Teoria da queda e suas provas (5)

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Sem a teoria da queda espiritual, nada se explica, tudo é caos e mistério, pois só ela pode explicar o dualismo dá árvore do bem e do mal, o pecado original, a continuação da revolta dos anjos e queda consequente, pecado cometido por Caim contra Abel, primeira personificação da cisão e da luta.

Assim podemos compreender Cristo e a Sua obra de redenção, destinada a sanar este dualismo e compreender que a inversão operada pelo Evangelho é uma retificação de valores.

Podemos explicar por que a Terra é o reino em que o mal triunfa e os bons sofrem, porque a seleção é nela operada pelo critério selvagem do mais forte.

Possíveis objeções a teoria da queda:

1) Admitindo a liberdade individual e a revolta, deve-se admitir também que um espírito possa conservar-se eternamente rebelde.

Se assim fosse, a obra de Deus não seria sanável e, em última análise, estaria falida.  Bastaria que se verificasse o caso para uma só criatura, e o mal  não seria vencido, e estaria em definitivo aninhado no sistema de Deus, tornando-se parcialmente vencedor.

Esta conclusão é absurda, pois a solução do dualismo deve ser completa e, por conseguinte, para que todo o sistema seja reconstruído e tudo retorne ao Uno, impõe-se a destruição final do mal. A anulação é a única expulsão possível de um sistema que é o Todo e fora do qual nada pode existir.

2) A impossibilidade da destruição ou anulação do espírito rebelde.

A mecânica dessa destruição se realiza por um processo de choques e atritos de forças, nos quais o que perece não é a substância divina, indestrutível, que forma o espírito, mas apenas a sua forma de individualização como “eu” distinto, e isto em favor do sistema do bem, que se enriquece dessa substância.

O que se anula é a individualização, a personalidade rebelde, o tipo de forma revestida pela substância e não propriamente a substância que a constitui.

Trata-se, pois, apenas de uma destruição relativa ao indivíduo e não em sentido absoluto. Destruição como sua individualização e não como substância. Isto torna possível a anulação no caso extremo de uma revolta indefinidamente prolongada.

A esta altura, podemos perguntar qual poderá ser a sorte de Satanás e seus demônios, uma vez que Satanás é a personificação das forças do mal.

Mas será ele apenas uma individualização fenomênica qualquer em tudo que é personalizado, ou Satanás é uma verdadeira personalidade?

Como personalidade queremos significar o que ela expressa para o ser humano.

Entendemos que a  verdadeira criação foi única, a dos espíritos puros, isto é, a que Deus realizou em Seu seio, distinguindo-se interiormente em muitos “eu sou”, feitos à Sua imagem e semelhança e que o nosso universo físico não foi uma criação, mas foi um desmoronamento da criação.

Os espíritos puros eram outros tantos “eu sou”, semelhantes ao tipo originário – Deus – isto é, individualizações pessoais, como é o próprio homem. Todos os espíritos eram assim, nem havia razão para que fossem diferentes os que depois decaíram com a revolta.

O tipo fundamental do ser, como “eu sou”, não podia mudar apenas pela queda, como de fato não mudou para o homem, que é justamente um espírito decaído e que chegou às vezes até o grau de demônio.

O desmoronamento do sistema podia alterar a disposição e posição dos elementos do edifício, mas o material permaneceu o mesmo, sem o que o edifício não se poderia reconstruir. Podia ofuscar, mas não alterar a essência pessoal do ser, porque isto teria significado destruir o tipo modelo, fato fundamental da criação.

Portanto, não é concebível que a queda possa ter produzido uma despersonalização, pois que ela significaria uma anulação de personalidade, isto é, da individualização  “eu sou”, o que só pode ser o último resultado de uma liquidação final de um rebelde indefinidamente em estado de revolta.

Livro: Deus e Universo

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/DeuseUniverso.pdf

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