Abertura para a Verdade

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Para nós, situados no relativo, as perspectivas são diferentes, onde não só as verdades são relativas à posição particular de cada um, como também são progressivas, ou caminham em evolução, e são conquistáveis por aproximações sucessivas.

O sistema de querer vencer polemizando, ou seja, usando as palavras e os argumentos como armas e projéteis, para esmagar o inimigo, é o sistema do homem primitivo, que instintivamente ainda adota os métodos da guerra, para ter razão contra os outros.

Nos planos mais elevados, não é o vencedor, o mais forte em dialética, mas o que, usando da mais simples sinceridade, convence porque demonstra que descobriu desapaixonadamente maiores verdades e sabe dar as provas necessárias.

Os involuídos sabem fazer bem as guerras e vencê-las, sendo muito fortes no terreno da luta pela vida, mas são impotentes diante do problema da busca da verdade.

A verdade está escrita, fechada no pensamento de Deus, e só se revela a quem mereça conhecê-la, porque esse dará garantia de saber usá-la bem. A ele a verdade abre suas portas e se deixa conquistar pela sinceridade e pureza de intenções, pela humildade do pesquisador e pelo desejo de conhecê-la para o bem.

A verdade se esconde dos involuídos, porque estes a usariam mal e portanto devem ser dela excluídos até que tenham atingido, vivendo e lutando, o necessário amadurecimento.

 A verdade se entrega a quem ama, e quem ama procura a unificação com os seus semelhantes, e não o domínio sobre eles. Isto porque a verdade está em Deus, e só podemos nos aproximar de Deus pelos caminhos do amor, ou seja, unindo-nos fraternalmente ao próximo. Quem assim não procede, mesmo quando prega a verdade em nome de Deus, só consegue afastar-se dela e de Deus.

A nossa finalidade, pois, deve ser única; a de chegar a conhecer a verdade.

Com o máximo respeito para com tudo já dito pelas religiões e filosofias, somos obrigados a enfrentar sozinhos, para resolvê-los, os problemas que elas não enfrentaram nem resolveram. A Lei de Deus rege todos os fenômenos e não há religião nem filosofia que lhe possa alterar o funcionamento.

Assim não se pode impedir que a teoria da queda dos anjos se nos apresente com grande possibilidade de ser verdadeira, só pelo fato de vários espiritistas brasileiros não a aceitarem, por ela parecer de origem católica, sem saberem que os teólogos de Roma seriam os primeiros a condenar o nosso ponto de vista, pois a teologia clássica os orienta de modo completamente diferente.

O pesquisador sem preconceitos é constrangido a esbarrar a cada passo do seu caminho, com as estradas transversais, onde está escrito: local ocupado, aqui não se passa!

Por isso, a resposta ao nosso esforço de investigação não foi discutir o problema em si, para saber como de fato se passavam as coisas, mas foi, sobretudo, para cada grupo, saber se as conclusões concordavam ou não com princípios seus; em caso afirmativo, declarando-as ótimas, em caso negativo, condenando-as.

As necessidades da mentalidade corrente parecem ser diferentes. O que se pretende a qualquer coisa nova que surja, é enquadrá-la num dos muitos padrões já existentes para catalogar todas as coisas humanas.

Esta é, com efeito, uma das características do ser situado no anti-sistema, de conceber tudo dividido e de querer fixar essas suas divisões em categorias separadas e contrastantes. A criatura situada no Anti-Sistema não concebe uma ideia senão em posição de antagonismo com outra oposta à sua. Por isso, a principal preocupação de muitos que acompanham estes estudos, é saber, em primeiro lugar, a que religião ou corrente humana pertencem, naturalmente, para formar grupos e agredir os que se acham do outro lado.

Mas, perguntamos: como é possível excluir a priori esta ou aquela filosofia ou religião, garantir que não possa haver, no campo alheio, um pouco de verdade, só porque não está em nosso campo?

Como negar que o outro aspecto da verdade, possa ser talvez o mesmo que nos falta para completar a nossa?

E como não admitir também que, mesmo no campo alheio, possa faltar outro aspecto da verdade, e seja este justamente o que não possuímos?

A voz de todas as coisas é tão grande e rica, a presença do pensamento de Deus é tão universal no todo, que cada um terá visto, por certo, algo da verdade.

Num mundo onde tudo é relativo, como admitir estar a verdade toda de um lado, e nada do outro?

Como é possível acreditar que a verdade esteja toda exclusivamente do próprio lado, e o erro sempre do lado oposto?

Isto corresponde à psicologia de quem vive no plano da luta animal, mas não à de quem vive no plano mais evoluído, no qual deveria estar situado o homem.

Livro: O Sistema

http://www.ebookespirita.org/PietroUbaldi/OSistema.pdf

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