Teoria da queda e suas provas (6)

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O núcleo “eu sou” é o centro em torno do qual se desenvolve todo o processo do desmoronamento e da reconstrução do espírito decaído, pois:

1) Somente um “eu”  pessoal, definido nos seus atributos, pode involver e depois evolver; pode reconstruir-se, se quiser, ou então ser reabsorvido no sistema, pelo seu progressivo desgaste no atrito do anti-Sistema com o sistema;

2) Unicamente um “eu” pessoal pode ser objeto de salvação ou instrumento da necessária anulação do mal, sem o que Deus seria vencido: sem um centro pessoal, um “eu”, não pode haver mérito ou demérito, culpa, responsabilidade, experiência, evolução e retorno a Deus, ou, em caso contrário, anulação.

Sem um “eu”, tudo se dissolve no vago e nebuloso.

Assim como em um espelho partido cada fragmento reproduz a natureza do espelho inteiro, trazendo também em si os indícios do estilhaçamento, assim igualmente no sistema desmoronado, cada unidade individual carrega consigo os sinais do divino princípio do bem, da mesma forma que os satânicos princípios do mal.

Bastaria este fato, que é possível verificar a todo instante em nós mesmos, tão profundamente ele se encontra impresso em nossa natureza, para demonstrar que, nas raízes deste nosso estado e como explicação desta nossa estrutura, não pode deixar de existir uma queda original, da qual se gerou este modelo de tipo dualístico, que se repete em todas as individualizações menores.

É assim que o princípio da queda se conservou presente em todo ser decaído.

É lógico e justo que cada ser carregue consigo os estigmas do desmoronamento e a estrutura do sistema desmoronado. É por isso justamente que toda personalidade está dividida em duas partes opostas, ativadas por um dinamismo inverso, um divino e outro satânico, em contraste no campo do “eu”.

Foi assim que a indivisível personalidade do “eu sou” originário se cindiu no seu íntimo dualismo, e é neste exatamente que Satanás se aninha.

Satanás é personificado no sentido de que existe em todo ser como princípio negativo, se equilibra para contrastar o princípio positivo, com o qual está sempre em luta para dele se desvincular e se libertar. Esta luta é a base da evolução.

A personalidade de Satanás está presente em todos os seres como princípio de trevas, enquanto Deus está presente neles como princípio de luz.

Treva significa: inconsciência, matéria, prisão na forma, estado involuído.

Luz significa: consciência, espírito, libertação, estado evoluído.

Em outros termos, em nosso universo, não se encontra apenas a presença de Deus imanente, nele descido de Sua transcendência para salvá-lo, mas existe também o princípio oposto, filho da queda, isto é, a presença do mal ou Satanás imanente, sempre operante para tudo destruir e perder.

Em todo ser defrontam-se, em permanente contraste, o divino princípio do bem, fazendo evolver e subir, e o satânico princípio do mal, insistindo no desmoronamento e na descida, servindo de resistência à evolução.

É esta resistência que procura demolir todas as nossas conquistas, o que nós temos de vencer com o nosso esforço, intentando livre refazer em ascensão o mesmo caminho que livremente percorremos em queda.

Somente com a queda pode-se explicar como o princípio do mal se aninhou no âmago do ser e lá permaneça vigilante para impedir a ascensão.

Este princípio  onipresente em nosso universo e personificado como o lado de trevas em qualquer personalidade é o que entendemos por personificação de Satanás, princípio que pode  revestir-se  de uma forma qualquer, assumindo consistência real.

Não se trata de uma vaga abstração, mas de qualquer coisa de concreto que se encontra como força individualizada no ser que, na Terra pelo menos, sempre apresenta uma certa dose dela, maior ou menor.

A percentualidade é que varia, sendo santo aquele em que ela for mínima ou nula, e demônio aquele em que ela se aproximar da inteireza. No caso máximo deste último tipo, quem sabe em alguma forma cósmica de vida, teremos a personificação concreta e real de Satanás.

Efetivamente, pode-se idealizar dele um tipo biológico mesmo na Terra. E isto realmente foi feito pelo homem representando o demônio com as características dos animais danosos, mais inimigos e involuídos, agressivos, com chavelhos garras ou bicos, traiçoeiros como as serpentes venenosas, escuros e peludos como o urso, com dentes de lobo, olhos ferozes e cauda, lançando chamas e enxofre, na representação de um mais antigo e elementar adversário, qual o fogo vulcânico da terra.

Tudo isto é lógico e se justifica, porque Satanás simboliza a involução, isto é, a animalidade, que é o nosso passado, ou seja, a matéria e o caos num reino subterrâneo, onde ele sempre se aprofunda, como nas representações que fazemos dele. Inimigo da evolução, que é progresso em direção a Deus e à felicidade, também é um inimigo da vida, representando tudo o que é agressivo e mau.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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