Aplicando a teoria

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Que o pensamento humano não se move por acaso, é um fato. Mesmo a compreensão entre homens e a difusão das ideias depende de leis precisas, contidas nas teorias que estamos expondo, teorias que tão profundamente penetram em nossa vida, pois as estamos vivendo, no momento mesmo em que lhes estudamos a estrutura.

Nas próprias coisas, em seu funcionamento e desenvolvimento, há uma lógica que constitui um caminho já traçado, que não se pode deixar de seguir. Nenhum fenômeno ocorre ao acaso, mas sempre de acordo com uma sua lei que o guia e individualiza.

Nenhum momento do “tornar-se” universal se move por acaso, loucamente, mas dentro de margens que lhe disciplinam o transformismo, coordenando-o ao de todos os demais fenômenos, no seio do funcionamento do grande organismo do todo.

Todos nós vivemos e funcionamos, em cada pensamento nosso ou ação, envolvidos no seio de um sistema de conceitos e de forças, verdadeiro organismo, em função do qual existimos, em função de tudo o que existe.

As normas de nosso pensamento, mesmo nesta fase racional de análise e crítica, de acordo com o nosso atual plano de evolução e o grau de amadurecimento atingido, essas normas já estavam contidas na lei que dirige. O que fazemos, apenas, é aplicá-las, neste momento, segundo princípios que não podemos admitir tenham nascido agora para nós, nem tenhamos sido nós a criar, da mesma forma que a visão percebida pela intuição não representa em si nada de novo, senão o eterno funcionamento do todo.

Se pensarmos, se julgarmos, se aceitarmos ou não, tudo sempre será em virtude dessas leis. O pensamento de todos não pode deixar de estar enquadrado automaticamente no pensamento universal, do qual constitui justamente um momento. Nossas liberdades de pensamento são relativas, contidas em margens assinaladas na estrada, guiando o incerto caminho de nossa ignorância em direção à ordem da Lei, dentro da qual são permitidas apenas oscilações no relativo.

Estudando, portanto, essas leis e a teoria que as explica, ao mesmo tempo em que a discutimos, demonstramos a existência de um organismo e percebemos que fazemos parte dele, chegando a ver em que ponto estamos situados.

A construção teológica e filosófica aqui exposta, não é um edifício de conceitos,  mas é o funcionamento vivo do todo, observado enquanto está funcionando, enquanto nós mesmos funcionamos dentro dele. Para compreender o assunto, tivemos de colocar-nos em dado ponto da escala evolutiva da subida, que reequilibra a descida involutiva. A própria visão foi apenas um novo passo para aproximar-nos um pouco mais da compreensão do pensamento de Deus.

Esse conhecimento, chegando neste momento de amadurecimento evolutivo, representa a reorganização do pensamento, correspondente a esse grau de evolução. Esta nova visão do cosmos representa uma reconstrução pequena em nosso espírito, daquele conhecimento que o ser possuía outrora, antes da queda. Desse modo, com a evolução, aperfeiçoar-se-á cada vez mais o nosso modo de conceber e de raciocinar, e a humanidade, tal como já caminhou tantos passos no passado, tantos outros caminhará ainda no porvir.

Devemos reconhecer no todo, não faltar o conhecimento. Só a nós ele falta, faltando menos aos mais evoluídos e mais aos menos evoluídos. A ignorância é fruto da queda, que se anula com a subida, estamos, justamente, realizando esse trabalho de anulação da ignorância.

Parece nos movermos ao acaso e por tentativas, devido à nossa ignorância e, relativamente a nós, é verdade. Mas na ordem de Deus já estão assinalados os planos da subida e a posição do ser, mesmo no que respeita ao conhecimento, ao longo desses planos.

Todos, sábios e ignorantes, obedecem, embora mais ou menos conscientemente, ao irresistível impulso determinado por Deus, e, queiramos ou não, vivemos a Sua lei. Mas, a maravilha da evolução consiste em que, quanto mais o ser se eleva e, portanto, conhece e se orienta, tanto mais compreende a bondade da Lei de Deus e a utilidade de obedecer-lhe.

Então, a obediência forçada, como deve ocorrer para um inconsciente, a uma lei determinística, transforma-se em obediência livre e convicta, como deve ser para quem sabe; obediência a uma lei que vence não por constrangimento, mas por convicção.

Concluindo: se no próprio momento em que estamos discutindo a teoria, a estamos aplicando, isto quer dizer que ela satisfaz a este primeiro controle, em contato com os fatos. Esta é sua primeira confirmação.

Esta teoria indica-nos o ponto de chegada e a direção de nosso caminho, o nosso estado futuro, cujas causas, que nós mesmos estamos vivendo, estão em ação em nosso presente. As abstrações da visão permanecem, assim, coligadas com nossa realidade cotidiana, na qual, desse modo, a teoria encontra nova confirmação.

Entretanto ela não pretende esgotar até o fundo o conhecimento, mas apenas levar-nos a um grau mais elevado do mesmo, proporcionado ao nosso grau de desenvolvimento. O trabalho do homem é traçado, por isso, com lógica e enquadrado no funcionamento do todo, porque o ponto de partida indica qual é o ponto de chegada e a coincidência de ambos.

Se estas são as vantagens práticas da visão, devemos também delinear os seus limites. Sem dúvida ela abriu a nossa mente a horizontes mais vastos. Mas tudo permanece em relação com o nosso atual grau de evolução, que, se permitiu uma superação dos limites do passado, por sua vez nos coloca outros, para além dos quais, em nosso estado atual, a visão não dá resposta.

De tudo isso, a visão não nos diz as razões. Achamo-nos assim, também aqui, diante de limites que não podemos ultrapassar. A visão explica como foi feita a obra de Deus, mas não quais os desígnios de Deus.

Na análise e crítica da teoria, não poderemos colocar estas indagações porque, uma vez que dizem respeito a um terreno situado além do limite de nossa compreensão, a visão não dá a elas, logicamente, nenhuma resposta.

A razão pela qual estou desenvolvendo e aceitando a teoria da queda, não é tanto por um ato de fé cega nas origens inspirativas da mesma, quanto pelo fato dela resolver muitas das minhas dúvidas, explicando muitos fatos e solucionando muitos problemas, num quadro orgânico e harmônico, reconduzindo tudo à unidade e ao mesmo tempo satisfazendo as exigências da minha mente e do meu coração.

Esta teoria me dá, de Deus, um conceito verdadeiramente grande e bom, que permanece tal apesar da maldade dos ruins dominar em nosso mundo humano. Nesse conceito, que busca afastar-se cada vez mais dos conceitos comuns antropomórficos da Divindade, vejo triunfar a bondade, a liberdade, o Amor, que um instinto irresistível me diz serem Seus atributos.

Além disso, a teoria me explica algumas coisas, que nem a razão, nem as religiões, nem a filosofia, nem a ciência sabem dar-me. Por exemplo: por que motivo nasceu a matéria?

Com isto pergunto não só de que nasceu a matéria, mas por que nosso mundo assumiu a forma de matéria. E mais: por que existe a evolução?

E por que ela progride da matéria para o espírito?

Por que esse telefinalismo na evolução, e não outro, e por que a evolução assumiu esta e não outra forma e direção?

Mais ainda: que é a vida? E por que em nosso mundo existe o contrário, a morte?

E, se Deus é perfeito, donde nasceu e como se justifica entre nós a imperfeição, o erro, o mal, a dor etc.?

Como podem as trevas ter nascido da luz da nossa vida, e tantas negações do existir, quando a suprema qualidade de Deus é afirmação?

Poder-se-ia responder que esse Deus é uma nossa projeção antropomórfica no vazio, pois nela se idealizam as aspirações humanas de perfeição, sabedoria, poder, liberdade, amor, vida, alegria etc., em compensação da carência, em nós, dessas qualidades que desejamos, porque nos fariam felizes.

 Mas, então, poder-se-ia replicar: a vida não tem finalidade? Por que lutar e sofrer tanto, senão em vista de um amanhã melhor?

A natureza humana tem exigências psicológicas, ânsias instintivas que não se podem obrigar a calar. Não podemos aceitar as sutilezas filosóficas que tudo destroem, sem nada criar.

Assim, não seria mais o homem que criaria um Deus de acordo com uma imagem tirada do emborcamento da própria imperfeição, mas seria o homem uma corrupção da perfeição de Deus, um ser decaído, que anseia por voltar à perfeição perdida.

São muitas as objeções à teoria e algumas parecem insuperáveis, mas iremos olhar melhor para a visão, focalizando melhor os pormenores, para responder às nossas perguntas e solucionar as nossas dúvidas. Elas apareceram porque ainda não havia sido visto tudo, e tudo se resume em esclarecer melhor, iluminando os pontos obscuros, que permanecem imprecisos.

Em sua primeira visão de conjunto, apresenta-se-nos a teoria com as características da organicidade e unidade, com grande poder de enquadramento dos fenômenos de toda a espécie, desde os da matéria inorgânica, até aos da vida e do espírito; dos fenômenos atômicos aos sociais e morais, reduzindo a um só sistema a infinita multiplicidade de nosso relativo.

Diante desses resultados, não posso deixar de perceber um sentido de fome satisfeita, fome de conhecimento que orienta a própria vida. É a saciedade do homem que, após haver atravessado as filosofias, as ciências, as religiões, pedindo a todos a explicação de tantos mistérios, finalmente a achou por outro caminho persuadindo-se, e agora vê claramente.

E a satisfação é tanto maior, quanto essa clareza é comunicável e pode saciar tantos outros famintos e orientar tantas outras vidas, ainda perdidas nas trevas, por falta de uma visão clara e convincente do porquê das coisas, da vida e de seus objetivos.

Confesso que uma das maiores admirações, quando nasci na Terra, ao sentir-me vivo nesta veste corpórea, foi para mim a de verificar quão pouco de positivo o homem sabia, em relação aos maiores problemas, dos quais tudo deriva e em última análise, depende a própria vida e cada ato seu.

Não compreendia como se pudesse agir sem conhecer, só com fundamento nos instintos, não se sendo orientado de forma positiva, clara e segura, em relação aos efeitos do próprio comportamento. Então, para poder viver, tive de buscar eu mesmo, o alimento para mim indispensável. Isto porque não sei conceber como se possa viver sem compreender. Assim, conquistar o conhecimento, coisa para mim indispensável, foi o maior trabalho de toda a minha vida e este é o melhor fruto que agora, no fim do meu caminho, posso oferecer, a fim de servir de alimento a todos quantos, como eu, tenham esta fome, que bem sei quanto é tremenda, para quem a sente.

Ofereçamos, pois, a fim de que os outros se saciem, o fruto maduro de nossas investigações.

A ideia é oferecida, não imposta.

Ofereço-a como a minha verdade, sem pretender que possa ser a verdade de todos.

As formas mentais são diferentes e podem ocorrer para outras formas mentais outras formas de verdade, não obstante, existirem no mundo formas mentais semelhantes. Pode acontecer, então, que estes homens encontrem, nesta exposição, a verdade adaptada a eles, os convença e satisfaça. Para estes, tal como experimentei, será grande satisfação achar o que buscavam.

Essa compreensão ocorre espontaneamente entre os espíritos do mesmo grau de evolução, sintonizados por afinidade de tipo biológico, ao longo do mesmo canal de especialização de trabalho.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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