocaram-se fora da ordem, fora do Sistema, do qual se acharam automaticamente expulsos.

A ruína não foi o Sistema, pois como obra perfeita de Deus, este não podia arruinar-se, mas foram eles que se precipitaram no Anti-Sistema, no qual tudo se emborcou. Assim caíram os elementos rebeldes, mas não a obra de Deus, que permaneceu inviolável.

Não será este o significado profundo, oculto na simbólica narração da Bíblia, de Adão e Eva tentados pela serpente, que já era anjo rebelde e decaído, a fim de comerem o fruto proibido, e depois expulsos por sua desobediência do paraíso terrestre?

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A Revolta (3)

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Tendo criado a criatura de sua própria substância, Deus lhe havia transmitido as mesmas qualidades que lhe eram próprias, e em primeiro lugar a liberdade.

A construção do Sistema baseava-se na ordem e na disciplina, mas numa disciplina espontânea de seres livres e convictos, e não naquela escravidão forçada ou inconsciente de autômatos. Sendo livre a criatura, a obediência devia ser o resultado de uma escolha livre, que concluísse numa adesão espontânea à ordem da Lei, expressão da vontade de Deus.

Sendo livre o ser, ele devia obedecer espontaneamente, mas podia também não obedecer. Ninguém o podia impedir. Permanecia tudo em poder da livre aceitação da criatura.

Tratava-se de uma verdadeira prova de verificação, de modo a só poderem vir a participar definitivamente do Sistema os seres que a tivessem superado.

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